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DOUTORADO
Servidora do HU defende tese sobre doença venosa crônica
A incapacidade para o trabalho devido à doença venosa crônica é um problema que afeta gravemente a seguridade social no Brasil. Essa é uma das conclusões a que chegou a tese de doutorado da médica Raissa Coelho, que é perita médica federal e servidora do Setor de Regulação e Avaliação em Saúde (SRAS) do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), unidade vinculada à Rede Ebserh. O trabalho foi apresentado no Campus da Saúde e aprovado pela banca examinadora, com o título “Tendência da incapacidade para o trabalho por doença venosa no Brasil e avaliação da deficiência em pessoas com úlceras crônicas na atenção primária à saúde”.
Raissa explica que desenvolveu dois estudos para produzir a sua tese. “Primeiramente, analisamos o banco de dados do Instituto Nacional do Seguro Social e olhamos os casos de afastamento por doença venosa crônica de 2005 a 2014. Identificamos uma carga enorme para a previdência social: são milhões de reais pagos em benefícios e milhões de dias de trabalho perdidos, num quadro que afeta principalmente as mulheres”, destaca. Num segundo momento, a servidora concentrou o seu estudo nos dados de Aracaju, por meio de informações encontradas nas Unidades Básicas de Saúde e com o apoio de equipes do programa municipal de Saúde da Família. Para a avaliação das deficiências, a pesquisadora utilizou um formulário recomendado pela Organização Mundial da Saúde, conhecido por WHODAS 2.0, o qual serviu de roteiro para as entrevistas com pacientes. “Nesse estudo transversal em Aracaju, percebemos também que a doença venosa crônica foi a principal causa de úlceras, diabetes e hipertensão”, pontua.
Dentre os números para os quais a pesquisadora chama a atenção, destaca-se o tempo de duração de úlcera nos pacientes com doença venosa crônica. “É preocupante dizer que a média levantada é de aproximadamente 134 meses, ou seja, pouco mais de 12 anos. É preciso encorajar políticas públicas voltadas à prevenção dessas incapacidades no ambiente de trabalho, além do acompanhamento correto desses pacientes no serviço de saúde por uma equipe multidisciplinar especializada”, conclui Raissa.
A chefe do SRAS, Genilde Oliveira, acredita que o trabalho desenvolvido pela servidora tem potencial para agregar valor às atividades do setor. “Além de ser uma alegria para nós, o trabalho de Raissa é um grande motivador pessoal. O colaborador que consegue o êxito de defender uma tese de doutorado com o apoio da gestão se sente mais motivado e acolhido”, garante.
A superintendente do HU-UFS, Angela Silva, quem presidiu a banca examinadora, comentou que levou os resultados da pesquisa para a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, com o intuito de mostrar que a rede do Sistema Único de Saúde precisa acolher a população acometida por úlceras da doença venosa crônica.
Sobre a doença venosa crônica
A doença venosa crônica, também conhecida por insuficiência venosa crônica, é uma enfermidade na qual as veias têm problemas para retornar o sangue das pernas ao coração. Normalmente, as válvulas das veias profundas da perna mantêm o sangue fluindo de volta ao coração; quando alguém apresenta a insuficiência venosa por muito tempo, as paredes das veias ficam debilitadas e as válvulas são danificadas.
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.
Por Luís Fernando Lourenço