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Classe hospitalar no Hupes-UFBA: saiba como funcionam as aulas para crianças e adolescentes internados
A pedagoga Luciana Brasil em sala na qual prepara as aulas de crianças e adolescentes em tratamento de saúde no Hupes-Ufba Hupes-UFBA
Salvador (BA) - Para Afonso, criança de 7 anos de idade com dificuldades motoras, aulas de pintura. Para Ian, que está no 6° ano e segue em processo de alfabetização, leitura e produção de texto. Para Anna, diagnosticada com TDAH, números de 1 a 10.
Afonso, Ian e Anna são alunos de Luciana Brasil, pedagoga do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia e vinculado à Rede Ebserh (Hupes-UFBA/Ebserh), responsável por dar aulas a crianças e adolescentes em tratamento de saúde no hospital.
A partir de um primeiro contato com os(as) pacientes, ela prepara aulas personalizadas, cujo objetivo vai além do aprendizado curricular. “As aulas estabelecem um vínculo afetivo com a vida fora do hospital. Percebo que as crianças ficam mais motivadas, esforçam-se para se recuperar para voltar à escola e reencontrar os amigos”, afirma Brasil.
Os benefícios das classes hospitalares para o bem-estar das crianças e adolescentes são reconhecidos pela legislação, que assegura atendimento educacional a estudantes da educação básica internados para tratamento de saúde, seja no hospital ou em casa, por meio da Lei 13.716, de 2018.
“O primeiro atendimento é como se fosse um grande diagnóstico. Vejo no que os estudantes têm dificuldade e o que têm interesse em aprender. Às vezes eles pedem ou têm necessidades que vão além do assunto selecionado”, afirma Brasil. Para este ano, a pedagoga planejou aulas sobre meio ambiente, corpo humano, educação, desenvolvimento e ludicidade, dentre outros assuntos. As temáticas mudam a cada dois meses e perpassam as principais disciplinas do currículo escolar, como matemática, português e ciências.
Tanto pacientes com internação prolongada quanto aqueles que vão passar apenas um dia no hospital podem ter acesso às aulas. “Quando sei que a internação vai ser prolongada, entro em contato com a escola e peço para acompanhar as atividades regulares de lá. Assim, o estudante acompanha os colegas e passa por avaliação”, explica Brasil.
Segundo a pedagoga, de maneira geral o momento de aprendizado melhora o humor dos pacientes e faz com que eles se predisponham a colaborar com o tratamento. “Consigo negociar atividades que eles gostam de fazer se colaboram na hora de comer ou de tomar o remédio”, exemplifica.
Para Edinalva Matos, mãe de Alice Matos, 13 anos, a oferta de atividades educacionais no ambiente hospitalar é importante para motivar a filha, que cursa o 6° ano. “Ela se sente isolada quando está no hospital. As atividades ajudam a criar laços e a interagir com outras pessoas”, explica. Alice chegou ao hospital no dia 3 de março para tratamento e segue internada.
No Hupes, o planejamento é que as aulas, que atualmente acontecem nos leitos, ocorram em sala própria e componham mais um espaço de aprendizado e ludicidade a crianças e adolescentes internados, como ocorre com a brinquedoteca, revitalizada recentemente.
Em fevereiro de 2023, o hospital atendeu 21 crianças e adolescentes internados na pediatria. Os pacientes tinham entre 3 e 15 anos e estavam entre a Educação Infantil e o 7° ano do Ensino Fundamental. A maioria estudante da rede pública e proveniente de cidades próximas a Salvador.
Sobre a Rede Ebserh
O Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA) faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde 2012. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.
Por Ana Oliveira.