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ASSISTÊNCIA REPRODUTIVA
Programa APOIAR do Hupes-UFBA oferta abordagem integral e humanizada a pessoas interessadas em gestar
Salvador (BA) – O Hospital Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (Hupes-UFBA/Ebserh) possui um programa de atenção integral e humanizada voltado à assistência reprodutiva. O serviço é gratuito, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e visa alcançar pessoas na faixa etária entre 19 e 45 anos com interesse em gestar.
Trata-se do Programa APOIAR (Ambulatórios, Pesquisas e Orientações Integradas em Assistência Reprodutiva), desenvolvido pela equipe da Unidade de Saúde da Mulher. As consultas são realizadas nas segundas e terças-feiras, das 7h às 13h, e nas quintas-feiras, das 13h às 19h, no Ambulatório Magalhães Neto do Hupes-UFBA.
De acordo com a especialista em reprodução humana e responsável pelas consultas, Karina Adami, no consultório, as pacientes recebem atendimento clínico e, caso seja necessário, são indicados exames como ultrassonografia, cariótipo, sorologias e dosagens hormonais, entre outros, os quais podem ser realizados no próprio Hupes-UFBA ou em uma unidade da rede referenciada.
“Nossa abordagem visa a identificação e potencial correção de fatores de risco para perda da capacidade reprodutiva. Estimulamos a adoção de Mudanças no Estilo de Vida (MEV) e utilizamos terapêuticas disponíveis no SUS. Caso tenha necessidade de tratamento reprodutivo de baixa complexidade, o hospital oferece estimulação ovariana controlada com uso de medicações orais e monitorada por ultrassonografia associadas à relação sexual e cirurgias de endoscopia ginecológica quando indicadas”, explica Karina.
A médica citou ainda que também são oferecidas relatorias especializadas para tratamentos de alta complexidade. Trata-se de relatórios que as pessoas podem utilizar junto à Defensoria Pública para solicitar inseminação ou fertilização in vitro já que SUS da Bahia não oferece esses serviços.
O programa APOIAR - Ambulatórios, Pesquisas e Orientações Integradas em Assistência Reprodutiva, do Hupes-UFBA/Ebserh, possui três frentes de atuação voltadas para a assistência, ensino e pesquisa. “Em âmbito assistencial, nosso foco é o Aconselhamento Reprodutivo. No programa, são ofertadas ações de prevenção, de investigação e de tratamentos de baixa complexidade integrados”, explicou Karina.
Uilma Moreira, de 42 anos, está feliz por ter realizado o sonho de ser mãe. Foram quase 10 anos de muitas tentativas e um aborto espontâneo. “Todos os anos eu e meu esposo fazíamos exames e, mesmo estando tudo aparentemente normal, nada de engravidar. Foi quando a mãe de minha amiga que trabalha no postinho viu no sistema de marcação o programa APOIAR e lembrou de mim”, conta Uilma.
No programa, a paciente foi inserida no aconselhamento, participou da pesquisa e fez tratamento de baixa complexidade. Hoje, Uilma está com o pequeno Cláudio Arthur Moreira Nunes, de 2 anos, nos braços. Segundo Karina Adami, um dos objetivos do projeto é proporcionar acesso precoce e oportuno à assistência reprodutiva e, com isso, reduzir o tempo de espera de mulheres como Uilma, que passou quase uma década para ter sucesso na gestação.
Como ter acesso?
O programa realiza uma média de 15 novas consultas ao mês por meio do SUS. Ao todo, o Hupes-UFBA oferta 64 vagas, a cada mês, para retornos e mais 16 interconsultas para serviços como Endocrinologia, Genética e outras áreas clínicas do Hospital. Para ter acesso, as pessoas interessadas devem se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde. Nesse caso, as solicitações poderão ser feitas por profissionais de Saúde via plataforma de consultorias do TelessaúdeBA, da Secretaria de Estado da Saúde da Bahia.
As pacientes também podem ser encaminhadas por meio de unidades parceiras como a Maternidade Climério Oliveira (MCO-UFBA/Ebserh); Centro de Saúde Vida Plena (CCVP); Serviço de Informações de Agentes Teratogênicos (SIAT) - www.siat.ufba.br; Serviço Médico Universitário Professor Rubens Brasil (SMURB UFBA), no caso de profissionais, docentes e discentes da UFBA; e Unidade de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho do Hupes e da MCO (USOST).
Segundo Karina Adami, o público prioritário são pessoas com menos de 35 anos interessadas em gestar dentro de um ano; com mais de 35 anos interessadas em gestar dentro de seis meses e com 40 anos ou mais interessadas em gestar; pessoas interessadas em explorar sua condição reprodutiva atual e futura e, em especial, aquelas com potencial redução da capacidade reprodutiva.
A médica explica que, entre os fatores de risco para perda da capacidade reprodutiva, estão diagnósticos como câncer, doenças genéticas e autoimunes, Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), endometriose, miomas uterinos, passado de gestações ectópicas, Infecções Sexualmente Transmissíveis (em especial, Clamídia, Gonococos ou Micoplasma e Ureaplasma), passado de cauterizações uterinas, curetagens, infecções pélvicas ou hemorragias pós-parto, pólipos endometriais e/ou endometrites, sobrepeso e obesidade.
“Por vezes, existem comorbidades clínicas que exigem um planejamento reprodutivo como hipertensão e diabetes. Do ponto de vista de investigação, nosso carro chefe é a avaliação da reserva ovariana em mulheres. Quanto à terapêutica, temos tratamentos de Mudança do Estilo de Vida (projeto MEViver), tratamentos medicamentosos e procedimentos endoscópicos, quando aplicáveis”, destacou Karina.
Segundo o Ministério da Saúde, a Saúde Reprodutiva envolve o bem-estar físico, mental e social relacionado ao sistema reprodutivo. O principal objetivo é permitir que as pessoas tenham uma vida sexual satisfatória e segura, garantindo uma abordagem abrangente para o cuidado com a reprodução.
Sobre a Ebserh
O Hupes-UFBA faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Jacqueline Santos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh