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Sensibilização
MEJC alerta sobre as cardiopatias congênitas
Natal (RN) - O dia 12 de junho, tão lembrado e celebrado pelos enamorados, também marca a data de Conscientização da Cardiopatia Congênita que envolve milhares de histórias de crianças que lutam diariamente pela vida. Pensando em mudar essa realidade é que a Maternidade Escola Januário Cicco da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), traz o alerta, neste mês de junho, sobre essa anormalidade que precisa ser diagnosticada precocemente.
De acordo com o Ministério da Saúde, são cerca de 30 mil crianças que nascem por ano no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita e cerca de 6% delas morrem antes de completar um ano de vida. Por isso, o diagnóstico precoce é de extrema importância para que a criança cardiopata receba o atendimento no tempo oportuno, evitando óbitos.
As cardiopatias congênitas são defeitos na estrutura e/ou função do coração, sendo que essas alterações cardíacas se apresentam desde o feto (a criança já nasce com ela) e estão entre as malformações que mais matam na infância. A médica cardiopediatra da MEJC, Melina Lima, ressalta que “uma a cada 100 crianças pode nascer com cardiopatia congênita, sendo que muitas têm evolução benigna e resolução espontânea, mas necessitam de acompanhamento. Porém, para os bebês com cardiopatias graves, é importante descobrir a cardiopatia no período do pré-natal, pois pode auxiliar no planejamento do nascimento em um serviço especializado. Dessa forma, iniciando os cuidados antes de o bebê desenvolver os sintomas e promovendo uma melhor assistência, com o encaminhamento para cirurgia em tempo hábil, é possível evitar sequelas e melhorar a qualidade de vida”.
Ela destaca, ainda, quais são os sintomas mais comuns para os quais as pessoas precisam dar atenção. “Dificuldade para mamar, respiração rápida ou ofegante, cianose (coloração arroxeada notada principalmente em boca, língua e ao redor dos olhos) e palidez”, descreve a especialista.
Serviço especializado
A MEJC oferece atendimento neonatal e ao binômio mãe-bebê. A Maternidade recebe, por meio do pré-natal de alto risco, as pacientes gestantes com suspeita ou diagnóstico fetal de cardiopatia congênita. Quando o diagnóstico é suspeito, é realizada a ultrassom morfológica e o ecocardiograma fetal nas pacientes, sempre que possível antes do parto. Isso quando as usuárias são reguladas antes de dar à luz.
Melina Lima explica um pouco mais sobre o atendimento. “Muitas vezes ocorre de as pacientes chegarem já para o nascimento do bebê. Então, nós realizamos os primeiros cuidados na sala de parto, o diagnóstico por meio do ecocardiograma pediátrico e a regulação dos casos graves que necessitam de cirurgia neonatal para o hospital de referência, que é uma unidade de saúde privada e tem pactuação com o SUS para realizar cirurgia cardíaca pediátrica”, detalha.
No caso dos bebês que não necessitam de cirurgia e que podem aguardar a resolução da cardiopatia (cardiopatias não críticas), esses recebem suporte medicamentoso, exames de controle e orientações para as famílias com seguimento ambulatorial. Todos os recém-nascidos do serviço realizam o teste do coraçãozinho, que é a oximetria de pulso neonatal, que tem o objetivo de identificar, em bebês assintomáticos, as cardiopatias graves que só irão apresentar sintomas após a alta hospitalar. Essas cardiopatias podem se manifestar no primeiro mês de vida, provocar sequelas e até o óbito da criança, se não for instituído tratamento hospitalar precoce.
SAIBA MAIS
Como é o tratamento?
Na maioria das vezes, a cirurgia é o tratamento mais indicado para as cardiopatias, no entanto, é preciso, em alguns casos, iniciar tratamento com medicação para controlar os efeitos das cardiopatias sobre a saúde dos portadores.
Como é feito o diagnóstico?
As cardiopatias congênitas podem ser detectadas ainda na vida fetal. Os exames de ultrassom morfológico realizados rotineiramente no primeiro e no segundo trimestres gestacionais fazem o rastreamento da malformação no coração da criança. Quando há a suspeita de alguma anormalidade, é realizado, então, um ecocardiograma do coração do feto, que permite avaliar e detectar detalhadamente anormalidades estruturais e da função cardíaca.
Quais são os fatores de risco?
Um dos fatores de risco para o desenvolvimento da cardiopatia congênita é a herança genética. Pais e mães portadores de cardiopatias congênitas apresentam uma chance duas vezes maior de gerar um bebê cardiopata. O mesmo ocorre quando o casal já gerou um bebê com malformação cardíaca. Algumas cardiopatias, em particular, têm uma chance de recorrência ainda maior, chegando até 10% em gestações subsequentes.
Como prevenir?
Não há uma forma específica de prevenção, no entanto é importante, antes de engravidar, que a mulher possa tomar precauções em relação aos cuidados com sua alimentação, reposição de nutrientes, utilização de ácido fólico para prevenção de malformações do sistema nervoso, entre outras. É importante a realização de pré-natal de qualidade, e, caso a gestante seja portadora de doenças como diabetes e hipertensão, estas estejam bem tratadas.
Sobre a Rede Ebserhsin
A MEJC faz parte da Rede Ebserh desde agosto de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.