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HUOL-UFRN 112 ANOS
Médico que criou diferentes serviços da instituição compartilha suas lembranças
Neste mês, o Hospital Universitário Onofre Lopes, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte e à Rede Hospitalar Ebserh (Huol-UFRN/Ebserh), celebra 112 anos. Em razão da data, profissionais que atuaram e atuam na instituição resolveram compartilhar suas experiências no exercício do dever. As entrevistas marcam o 112° aniversário do hospital inaugurado no dia 9 de setembro de 1909.
O terceiro entrevistado é o médico e professor Fernando Freire Lisboa, que segue atuando no Departamento de Cirurgia da UFRN e na assistência cirúrgica e ambulatorial do Huol.
1. O Huol está completando 112 anos de referência para a saúde do RN. Qual é o seu sentimento por ter feito parte dessa construção?
Fernando Freire Lisboa – “Sinto-me honrado de trabalhar no Huol há exatos 50 anos: desde 1971, quando entrei na Faculdade de Medicina, até hoje!
Minha vida profissional foi construída quase inteiramente no hospital. Nesse período, criei vários serviços importantes, como o de Nutrição Parenteral, inédito no Nordeste, em 1982, além da primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Também realizei vários procedimentos cirúrgicos pioneiros no Huol. Foram vivências muito importantes!
Outro fato que me orgulha bastante é acompanhar a formação de vários profissionais da cidade, pois fui coordenador da residência durante oito anos e também dos doutorandos. Assim, quase a metade dos cirurgiões de Natal passou por mim – missão que continua, pois mesmo já tendo tempo para aposentar, sigo trabalhando e operando.”
2. A história do Huol é marcada pela atuação dos seus colaboradores. Qual é a lembrança/história que mais marcou na sua vivência no Huol?
Fernando Freire Lisboa – “Me marcou muito a vivência ainda na faculdade de Medicina, mais especificamente na Anatomia. Fiquei impressionado com a organização, pois o serviço de anatomia era muito estruturado, desde as peças que eram dissecadas até a condução dos alunos e provas.
O início profissional no Huol também foi marcante: apesar de ser cirurgião, a primeira clínica médica foi na Hematologia, então chefiada por Linete Rocha, também diretora do Banco de Sangue. Na época, Wilson Cleto estava recém chegado da residência. Me ofereci a Wilson para fazer estágio na disciplina e trabalhei aproximadamente um ano na área, em que ainda publiquei um trabalho.
Depois disso, fiquei muito tempo na obstetrícia, passei por maternidade e frequentei bastante a casa de parto onde hoje fica o Hospital Pediátrico Sandra Celeste. Por diversas vezes, fiz partos como único cirurgião, acompanhado por apenas uma enfermeira. Inclusive, Sandra Celeste foi minha colega de turma!
Quando comecei no Huol, ainda era Hospital Miguel Couto. Não posso deixar de falar do professor Onofre Lopes, pois tive a honra de tratá-lo até o fim. Ele teve um câncer de próstata e o acompanhei como médico. Era uma pessoa muito engraçada, alto astral. Lembro que certa vez me chamou e disse: “olha, basta deixar minha cabeça e pode fazer tudo que quiser do pescoço pra baixo”. Entre tantas histórias, essas são algumas das mais marcantes!”
Quer fazer parte desta série de entrevistas? Conte sua história no Huol: encaminhe e-mail para comunicacao.huol@ebserh.gov.br