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Estudo aponta tratamento mais eficaz para pessoas com aids avançada
Carlos Brites, pesquisador principal do projeto, na 24ª Conferência Internacional de Aids.
Um estudo realizado no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e vinculado à Rede Ebserh, mostrou que o esquema antirretroviral baseado no medicamento Dolutegravir é mais eficaz para pessoas com aids avançada. Até então, não havia na literatura científica informações sobre como o esquema beneficiaria pacientes em estado grave. Com a descoberta, indivíduos nessa condição podem ter mais esperança no tratamento.
Durante a pesquisa, 73,9% dos 92 pacientes que fizeram o tratamento baseado na droga tiveram uma supressão do vírus, contra 47,8% do mesmo número de pacientes que receberam o tratamento baseado no medicamento Efavirenz, que também é comumente usado no combate à doença. Os dados, obtidos na 48 ª semana de tratamento, indicam que 65, 2% das pessoas altamente imunodeprimidas tratadas com Dolutegravir tinham carga viral menor do que 50 cópias, contra apenas 45, 7% das tratadas com Efavirenz.
Para fazer o procedimento, foram selecionados pacientes de centros de referência de cinco cidades brasileiras: Salvador (BA), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Natal (RN). “Nós selecionamos pacientes com a doença avançada, com número de células CD4 [células de defesa] menor do que 50, e comparamos com grupos desses mesmos centros que foram tratados com Efavirenz entre 2013 a 2016, período em que este medicamento era considerado de primeira linha”, explicou Carlos Brites, médico infectologista e pesquisador principal do projeto.
“Não havia nenhum estudo mostrando qual era a eficácia do tratamento em pacientes mais graves. Nós mostramos que, nesses pacientes, os resultados com o tratamento com Dolutegravir eram bem melhores do que o com Efavirenz. Menos pessoas tiveram que interromper o tratamento, houve uma maior supressão da carga viral nesses pacientes e um ganho maior de células de imunidade CD4. Além disso, a mortalidade foi 25% menor. Esse é o primeiro estudo que mostra que os esquemas baseados nesse medicamento são igualmente eficazes em pacientes graves e são mais eficazes do que o esquema baseado no outro medicamento”, disse.
O estudo, que gerou matéria publicada no MedPage Today, foi apresentado no último dia 30 na 24ª Conferência Internacional de Aids, que ocorreu entre os dias 29 de julho e 2 de agosto em Montreal, no Canadá.