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PARA FAZER HISTÓRIA
Serviço de Transplante de Medula Óssea do HUWC ultrapassa a marca dos 700 transplantes
Fortaleza, 30 de dezembro de 2022 – Na reta final de 2022, o Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, alcança uma marca histórica: ultrapassa os 700 procedimentos realizados. Os transplantes de números 700, 701 e 702 ocorreram ontem e hoje, 29 e 30 de dezembro. Desde setembro de 2008, o HUWC realiza transplantes de medula óssea em parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).
Camila Vivian Gomes Rodrigues, de 39 anos, descobriu o linfoma de células T no ano passado, depois de muitas idas e vindas a médicos e sem um diagnóstico conclusivo. Ela realizou um sonho ao ser submetida ao 700º transplante de medula óssea (TMO) no Hospital Universitário. “Não vejo a hora de voltar para os braços da minha família”, já faz planos.
É para transformar a vida de pessoas como Camila Vivian que o hematologista e chefe do Serviço de Transplante de Medula Óssea do HUWC, Fernando Barroso, e toda a equipe multiprofissional que está ao lado dele no Hospital Universitário e no Hemoce lutam e defendem o trabalho feito no Ceará.
“Evoluímos em termos de complexidade e resultados, que são excelentes e comparáveis aos dos melhores centros do Brasil e do mundo, considerando serviços públicos e privados. As pessoas têm dificuldade de saírem de suas cidades para lugares distantes, como o Sudeste do Brasil, com características socioeconômicas e culturais tão diferentes. Ter a opção na nossa cidade transforma a vida das pessoas”, pontua o especialista.
No caso de Márcio Antônio de Almeida Martins, de 54 anos, a transformação trouxe esperança de dias melhores. “Conseguir fazer o transplante já no fim do ano é uma mistura de sentimentos. A minha doença, que é o mieloma múltiplo, não tem cura, mas eu posso entrar em remissão com o transplante. Ter uma vida normal e longeva”, espera ao mesmo tempo em que agradece a equipe de profissionais envolvida na realização dessa grande conquista.
Gratidão que é reforçada pelo Dr. Fernando Barroso. “Quero agradecer a dedicação e a parceria de todos os colegas do HUWC e do Hemoce direta e indiretamente envolvidos na realização dos 702 transplantes de medula óssea. É um trabalho a muitas mãos”, reforça o médico a caminho da realização do último TMO de 2022, na manhã desta sexta-feira, dia 30 de dezembro.
Como é feito o transplante de medula óssea
A coleta da medula óssea para o transplante é feita no Hemoce por meio de uma máquina de aférese. O aparelho retira, pela veia do braço, somente a parte do sangue necessária (as células da medula óssea) e devolve os outros componentes sanguíneos para o organismo do paciente. Após a coleta da medula, o transplante é realizado pela equipe do Hospital Universitário Walter Cantídio. São cerca de 40 profissionais de saúde envolvidos no procedimento.
Fernando Barroso explica que o trabalho em equipe é essencial para o sucesso do transplante. “Nossos esforços em conjunto, tanto da equipe de transplante do HUWC como dos colegas do Hemoce, têm sido fundamentais para alcançar os resultados que estamos conquistando”, diz. Ainda de acordo com o especialista, no último levantamento feito pelo Serviço, 95,3% dos pacientes que realizaram transplante de medula óssea autólogo obtiveram sucesso. “Tivemos, ainda, 83% dos pacientes com leucemia mieloide aguda e 71% dos pacientes com leucemia linfoide aguda vivos numa curva de sobrevida de dois anos”, acrescenta Barroso.
O HUWC, em parceria com o Hemoce, realiza quatro tipos de transplante: autólogo, alogênico aparentado, alogênico não aparentado e haploidêntico. O transplante autólogo é quando acontece o autotransplante, ou seja, o paciente doa para ele mesmo. No transplante alogênico aparentado, são utilizadas as células de parente do paciente; no não aparentado, a medula óssea vem de um doador de banco nacional ou internacional. No haploidêntico, o transplante acontece com a medula de parente de primeiro grau, como pai ou irmão do paciente, em que há apenas metade da compatibilidade.
Confira, abaixo, a distribuição em números por tipo de transplante realizado pelo HUWC em parceria com o Hemoce:
|
ANO |
AUTÓLOGO |
ALOGÊNICO APARENTADO |
ALOGÊNICO NÃO APARENTADO |
HAPLOIDÊNTICO |
TOTAL |
|
2008 |
2 |
2 |
|||
|
2009 |
7 |
7 |
|||
|
2010 |
14 |
14 |
|||
|
2011 |
17 |
17 |
|||
|
2012 |
27 |
27 |
|||
|
2013 |
44 |
44 |
|||
|
2014 |
48 |
4 |
52 |
||
|
2015 |
51 |
12 |
63 |
||
|
2016 |
37 |
24 |
5 |
1 |
67 |
|
2017 |
42 |
18 |
6 |
1 |
67 |
|
2018 |
43 |
20 |
4 |
5 |
72 |
|
2019 |
48 |
18 |
6 |
4 |
76 |
|
2020 |
41 |
11 |
1 |
5 |
58 |
|
2021 |
38 |
18 |
4 |
8 |
68 |
|
2022 |
41 |
12 |
10 |
5 |
68 |
|
|
500 |
137 |
36 |
29 |
702 |
Novidade
Barroso adianta uma novidade para 2023: introdução da terapia genética conhecida como Car-T Cell. É uma sigla em inglês que quer dizer receptor de antígeno quimérico de células T. Por meio de um projeto de pesquisa capitaneado pelo hematologista, o Estado adquiriu um equipamento chamado Progidy, que já está sendo instalado no Hemoce. “Para uma fácil compreensão, coletamos o linfócito do doente. Esse linfócito é submetido à inserção de um vetor viral nesse equipamento. Passados de 10 a 14 dias, essa célula modificada é devolvida ao paciente para matar a célula cancerígena, como se fosse um transplante. A diferença é que, no transplante, você infunde célula-tronco. Já com o equipamento, é feito uma modificação no leucócito com um vetor viral. É um tipo de terapia genética”, explica o especialista.
A indicação dessa terapia genética é para pacientes que não respondem a tratamento com drogas nem transplante. É uma terapêutica que só está disponível via Sistema Único de Saúde (SUS), na América Latina, em São Paulo e, em breve, aqui em Fortaleza. Fora isso, apenas via indústria, a custos inacessíveis à maioria dos pacientes. Os esforços são no sentido de que o primeiro procedimento possa ser realizado em 2023, com o HUWC fazendo a parte clínica e o Hemoce, a coleta.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Walter Cantídio e a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, fazem parte da Rede Hospitalar Ebserh desde novembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Os hospitais universitários são, por sua natureza educacional, campos de formação de profissionais de saúde. A Rede Hospitalar Ebserh não é responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país, apenas atua de forma complementar ao SUS.
SERVIÇO:
Acesso ao Ambulatório de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HUWC
Os pacientes já atendidos pelo Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh que tenham indicação para o transplante são encaminhados ao Ambulatório de TMO do HUWC, localizado nas dependências do Hemoce. Para as pessoas que desejem a primeira consulta e são de Fortaleza ou Região Metropolitana, é necessário realizar a marcação presencialmente com ficha médica de encaminhamento. Se a pessoa residir em cidades do interior do Ceará ou morar em outro Estado, o agendamento é feito via e-mail (tmo.huwc@gmail.com), anexando a guia de encaminhamento.
Jornalista responsável: Ludmila Wanbergna (MTB 1809/CE)
Unidade de Comunicação Social
Complexo Hospitalar da UFC
Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
ucs.ch-ufc@ebserh.gov.br | (85) 3366-8183