Notícias
MONITORAMENTO
MEAC sedia Oficina de Atenção Humanizada ao Abortamento
Aborto é um tema sempre delicado, não só para as mulheres que o sofrem, mas também para os profissionais que lhe dão assistência. Legislação, crenças, protocolos, falta de estrutura ideal na assistência são alguns dos fatores que interferem na atuação das equipes. Compartilhar esses desafios a partir de experiências e discussões é um dos objetivos da oficina realizada pelo Ministério da Saúde na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC) no dia 17 de maio, para a qual foram convidadas outras três instituições de atenção à saúde da mulher de Fortaleza.
Em 2015, foram atendidas na MEAC 673 pacientes para curetagem e foram realizados 5 abortos legais. Os números justificam o empenho contínuo pelo aperfeiçoamento das boas práticas nas quais a Maternidade Escola é um exemplo a ser seguido. A condução da oficina ficou a cargo da médica Leila Adesse, consultora do Ministério da Saúde e presidente da AADS, organização não governamental que atua com ações afirmativas de direitos em saúde pela Redução da Mortalidade Materna derivada das complicações do abortamento.
“Há um estigma às equipes que atendem abortamento e estamos aqui para compartilhar as boas práticas, mostrar o que está sendo feito de forma humanizada e legal”, explica Leila Adesse. “Queremos analisar coletivamente a matriz de monitoramento, definir um plano de ação em cada serviço, com estratégias locais para qualificação das Boas Práticas na atenção obstétrica e neonatal, intensificando as ações vinculadas à atenção humanizada ao abortamento, além de acordar prazos e responsáveis para as ações em âmbito estadual”, disse. Esta oficina está sendo desenvolvida em 17 maternidades de sete estados (Ceará, Roraima, Tocantins, Amazonas, Bahia e Minas Gerais).
Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos e assistentes sociais participaram da oficina. Como afirmou o médico Oswaldo Dias, obstetra da emergência da MEAC, um serviço desse só vai pra frente quando se tem uma equipe interdisciplinar preparada e integrada. Dr. Oswaldo foi um dos médicos a ministrar o primeiro treinamento sobre atenção ao abortamento em Fortaleza, também realizado aqui na Maternidade Escola, em 1998. Em seu depoimento, ele chamou a atenção para a importância do acolhimento adequado a essas pacientes, muitas vezes vítimas da pressão da família.
Na abertura, Dr. Carlos Augusto, gerente de Atenção à Saúde da MEAC, ressaltou o interesse e compromisso da instituição em aperfeiçoar seus conhecimentos para fazer o melhor para as pacientes “da forma mais humana e carinhosa possível”. A assessora técnica da coordenação geral de saúde das mulheres do Ministério da Saúde, Sônia Lievori, destacou que essa Maternidade é referência não só para o Ceará, mas para outros Estados, por isso, é importante que seja um espaço de ensino e aprendizagem para que os outros serviços tenham em quem mirar para fazer a diferença na vida destas mulheres.
Em seguida, a enfermeira Ineida Sales apresentou um panorama geral de como está sendo o atendimento ao abortamento na MEAC, seguida pelos representantes do Hospital da Mulher, e do Hospital Gonzaga Mota de Messejana. O Hospital Nossa Senhora da Conceição também teve profissionais presentes. A programação seguiu até as 17h30, após definição de estratégias e atribuição de responsáveis e prazos para as ações de 2016.