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Janeiro Roxo
Campanha sobre hanseníase reforça o papel do Huol-UFRN/Ebserh no diagnóstico, tratamento e combate ao estigma
Natal (RN) - O Janeiro Roxo é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a hanseníase, doença infecciosa crônica que ainda representa um importante desafio para a saúde pública no Brasil. A iniciativa busca informar a população sobre os sinais e sintomas da enfermidade, estimular o diagnóstico precoce, combater o preconceito e reforçar que a hanseníase tem tratamento gratuito e cura pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), destaca a relevância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do enfrentamento ao estigma associado à condição. De acordo com a médica dermatologista do Huol, Emanuela Menezes, a hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae. “O Brasil tem uma alta prevalência de hanseníase, sendo o segundo país com mais casos no mundo, perdendo apenas para a Índia, com cerca de 30 mil novos registros”, comenta.
A importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce é fundamental para interromper a transmissão da hanseníase e evitar incapacidades físicas. Entre os principais sinais de alerta estão manchas claras ou avermelhadas na pele, com alteração ou perda de sensibilidade, dormência em mãos e pés, queda de pelos e surgimento de caroços pelo corpo.
“A hanseníase pode causar diversas incapacidades. O diagnóstico precoce é essencial para evitar que o acometimento dos nervos evolua para sequelas permanentes, como deformidades nas mãos, perda de força nas mãos e/ou pés, dificuldades para caminhar ou cegueira. Quanto antes diagnosticarmos e tratarmos, menor o risco de o paciente desenvolver incapacidades físicas”, afirma a médica.
Em estágios mais avançados da doença, podem ocorrer comprometimento dos nervos periféricos, perda de força muscular e deformidades, o que reforça a importância de procurar atendimento médico diante de qualquer suspeita.
Para ampliar a conscientização sobre a hanseníase, durante este mês da campanha Janeiro Roxo será realizada uma ação de educação em saúde no Huol/Ebserh, com palestras nas salas de espera destinadas a pacientes e acompanhantes, abordando a identificação de sinais precoces.
Tratamento pelo SUS
O tratamento da hanseníase é padronizado mundialmente, financiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e oferecido gratuitamente pelo SUS. Quando iniciado de forma correta, é altamente eficaz e interrompe rapidamente a transmissão da doença.
“A mancha pode ser pequena, mas a negligência pode gerar uma sequela grande. Se você notar uma área da pele com dormência ou perda de pelos, procure o serviço de saúde. A hanseníase tem cura, e o tratamento é gratuito pelo SUS”, alerta Menezes.
O Huol/Ebserh atua como centro de referência para casos de difícil diagnóstico. Pacientes com reações hansênicas graves - complicações durante ou após o tratamento - e aqueles que necessitam de reabilitação cirúrgica ou acompanhamento especializado de nervos também são atendidos no hospital.
Educação em saúde e combate ao estigma
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a hanseníase ainda é cercada por desinformação e preconceito. O medo do diagnóstico e o estigma social continuam sendo barreiras importantes para a busca por atendimento e para a adesão ao tratamento.
Segundo Emanuela, “é preciso que a sociedade entenda que, ao iniciar o tratamento (logo na primeira dose), o paciente deixa de transmitir a doença. Não há motivo para afastamento do trabalho, da escola ou do convívio familiar. O isolamento é uma prática do passado, enquanto o acolhimento é a prática atual”, pontua.
A dermatologista também alerta que a hanseníase é uma doença comum entre familiares ou pessoas que residem no mesmo ambiente. “Se uma pessoa recebe o diagnóstico, todos que moram ou moraram com ela nos últimos cinco anos devem ser examinados”, ressalta.
Sobre a Ebserh
O Huol-UFRN faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Aline Freitas, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadora de Comunicação Social da Ebserh