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PLASMAFÉRESE
Tratamento realizado no HU-UFS possibilitou nascimento de bebê após gravidez de altíssimo risco
Aracaju (SE) – Uma história que iniciou com um diagnóstico difícil e, quatro anos depois, trouxe um desfecho surpreendente. A paciente Kethily Lorrane Lima, hoje com 21 anos, foi diagnostica no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) em 2021. Quatro anos depois, com pouco mais de quatro meses de gestação, conforme descreve o médico hematologista Geydson Cruz, ela voltou ao Hospital Universitário para salvar a vida dela e a do bebê.
Geydson esclarece que a Púrpura Trombocitopênica Trombótica é uma doença hematológica em que ocorre a queda da contagem de plaquetas a níveis excessivamente baixos, acompanhada de anemia e de sintomas neurológicos, incluindo coma. “Também pode ocorrer sangramentos, febre, insuficiência renal. É uma doença grave e potencialmente letal, se não tratada de forma adequada e prontamente. Kethily é uma paciente que já tinha o diagnóstico de PTT e estava sob seguimento com o hematologista assistente dela. A doença, infelizmente, pode ter recaídas e, com isso, apresentar novamente todos os sintomas”, descreve.
No caso da paciente, foi a gestação o fato motivador da recidiva dos sintomas, o que levou à necessidade de nova intervenção terapêutica. Com isso foi decidido o tratamento baseado em troca plasmática (plasmaférese terapêutica) associado com imunossupressão. Ele reforça que o tratamento deve ser feito sob modalidade de internação hospitalar e acompanhado por uma equipe especializada no procedimento.
“A Unidade Transfusional é dotada de equipe capaz e treinada na realização da aférese, com isso o hospital participou ativamente por meio de seus profissionais no processo de melhora. Além disso, a capacidade técnica da equipe forneceu segurança para a realização da plasmaférese em uma gestante considerada de alto risco. Não podemos deixar de mencionar que isso ocorreu também por meio de parceria com o Hemocentro (Hemose) que forneceu o equipamento e suprimentos necessários para o sucesso terapêutico, além de apoio logístico e da equipe”, detalha Geydson.
O hematologista aproveita para ressaltar que não há uma estatística oficial em Sergipe para casos de PTT, mas proporcionalmente ao que ocorre em demais estados, não são mais do que dez casos por ano em Sergipe. “Isso demonstra a raridade e a complexidade da situação apresentada, tornando o desfecho favorável mais que uma simples evolução de caso, mas uma verdadeira vitória e superação”, destaca.
Plasmaférese
Na época da gestação, Kethily chegou a desenvolver um quadro de gravidade, precisou ficar internada na UTI, sofreu convulsões e foi feita a plasmaférese, um procedimento que remove o plasma do sangue, separando-o dos outros componentes, como hemácias e plaquetas, e, posteriormente, devolvendo esses componentes ao corpo. De acordo com a enfermeira Bruna Siqueira, que também acompanha o caso, até então o sistema público em Sergipe não realizava esse procedimento.
“Ela foi o primeiro caso de plasmaférese que a gente realizou no HU-UFS. Ela saiu da UTI, conseguiu sair do quadro de gravidade e manter a doença estabilizada. Durante os primeiros meses de gravidez, ela acabou desenvolvendo uma gripe, um resfriado, e a equipe médica acredita que foi esse resfriado que acabou desencadeando essa desestabilização da doença, deixando um número de plaquetas muito baixo, em aproximadamente 5 mil unidades, sendo que em um paciente adulto, o esperado é que esteja entre 150 e 400 mil plaquetas”, resume Bruna.
A enfermeira explica que a situação torna a gravidez de altíssimo risco, para a paciente e para o bebê, pois a Púrpura Trombocitopênica Trombótica em atividade acaba causando microinfartos na placenta da paciente. “A depender do nível de acometimento, pode ser inviável a criança sobreviver. Então ela precisava entrar com tratamento imediato. Só que pela fase gestacional, era muito restrita a possibilidade de uso de medicamento, e ela estava em um quadro de muita gravidade. A única possibilidade era o uso da plasmaférese, que foi iniciada às pressas em parceria com o Hemose, que é o banco de sangue do estado”, detalha a enfermeira.
Gravidez de alto risco
No percurso, a paciente acabou desenvolvendo um quadro de pré-eclampsia e tendo um trabalho de parto prematuro. Mesmo com a doença em plena atividade, ela não teve sangramento no pós-parto e não precisou ficar internada. O bebê, apesar de prematuro, nasceu relativamente bem, ficou em observação, recebeu alta e está saudável. Para Bruna, a atuação da equipe de enfermagem, além da equipe médica, foi fundamental para o sucesso da gestação nessas condições.
“A enfermagem participa em três momentos: no planejamento pré-plasmaférese, durante o procedimento com o médico hematologista, com sessões que duram de três a quatro horas, e no pós-operatório, monitorando os resultados dos exames, a eficácia do tratamento, vendo a necessidade de realizar mais medidas”, complementa.
A enfermeira ressalta ainda que o caso de Kethily Lorrane é muito interessante, porque é uma gestação que, em princípio, seria inviável, como a própria equipe médica colocou na admissão da paciente. “O risco de ela perder a criança era muito, muito grande. Não só o risco de perder a criança, como o risco de ter complicações para ela também, porque se o bebê morresse dentro da barriga, não teria como abrir para poder tirar, porque ela estava com um número baixíssimo de plaquetas, então a chance de ela ter um sangramento intenso era muito grande. Foi uma situação extremamente delicada, arriscada e perigosa, uma gravidez muito difícil. Ainda assim, ela conseguiu passar por esse procedimento sem apresentar nenhum tipo de intercorrência. Apesar de ir contra todas as evidências, ela teve uma gravidez surpreendente”, comemora Bruna.
Parto bem-sucedido
Em 6 de agosto de 2025 o bebê nasceu em uma maternidade pública de Sergipe especializada em gravidez de alto risco. A mãe, Kethily Lorrane Lima, que trabalha como jovem aprendiz, considera o nascimento do seu filho como um milagre. “Fui diagnosticada com a PTT em 2021, no próprio HU. Quando descobri que estava grávida, fiquei com muito medo, mas entreguei tudo nas mãos de Deus e da equipe do HU. Já com quatro meses e meio de gravidez, minhas plaquetas estavam muito baixas, precisei ser internada, pois iria fazer o tratamento do plasmaférese novamente, só que desta vez os cuidados seriam em dobro. Tudo que eles me passavam, eu perguntava se atingia o bebê, por medo de ele não resistir”, conta a paciente.
O hematologista Geydson Cruz diz que casos de sucesso são sempre uma fonte adicional de motivação para o serviço. “Nesse caso, especificamente, houve ainda a situação da gestação, que tornou o manejo mais desafiador. Tenho orgulho de fazer parte de um time dotado de habilidosos profissionais como os que estão na Unidade Transfusional”, celebra.
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreza Araújo com edição de Ludmila Wanbergna
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