Notícias
Saúde
“Virose da mosca”: infectologista do HU-UFPI esclarece diferenças, tratamento e prevenção
Vômitos, diarreia e mal-estar gastrointestinal têm levado muitas pessoas a procurar atendimento médico com a suspeita do que popularmente é chamado de “virose da mosca”. Apesar do nome amplamente utilizado, o termo não existe do ponto de vista médico e pode gerar confusão sobre a real causa do problema.
Segundo a médica infectologista Jéssica de Sousa Costa, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/Ebserh), o quadro mais comumente associado a essa expressão é a gastroenterite, uma inflamação do trato gastrointestinal que pode ser causada por vírus, bactérias ou parasitas.
“O apelido surgiu porque as moscas pousam frequentemente em lixo, fezes e ambientes contaminados, carregando micro-organismos que podem ser depositados nos alimentos. Não é a mosca que causa a doença, mas ela pode facilitar a transmissão”, explica a especialista.
As viroses gastrointestinais, segundo a infectologista, geralmente começam de forma gradual, com sintomas como mal-estar, febre baixa, náuseas, vômitos e diarreia líquida. Dor abdominal e indisposição geral também são frequentes.
“Já a intoxicação alimentar costuma ter início súbito, muitas vezes poucas horas após a ingestão de um alimento estragado ou malconservado. Os sintomas incluem vômitos intensos, dor abdominal e diarreia forte”, detalha a médica.
Ela acrescenta que, quando a causa é bacteriana, o quadro tende a ser mais grave e prolongado.
“Nesses casos, a febre costuma ser mais alta, a diarreia pode apresentar muco, pus ou sangue, e há maior comprometimento do estado geral do paciente.”
A médica ressalta que, em todos os casos, a avaliação médica é fundamental para um diagnóstico correto.
Na maioria das situações, o tratamento é simples e baseado principalmente na hidratação. A ingestão de líquidos, como água, soro caseiro ou soluções de reidratação oral, é essencial. A alimentação deve ser leve, evitando frituras, alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas. Medicamentos para controle de náuseas e vômitos podem ser utilizados, sempre com orientação médica.
“Antibióticos só devem ser usados quando há confirmação de infecção bacteriana, pois não têm efeito contra vírus e podem causar efeitos colaterais desnecessários”, alerta a infectologista.
A prevenção envolve medidas básicas de higiene, como lavar bem as mãos, especialmente antes das refeições e após o uso do banheiro; higienizar corretamente frutas e verduras; armazenar alimentos de forma adequada; evitar o consumo de comida malconservada; manter o ambiente limpo e controlar insetos, principalmente moscas.
“É importante buscar atendimento médico diante de sinais de alerta, como incapacidade de se hidratar devido a vômitos persistentes, febre alta, diarreia com sangue ou muco, diarreia que dura mais de três dias, sinais de desidratação e fraqueza intensa”, finaliza.
Crianças, gestantes e idosos merecem atenção redobrada, pois são mais vulneráveis à desidratação e às complicações.
Sobre o HU-UFPI
O HU-UFPI faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) desde novembro de 2012. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.