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SAÚDE MENTAL
Campanha Janeiro Branco promove cuidado coletivo e busca de equilíbrio
O ano começa com a campanha do Janeiro Branco, que busca conscientizar sobre a importância de colocar a saúde mental como prioridade e considerar o cuidado com a mente um compromisso coletivo. O tema deste ano, “paz, equilíbrio e saúde mental”, destaca pilares do bem-estar e reforça a necessidade de buscar harmonia entre os aspectos emocional, físico e social.
Profissionais do Hospital de Doenças Tropicais (HDT-UFNT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), lembram que, embora os termos “saúde mental e saúde emocional” sejam frequentemente utilizados como sinônimos e estejam interligados, existem diferenças conceituais importantes. Para a médica psiquiatra do HDT, Marilia Dualibe, a campanha é um convite à reflexão sobre a forma como a sociedade encara esse cuidado.
“Janeiro Branco nos lembra que saúde mental não é luxo, não é fraqueza, não é frescura, é saúde. Tão importante quanto cuidar do coração, dos pulmões ou de qualquer outro órgão, porque nossa mente, nosso cérebro e nosso sistema nervoso também adoecem e precisam de atenção”, afirma a especialista.
A médica ressalta ainda que o cenário é especialmente delicado quando se trata de crianças e adolescentes. “Como psiquiatra que atua com esse público, observo desafios ainda maiores. Crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento, como TDAH e autismo, enfrentam um mundo que nem sempre está preparado para acolher suas diferenças. Suas famílias, muitas vezes, lidam com exaustão e culpa”, explica.
A campanha do Janeiro Branco oferece uma oportunidade para ampliar essa reflexão e reforçar a importância da promoção da saúde mental e do cuidado coletivo. Um olhar atento e acolhedor pode contribuir para a identificação de condições relacionadas à saúde mental, dos gatilhos que podem desencadear o adoecimento e dos recursos pessoais disponíveis para o enfrentamento de possíveis crises.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental pode ser definida como um estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas atividades conforme suas capacidades, consegue lidar com o estresse normal da vida, trabalha de forma produtiva e é capaz de contribuir para a sua comunidade.
Já a saúde emocional é frequentemente considerada um subconjunto da saúde mental e está mais direcionada à gestão e expressão dos sentimentos. Um indivíduo com boa saúde emocional possui a capacidade de reconhecer, compreender e lidar com as suas emoções, tanto as positivas quanto as negativas, de forma adaptativa. Os pilares da saúde emocional incluem a resiliência, a autorregulação e a autoestima.
Tema envolve autocuidado e ajuda mútua
Como a questão da saúde mental e emocional envolve tanto o autocuidado quanto a ajuda mútua, é fundamental estar atento aos sinais apresentados por colegas e familiares. A psicóloga organizacional e do trabalho do HDT, Kárita Monteiro, explica que esses sinais nem sempre são evidentes.
“Para identificar possíveis transtornos mentais em outras pessoas ou até em nós mesmos, é preciso observar mudanças sutis no humor, comportamento, rotina, falas e pensamentos. Irritabilidade, apatia, tristeza persistente, isolamento, desânimo, baixa produtividade e perda de interesse por atividades antes prazerosas podem ser indicativos”, destaca.
A psicóloga acrescenta que alterações no sono e no apetite, falas de desesperança, sentimento de culpa, inutilidade e pensamentos negativos ou de autolesão também merecem atenção. “Para amenizar o impacto dessas manifestações e evitar agravamentos, é imprescindível o acompanhamento por profissionais de saúde mental, além do acolhimento de amigos, familiares e colegas de trabalho”, reforça.
Além dos profissionais que atuam na equipe multidisciplinar, oferecendo suporte para pacientes e familiares nas áreas de acolhimento e assistência, no HDT também há psicólogos e demais profissionais que atuam na área organizacional. Uma das iniciativas é o projeto Acolhe Ebserh, que tem como objetivo promover a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores da instituição, por meio da escuta qualificada, do acolhimento psicológico e do apoio para a redução do estresse, integração das equipes e auxílio nos processos de reinserção e adaptação profissional, contribuindo para um ambiente de trabalho mais seguro e saudável, com ações de cuidado voltadas a quem cuida.
A médica psiquiatra Marilia Dualibe reforça a importância de normalizar o debate sobre o tema. “Se o corpo grita quando algo está errado por meio da dor física, a mente também grita através do sofrimento emocional. Aprender a ouvir esses sinais e buscar ajuda é um ato de amor próprio e de responsabilidade com a vida. Que o Janeiro Branco não seja apenas um mês, mas um compromisso contínuo, em que falar sobre saúde mental seja tão natural quanto falar sobre qualquer outro aspecto da saúde”, conclui.
Sobre a Ebserh
O HDT-UFNT faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais. Essas unidades atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e, ao mesmo tempo, apoiam a formação de profissionais de saúde, além do desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Sinval Paulino e Rafael Chaves, com revisão de Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh