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CUIDADO INTEGRAL
Paciente da Clínica Médica apresenta significativa melhora após Projeto Terapêutico Singular
Dentro de um hospital muitas histórias se entrelaçam. Cada paciente traz consigo não só as características de sua patologia, mas todo um contexto de vida. O que isso influencia no tratamento? Muito! Perceber o que está em volta do paciente é fundamental para a sua recuperação. O Hospital Universitário da UFMA, vinculado a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, têm buscado oferecer uma assistência cada vez mais humanizada e integral para seus usuários.
Nesta perspectiva, a equipe multiprofissional da Unidade de Clínica Médica, coordenada pela doutora Franciele Ribeiro com a liderança de enfermagem de Adailton Roland, iniciou neste ano a implantação do Projeto Terapêutico Singular, que vinha sendo discutido e organizado desde 2016, com o apoio da Divisão de Gestão do Cuidado.
Por meio do projeto é possível planejar o cuidado dos pacientes com necessidades assistenciais complexas. O planejamento começa com as visitas beira- leito, seguidas de reunião de equipe, discussões, elaboração e revisão desses projetos de forma regular e periodicidade previamente definida.
Uma das primeiras a passar por essa experiência foi a estudante Risoneide Miranda, 14, natural de Carutapera, 570 km de São Luís, internada há quatro meses devido a uma doença autoimune chamada pênfigo foliáceo. Trata-se de uma doença bolhosa, em geral benigna, caracterizada por grandes rupturas na epiderme que causam erosões na pele. É a terceira internação da paciente, que recebeu o diagnóstico em 2015. Logo no início, a tristeza lhe acompanhava todos os dias. “Assim que cheguei aqui tinha muita vergonha e não queria falar com ninguém. Foi muito difícil porque me sentia sem apoio, por estar longe de casa e da minha família”.
Risoneide e a sua mãe Rossirene Miranda, vivenciavam, inicialmente, dificuldades de abordagem. Não conseguiam se comunicar de forma satisfatória com a equipe multiprofissional, devido ao afastamento de seu ambiente familiar, o que lhe tirou as vivências religiosas, escolares e o convívio com seus irmãos. Tudo isso associado a um diagnóstico dermatológico autoimune. Era uma confusão de sentimentos e situações, que a equipe precisou perceber para buscar um tratamento integralizado.
O líder de enfermagem, Adailton Roland, destaca a importância da elaboração desse projeto focado nas necessidades de cada paciente. “O Projeto Terapêutico Singular tem sido para a equipe uma ferramenta de cuidado que minimiza falhas de comunicação, orienta as intervenções de forma alinhada, possibilita um cuidado voltado para as reais necessidades do usuário e sua família, mesmo num contexto de dificuldades, sejam elas institucionais, dentro da equipe ou mesmo da família”.
Prestes a ter alta, a estudante destaca como sua rotina no hospital mudou. “Eu sinto que a equipe se preocupa comigo, está sempre do meu lado quando preciso, conversa, me orienta, eu me sinto mais calma, pois consigo acompanhar e compreender tudo que estão fazendo comigo e isso é muito bom. Aqui também aprendi a enxergar umas aptidões que sem a orientação deles eu não teria conseguido. Como hobby faço muitos trabalhos manuais e deixo meu leito enfeitado do jeitinho que gosto”, afirma, sorridente.
Roland destaca que dentre as intervenções terapêuticas utilizadas a equipe decidiu pelas atividades da terapia ocupacional e da psicologia para buscar maior socialização da paciente. “Após o período inicial de sua internação, atualmente ela vivencia um quadro clínico estável, aceita melhor o fato de precisar ficar internada, mostra-se bastante comunicativa e encontrou na atividade do desenho seu principal prazer”.
Para Rossirene Miranda essa internação da filha está sendo bem diferente. “Já tive em outros lugares para fazer o tratamento dela, mas aqui eu vejo que a equipe tem muito carinho com a gente, tem um cuidado especial e está sempre pronta para ajudar. E eu falo isso de toda a equipe mesmo”, pontua.
Por Danielle Morais