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ACOLHIMENTO
Acadêmicos indígenas iniciam atuação como mediadores interculturais no Hospital Universitário da UFRR
Boa Vista (RR) – Trinta acadêmicos indígenas de diversos cursos de graduação da Universidade Federal de Roraima iniciaram, nesta semana, a atuação como mediadores interculturais no Hospital Universitário da UFRR, vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Os estudantes foram selecionados pelo programa de extensão “Acolhimento Intercultural na Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima” e vão atuar como mediadores entre os profissionais de saúde da unidade e os pacientes indígenas internados, facilitando a comunicação por meio da interpretação linguística, da tradução de sentidos e contextos culturais e da explicação acessível de condutas terapêuticas e cuidados em saúde.
A gerente de Ensino e Pesquisa do HU-UFRR e uma das integrantes do programa, Ana Iara Costa Ferreira, explicou que o programa visa promover o cuidado humanizado e culturalmente sensível aos pacientes indígenas internados na URHPI. “Com isso, queremos reduzir as barreiras linguísticas, culturais e epistemológicas entre os nossos profissionais e os pacientes indígenas, fortalecendo a escuta qualificada, o vínculo terapêutico e a adesão ao tratamento”, destacou.
Ela acrescentou que a extensão universitária, por ser um dos pilares da Universidade e constituir uma dimensão indissociável das práticas formativas do hospital universitário, “é fundamental para aproximar o ensino e a pesquisa das necessidades reais da comunidade, fortalecendo a formação dos estudantes e o compromisso social da instituição”.
Também integram o programa os professores José Carlos Leal e Gabrielle Silveira Rocha Matos. Para Leal, a atuação dos acadêmicos no Hospital Universitário será importante para a vida profissional deles. “Os alunos poderão vivenciar a prática, o ambiente hospitalar e irão compreender melhor a realidade e os principais agravos de saúde da população indígena, auxiliando no acolhimento e na comunicação dos pacientes indígenas, especialmente os não falantes da língua portuguesa”, frisou.
Atuação na URHPI
Os mediadores interculturais são de etnias diversas, principalmente macuxi, wapichana, wai-wai, taurepang e ingarikó, e estudam nos cursos de Gestão em Saúde Coletiva Indígena, Gestão Territorial Indígena, Jornalismo, Medicina e Relações Internacionais na UFRR.
Uma das mediadoras é Marciela Benedito da Silva, acadêmica do primeiro semestre do curso de Gestão em Saúde Coletiva Indígena. “Me interessei [pelo programa de extensão] porque quero saber mais sobre a saúde do meu povo e quero aprender a ajudar na saúde dos povos indígenas”, comentou a estudante, da etnia wapichana.
Os alunos selecionados atuarão em duplas, formadas por pelo menos um falante de língua indígena. “Os falantes ficaram distribuídos nos turnos e serão acompanhados dos não falantes das línguas maternas. Com isso, todos poderão participar e auxiliar no acolhimento”, acrescentou Leal.
As atividades do programa acontecem de segunda a sexta, nos turnos matutino e vespertino, e têm caráter voluntário. Ao fim do programa, os participantes receberão certificação pela atuação.
Sobre a Ebserh
O HU-UFRR é faz parte da Rede Ebserh desde 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Vanessa Vieira
Unidade de Comunicação Regional 30