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TRATAMENTO
De forma inédita pelo SUS na Paraíba, HULW realiza ablação percutânea para tratamento de câncer hepático
Menor risco cirúrgico, mais rapidez na recuperação, baixa possibilidade de complicações e ausência de cicatrizes. Esses são apenas alguns dos benefícios da ablação hepática percutânea por radiofrequência. De forma inédita, o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh) realizou o primeiro procedimento do Estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O nome é complexo, mas o procedimento minimamente invasivo traz inúmeras vantagens no tratamento de tumores malignos, quando bem indicado. No caso da operação que ocorreu na última quinta-feira (21) na Unidade de Diagnóstico por Imagem do HULW, a intervenção foi em um paciente diagnosticado com câncer primário do fígado em estágio inicial.
Em tumores pequenos, de até três centímetros de diâmetro, o método pode ser curativo. “Trata-se de procedimento minimamente invasivo por meio de uma pequena punção na pele, usando uma agulha guiada por tomografia ou ultrassonografia até o local para a destruição do tumor”, explica o radiologista intervencionista Felipe Diniz, médico voluntário do HULW, responsável pelo procedimento.
Embora o material específico utilizado na ablação percutânea por radiofrequência seja de alto custo, as despesas do procedimento têm um excelente custo benefício quanto comparadas a outras opções de tratamentos de câncer, considerando-se a eficácia, o baixo risco de complicações e a curta permanência hospitalar no pós-procedimento. O HULW ainda não realiza o procedimento de forma rotineira, sendo necessários estudos para averiguar a viabilidade da aquisição dos materiais para possivelmente, no futuro, ofertar o serviço.
“Além da ausência de incisões, gerando menor agressão ao organismo, o que permite que o paciente tenha uma recuperação mais rápida, não há necessidade de recuperação no pós-operatório em UTI, podendo o paciente ter alta hospitalar em menos de 24 horas, na maioria dos casos. No caso de tumores em estágio precoce, são elevadas as chances de cura”, disse o intervencionista.
O paciente que foi submetido à primeira ablação hepática percutânea por radiofrequência do HULW já estava sendo acompanhado no hospital. Pouco antes de entrar na sala da tomografia para o procedimento, Manoel Claudino da Silva, de 67 anos, estava tranquilo. Após o procedimento, que durou cerca de duas horas, o aposentado não vai precisar passar por radioterapia ou quimioterapia, por exemplo.
“A equipe de cirurgia do HULW-UFPB, que já acompanhava o paciente, entrou em contato comigo para avaliar o caso e, se possível, realizar o procedimento. Contactei a empresa que fornece os materiais solicitando a doação. O HULW tem uma estrutura de ponta e uma equipe de cirurgia de referência”, disse Felipe Diniz.
As ablações percutâneas são indicadas para tratamento de tumores em órgãos como fígado, pulmão, rim e até lesões ósseas. São geralmente realizadas nos casos em que a cirurgia não consegue atuar, seja pelo elevado risco cirúrgico, como em pacientes com comorbidades, ou ainda por dificuldades técnicas/anatômicas.
Como é realizada – A ablação é feita através da aplicação controlada de diferentes tipos de tecnologia que promovem resfriamento ou aquecimento através de uma agulha. A aplicação é feita de forma precisa no interior e nas margens do tumor guiada pelos diferentes métodos de imagem, o que reduz o risco de lesão em regiões não alvo. O intervencionista é o médico habilitado para utilizar esses métodos de imagem para guiar o posicionamento correto da agulha através de pequeno orifício na pele (percutâneo).
Por Jacqueline Santos - Jornalista HULW-UFPB/Ebserh