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SAÚDE PÚBLICA
Mesmo com redução de casos, leptospirose exige vigilância durante o período chuvoso
Natal (RN) - Com a intensificação das chuvas em diferentes regiões do país, cresce a preocupação com a leptospirose, doença infecciosa grave causada pela bactéria Leptospira. No Rio Grande do Norte, dados da vigilância epidemiológica mostram que, em 2024, foram confirmados 50 casos da doença, enquanto, em 2025, o número caiu para 24 registros, representando uma redução de 52% no comparativo. Apesar da diminuição, especialistas alertam que a leptospirose segue como risco e exige atenção das autoridades de saúde e da população.
A infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN/Ebserh), Gisele Borba, explica que a transmissão está diretamente relacionada ao contato com a urina de ratos, especialmente em áreas alagadas. Segundo a especialista, a infecção pode ocorrer tanto pelo contato direto com secreções deixadas por roedores quanto ao entrar em águas empossadas contaminadas.
“A leptospirose é transmitida pela urina de rato. Quando a pessoa entra em contato com alagamentos ou limpa locais com a presença de urina de roedores, a bactéria pode penetrar pela pele, mesmo sem feridas aparentes”, explica.
Embora muitas pessoas associem a leptospirose ao verão, a infectologista esclarece que a ocorrência da doença depende do regime de chuvas de cada região. “Aqui em Natal, o verão é caracteristicamente seco. Por isso, a leptospirose é mais frequente no inverno, quando há mais alagamentos. Já no Sudeste, onde o verão é chuvoso, os casos aumentam nesse período”, destaca.
Sintomas podem ser confundidos com dengue
Os sintomas iniciais da leptospirose são semelhantes aos de outras doenças comuns em períodos chuvosos, como a dengue. Febre, dor de cabeça, dor no corpo e dor atrás dos olhos estão entre as manifestações mais frequentes. Um sinal que pode auxiliar na suspeita clínica é a dor intensa nas panturrilhas, embora ela não esteja presente em todos os casos.
“Na fase inicial, realmente é muito parecido com dengue. Por isso, apenas a avaliação médica, associada a exames laboratoriais, consegue diferenciar as doenças”, ressalta Gisele Borba.
Diagnóstico e tratamento precoces evitam complicações
A infectologista alerta que a leptospirose não deve ser negligenciada. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para complicações graves, como hemorragias, insuficiência renal, necessidade de diálise e internação em unidade de terapia intensiva (UTI).
“É importante não guardar doença em casa. Quanto mais precoce o tratamento, maiores são as chances de evitar complicações”, reforça. Nos casos leves a moderados, o tratamento pode ser feito com antibiótico por via oral, sem necessidade de internação. Já nos quadros mais graves, com comprometimento de órgãos, o paciente precisa ser internado e receber medicação endovenosa.
Prevenção e grupos mais vulneráveis
Evitar o contato com água de alagamento é a principal medida de prevenção. Quando isso não é possível, o uso de equipamentos de proteção, como botas impermeáveis, é fundamental. A infectologista também chama atenção para situações inevitáveis de exposição e lembra que, em alguns casos, é possível realizar medicação preventiva após o contato de risco.
Os sintomas costumam surgir até duas semanas após a exposição. “Se a pessoa teve contato com água alagada ou com excrementos de ratos e começa a apresentar febre persistente, dor no corpo e dor de cabeça intensa, é fundamental procurar atendimento médico e informar esse contato”, orienta.
Entre os grupos mais suscetíveis estão trabalhadores rurais, profissionais de saneamento básico e pessoas que entram em contato frequente com águas contaminadas sem proteção adequada. Crianças pequenas e idosos também merecem atenção especial, pois podem desenvolver quadros mais graves. “É muito importante evitar que crianças brinquem em água de alagamento, por mais comum que isso pareça”, alerta a especialista.
Sobre a Ebserh
O Huol-UFRN faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Aline Freitas, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadora de Comunicação Social da Ebserh