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MULHERES NA CIÊNCIA
Pesquisadoras transformam ciência em cuidado no HUPAA-Ufal
Maceió (AL) - No Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), a pesquisa científica tem protagonismo feminino e impacta diretamente o cuidado com pacientes, a segurança dos ambientes e a qualidade da assistência prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, dos 1.172 pesquisadores do HUPAA-Ufal credenciados na Rede Pesquisa, cerca de 60% são mulheres.
Nesta reportagem, conheça o trabalho de três pesquisadoras do HUPAA-Ufal, hospital administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Atuando em áreas distintas, Thais Fraga, Roberta Caldas e Letícia Januzi mostram como a ciência conduzida por mulheres contribui para salvar vidas, qualificar o SUS e transformar realidades.
Vigilância científica para prevenir infecções hospitalares
Thais Fraga é bióloga, professora de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal) e pesquisadora do HUPAA-Ufal/Ebserh. Ela coordena estudos voltados à identificação e ao monitoramento de fungos patogênicos no ambiente hospitalar. A pesquisa investiga isolados clínicos e ambientais dos gêneros Aspergillus e Candida, com foco na resistência aos antifúngicos.
Os estudos envolvem a coleta de amostras do ar, de superfícies e de objetos de uso rotineiro no hospital, permitindo mapear possíveis fontes de contaminação. A iniciativa tem aplicação direta na vigilância das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), que podem agravar o quadro clínico de pacientes internados.
Graças à pesquisa conduzida por Thais, fungos patogênicos foram identificados em áreas críticas do HUPAA, como o Centro de Terapia Intensiva adulto e neonatal. Atualmente, a equipe avalia se esses microrganismos apresentam resistência aos medicamentos utilizados no tratamento. “A partir dos resultados, o hospital pode aprimorar medidas de biossegurança, ajustar protocolos de limpeza, inclusive de equipamentos sensíveis, como incubadoras neonatais, além de adotar estratégias preventivas mais eficazes”, explicou.
Pesquisa que humaniza o parto e reduz riscos desnecessários
A anestesiologista e pesquisadora do HUPAA-Ufal/Ebserh, Roberta Caldas, transformou o tema do seu mestrado em um programa assistencial que hoje beneficia gestantes atendidas no hospital. O Programa de Analgesia de Parto oferece às mulheres a possibilidade de alívio da dor durante o trabalho de parto normal, com acompanhamento da equipe de anestesiologia e participação de residentes.
A iniciativa contribui para reduzir a taxa de cesarianas desnecessárias, solicitadas em decorrência da fadiga materna e dor intensa. Além do conforto para a gestante, o programa traz benefícios para o bebê, ao reduzir o risco de sofrimento fetal associado ao estresse materno. “Quando promovemos um parto com alívio da dor, ampliamos as chances de um parto normal mais seguro e humanizado”, destacou.
Outro projeto coordenado por Roberta é o Patient Blood Management (PBM), programa de manejo do sangue do paciente realizado antes, durante e depois da cirurgia, com tratamento da anemia no pré-operatório. A iniciativa busca evitar transfusões sanguíneas desnecessárias durante cirurgias, reduzindo riscos como reações transfusionais e infecções, além de prevenir o cancelamento de procedimentos por falta de hemoderivados.
Novas esperanças para solução de doenças complexas
Letícia Januzi desenvolve atualmente quatro pesquisas no HUPAA-Ufal, dentre as quais duas se destacam pela complexidade médica e por serem pouco exploradas, como a relação entre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico (tipo de derrame causado pelo entupimento da artéria do cérebro) e a Doença de Chagas, além da Trombose Venosa Cerebral (TVC), considerada uma doença rara.
A pesquisa sobre Chagas investiga a eficácia dos anticoagulantes diretos orais quando comparados ao medicamento padrão, varfarina, nos pacientes que sofreram AVC isquêmico associado à infecção. O estudo avalia a recorrência do AVC e os desfechos funcionais dos pacientes. Já a pesquisa sobre Trombose Venosa Cerebral busca compreender melhor a epidemiologia da doença no Brasil, reunindo dados de pacientes diagnosticados desde 1995, acompanhados no ambulatório de referência do HUPAA-Ufal.
Letícia explicou que a Doença de Chagas ainda é negligenciada e endêmica no Nordeste e a Trombose Venosa Cerebral é rara. “Por isso, precisamos participar de estudos multicêntricos, com um número maior de pacientes. Assim, ajudamos a melhorar o entendimento e o tratamento das doenças, proporcionando novas esperanças e soluções para esses pacientes afetados”, finalizou.
Impacto para toda a sociedade
Em um ambiente onde ensino, pesquisa e assistência caminham juntos, o trabalho das pesquisadoras reafirma a importância de incentivar meninas e mulheres a ocuparem espaços na ciência. Para a chefe da Unidade de Pesquisa do HUPAA, Simone Barros, o sentimento é de orgulho e dever cumprido.
“Aqui no HUPAA, nós superamos a média mundial de mulheres pesquisadoras, subvertemos a lógica da exclusão e provamos que a liderança feminina na ciência é o que impulsiona um SUS mais inovador, justo e humano. É através da estrutura da saúde pública que transformamos a pesquisa clínica em impacto social direto”, declarou.
Sobre a data
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é celebrado em 11 de fevereiro, instituído pela ONU e UNESCO em 2015, para promover o acesso e a participação plena de mulheres na ciência. A data visa combater a desigualdade de gênero nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), onde mulheres representam apenas 33,3% dos pesquisadores globalmente.
Sobre a Ebserh
O HUPAA-Ufal faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Suzana Gonçalves
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh