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Presidente da Frente Parlamentar da Endometriose visita Maternidade da Ebserh em Fortaleza
A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC), vinculada à Ebserh, recebeu, na última sexta-feira (8), a visita da deputada federal Dayany Bittencourt, presidente da Frente Parlamentar da Endometriose. Ela veio acompanhada de assessoras e da consultora da Comissão Especial sobre Violência Obstétrica e Morte Materna, Mônica Rubistein. Um dos objetivos do encontro foi pensar uma legislação que favoreça as mulheres com endometriose. Na MEAC, existe uma linha de cuidado e oferta de cirurgias para essa condição desde 2014.
Durante a visita, a superintendente do Complexo Hospitalar, Josenília Gomes, o gerente de Atenção à Saúde da MEAC, Edson Lucena, e a chefe da Divisão de Enfermagem da Maternidade, Simone Meireles, apresentaram os serviços, resultados e desafios da instituição. A comitiva circulou pela Maternidade e conheceu setores como a UTI neonatal, a Emergência, o Alojamento Conjunto, as enfermarias ginecológicas e o Centro de Parto Humanizado.
Os gestores elencaram algumas das boas práticas relacionadas à gestação, parto e pós-parto. Lucena relatou que a MEAC responde por 45% da assistência à gestação de alto risco do Ceará. Por isso, a linha de cuidado no pré-natal a essas gestantes adotou a consulta com multiespecialistas. “Em uma mesma vinda para consulta, a grávida é avaliada pelo obstetra e por outros profissionais de que ela precise, geralmente endocrinologista, cardiologista, infectologista, médico fetal... temos todas as especialidades de maior volume à disposição”, disse.
Também foram descritos o método canguru e a oferta da contracepção de longa duração no pós-parto imediato. Desde 2007, quando foi implementado o Centro de Parto Humanizado, a MEAC tem um atendimento diferenciado, que beneficia as pacientes e bebês, e forma melhor os futuros profissionais da Saúde, quebrando tabus. “No plano de parto, a gestante informa suas preferências, inclusive, sobre o uso ou não de analgesia. Há, pelo menos, 16 anos, os formandos aqui têm essa capacitação com boas práticas”, afirmou Simone Meireles.
Lucena elencou, por exemplo, a abolição de práticas como a depilação completa, o jejum e a lavagem intestinal pré-parto. Também ressaltou 0% de episiotomia e a livre escolha do acompanhante pela mãe na hora do parto, bem como em que posição ela prefere parir, e o incentivo à manutenção do cordão umbilical por de 1 a 3 minutos após o parto, ao contato pele a pele entre a mãe e o bebê e à amamentação. No Centro de Parto, a comitiva presenciou duas mulheres recebendo analgesia de excelência, dentro das mais recomendadas condutas de parto.
Pioneirismo
A Maternidade Escola fundou, há 35 anos, o primeiro Ambulatório do Adolescente no Brasil. O trabalho interdisciplinar de atendimento e orientação aos adolescentes sobre planejamento familiar envolve a prevenção de gravidez não desejada, a assistência pré-natal, o parto e a assistência que os adolescentes precisam. “Vinte por cento das mulheres que têm filhos aqui têm menos de 20 anos de idade. Cerca de 90 adolescentes por mês. Gostaríamos de oportunizar a todas os LARCS (métodos contraceptivos de longa duração) para que possam ter as próximas gestações planejadas”, disse Lucena à deputada, ressaltando que, com mais insumos, mais jovens seriam beneficiadas.
O Superando Barreiras, serviço de atendimento à mulher vítima da violência sexual, também foi mencionado. Ele garante rastreamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), interrupção legal da gestação, apoio psicológico e exame ginecológico em ambiente privativo. O programa inspirou outras iniciativas no Ceará, formando uma rede de apoio integrado às vítimas de violência sexual.
Com relação à saúde ginecológica, além da atenção à endometriose, a MEAC tem as cirurgias para combater incontinência urinária e prolapso uterino. As visitantes ficaram muito impressionadas também com a técnica de uso da pele de tilápia para reconstrução vaginal, um estudo pioneiro mundialmente, que nasceu na MEAC e já está sendo replicado em vários estados e países.
A consultora da Comissão Especial sobre Violência Obstétrica e Morte Materna, Mônica Rubistein, foi informada que o número de óbitos maternos na MEAC caiu de 12 em 2019 para 2 em 2022. O gerente de Atenção à Saúde atribuiu o resultado à educação continuada da equipe com esse propósito.
Única maternidade pública no Ceará que realiza cirurgia intrauterina, a MEAC tem cerca de 200 leitos e está sempre na vanguarda em ensino, pesquisa, inovação e assistência. A deputada ficou bem impressionada com o que conheceu da Maternidade e sinalizou positivamente para um apoio. “Estou encantada com o que vimos aqui hoje. Vocês fazem um trabalho excelente, o atendimento é perfeito, se a estrutura fosse maior, a qualidade de trabalho seria 1.000%, porque hoje já é 100%, vocês estão de parabéns”.
Revelando que também tem endometriose, Dayany Bittencourt comentou que esta ainda é uma doença pouco conhecida, que muitas mulheres sequer sabem que têm. “Além de eu estar levando agora a experiência que eu passei aqui, esse conhecimento para os parlamentares colegas da bancada do Ceará, vou pedir as emendas e ajudar de alguma forma esse trabalho incrível que vocês estão fazendo”, anunciou.
Para a superintendente do Complexo, o melhor dessa interação com parlamentares é aumentar a visibilidade do que a Maternidade faz. “Prestamos um serviço público para uma população extremamente vulnerável que não teria outro lugar para receber esta assistência com extrema qualidade. Momentos como este são fundamentais para pensarmos em projetos em conjunto e financiamento”, explicou.
A gestora reforçou que a MEAC “é a referência, com cirurgias feitas por videolaparoscopia, com os melhores especialistas em endometriose, uma equipe interprofissional, aqui é o lugar para investir. O poder público enxergando que a gente tem essa capacidade de fazer mais, abre muitas possibilidades que beneficiam toda a população”.
Por Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh