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JANEIRO BRANCO
Saúde Mental dos Trabalhadores em Saúde
Profissionais que atuam na saúde enfrentam desafios múltiplos no cotidiano das suas atribuições. Uma característica em comum é a necessidade de atenção na execução das tarefas.
Precisão cirúrgica, posologia correta, aplicação segura de medicamentos. A exatidão é uma exigência. Acrescido a riscos ocupacionais e uma multiplicidade de vínculos de trabalho, o esgotamento e uma realidade próxima e possui termo próprio: o burnout. O acúmulo dessas características gera apatia, raiva, doenças psicossomáticas, sintomas hipocondríacos e ansiedade/depressão.
No mês de referência à saúde mental, por meio do janeiro branco, o evento Saúde Mental dos Trabalhadores da Saúde busca trazer ao debate a necessidade de cuidar da saúde de quem reestabelece a saúde de tantas pessoas. Uma iniciativa do HU-UFS/Ebserh, com a articulação da psicologia, farmácia, nutrição e residência multiprofissional.
O diálogo promovido pelos facilitadores permeou temas-chave como transtornos e sofrimentos psíquico, dados epidemiológicos, situações estressoras e impactos da comunicação intra e interpessoal. A autora do livro “Pensando sobre o cotidiano dos serviços de saúde - a experiência do ambulatório de pediatria do HU da UFS”, Deise Fernanda trouxe o conceito acadêmico sobre saúde mental e como pensar essa saúde nos trabalhadores. Sua abordagem pontuou os principais fatores estressores que contribuem para o adoecimento relacionado ao trabalho.
Atuante como psicóloga hospitalar da Ebserh, lotada no Hospital Universitário em Lagarto (HUL-UFS), Denise explica que a saúde do trabalhador em ambiente hospitalar requer o autocuidado, cuidado com as relações de trabalho e cuidados institucionais. “Questões em que, por exemplo, o psicólogo organizacional pode contribuir para sinalizar situações e trabalhar com estratégias, propor intervenções relacionadas, aprimorar processos de trabalho e pensar a articulação entre setores como estratégia pra aproximar”, explica.
O professor Divaldo Lyra Jr., farmacêutico e tutor da residência em saúde do adulto e do idoso do HU-UFS/Ebserh, analisou por meio dos erros na administração de medicamentos os problemas de saúde e custos ao sistema causados pela comunicação ineficiente. Para Divaldo, “de todos os fatores, o mais difícil de resolver, porque ele é muito associado à base humanística, e isso é complexo por natureza. Então a gente trabalhou com questão intrapessoal, associada ao autoconhecimento, ter noção das suas limitações e da forma como ele pode interceder em prol da saúde dos pacientes e, principalmente, na questão da relação humana [interpessoal] entre os profissionais, porque o hospital é um lugar muito disruptivo”.
Nesse contexto, a capacitação é o caminho mais efetivo para desempenhar uma comunicação coesa. Estabelecer estratégias de ensino e a necessidade de uma formação simulada anterior são propostas trazidas pelo farmacêutico: “Para errar quando se pode errar e estar pronto para trabalhar de maneira mais correta e segura, principalmente quando envolve o paciente.”
Experiência em debate
A mesa redonda “Estratégias para promoção de saúde mental do trabalhador da saúde - cultura organizacional, recursos de enfrentamento e experiências”, composta após a participação dos palestrantes-convidados, teve como subsídio ao debate os temas recém apresentados para aproximar os participantes à realidade e compartilhar estratégias de enfrentamento do adoecimento psíquico. Psicólogos especialistas atuantes em ambientes hospitalares diversos trouxeram suas perspectivas de trabalho sobre o tema: Aline Menezes (HU-UFS) Elder Magno (CEREST/SE) Tereza Cecília (RH/HU-UFS) e Fernanda Camargo (Rede Primavera), a integrante que tem formação em farmácia e trouxe suas experiências sobre o tema.
Educação permanente em saúde no HU-UFS/Ebserh
O momento final do evento foi dedicado à produção científica dos profissionais em formação que desempenharam atividades práticas sob supervisão no ano de 2024. A apresentação do relatório de gestão ocorre, ao menos, quatro vezes ao ano. Os residentes trazem dados quantitativos sobre as atividades multiprofissionais organizadas em três modalidades:
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Assistência (admissão multiprofissional, discussão de casos clínicos e elaboração de projetos terapêuticos);
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Gestão (indicadores de qualidade do trabalho realizado);
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Produções científicas e demais ações multiprofissionais desenvolvidas ao longo do ano.
O objetivo é avaliar a qualidade do programa, identificar áreas de melhoria e garantir que os residentes estão recebendo a formação adequada para sua futura atuação profissional. O cenário de práticas e o evento foram idealizados pelas profissionais da Psicologia, Aline Menezes; Farmácia, Simony soares e Nutrição, Larissa Menezes.
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.