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SAÚDE DA MULHER
Meac realizou 104 cirurgias de endometriose em 2024
Fortaleza (CE) – A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), alcançou o marco de 104 cirurgias de endometriose em 2024. Este é o maior registro deste tipo de procedimento em instituições públicas no Ceará no ano passado e da média anual da própria Maternidade desde o início do serviço, em 2015. O CH-UFC é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A endometriose acontece pela saída do endométrio (tecido do interior do útero) durante a menstruação, não somente pelo canal vaginal, mas pela cavidade abdominal, explica Leonardo Bezerra, professor de Ginecologia da UFC e coordenador da Residência de Endoscopia Ginecológica da MEAC, podendo atingir outros órgãos, como o intestino, as trompas, a bexiga e os ovários. Os sintomas dessa condição incluem dores persistentes e incapacitantes durante o período menstrual, e a cirurgia é um caminho importante para retirar esses focos e garantir mais qualidade de vida à paciente.
O especialista destaca que a quantidade de cirurgias de endometriose realizadas ano passado demonstra o empenho da Maternidade-Escola em ofertar o tratamento adequado para a doença. “Esse número é muito significativo para todos nós que militamos nesse cuidado à saúde da mulher com endometriose, porque sabemos da grande dificuldade que existe, hoje, em fornecer adequado procedimento cirúrgico e uma linha de cuidado. A Meac se notabiliza por possuir uma equipe multidisciplinar e uma linha de cuidado efetiva para o tratamento de endometriose da dor pélvica”, enfatiza Leonardo.
Tratamento especializado para endometriose
A Meac recebe pacientes encaminhadas pela regulação da Prefeitura de Fortaleza. Conforme explica a residente de Endoscopia Ginecológica e médica do Serviço de Endometriose da Meac, Louise Martins, que tem acompanhado essas usuárias, a assistência é dedicada à saúde integral da mulher. “A cirurgia é um dos cuidados que temos aqui na Maternidade e é um dos principais serviços do estado que fornece esse procedimento, mas temos também um cuidado clínico importante onde a paciente consegue ser avaliada em sua totalidade”, esclarece Louise. Nessa atenção ambulatorial, são realizadas orientações sobre uso de medicamentos para controle da dor e do sangramento, acompanhamento nutricional, fisioterapia e planejamento reprodutivo.
A estudante de medicina Karine Oliveira, de 31 anos, foi uma das pacientes a realizar a cirurgia em 2024, no dia 17 de outubro. Ela conta que começou a sentir cólicas intensas por volta de seus 24 anos, que evoluíram para dores no reto e durante a relação sexual. Com o diagnóstico de endometriose, Karine ressalta que vivenciou inseguranças: “Vou conviver com essas dores para sempre? Para sempre vou assistir aula, trabalhar, estar em qualquer lugar e sentir essas dores tão fortes? Outra coisa que me deixa com insegurança é o medo de não conseguir engravidar porque um dos meus grandes sonhos é ser mãe”.
Em 2018, foi encaminhada para ser cuidada ambulatorialmente na Meac, recebendo tratamento medicamentoso, indicação de uso de anticoncepcional contínuo e fisioterapia. No exame de mapeamento de endometriose, foi constatada a presença de focos de endometriose na região entre a vagina e o reto, retirados no procedimento cirúrgico: “Ocorreu tudo tranquilo, fui muito bem recebida e o meu pós-cirúrgico também foi ótimo. Hoje me sinto muito bem”. Ela segue sendo cuidada na Meac e chegou a compartilhar sobre a sua cirurgia em sua rede social, tendo registrado um amplo alcance de divulgação: “As pessoas precisam saber que essa cirurgia existe pelo SUS e aqui no Ceará”.
A cirurgia para tratamento da endometriose profunda ajuda muitas mulheres e é também um campo de especialização para os profissionais em formação na Meac, segundo evidencia Leonardo Bezerra, contribuindo para expandir o acesso ao procedimento: “A Maternidade-Escola e a Universidade Federal do Ceará estão tendo o grande protagonismo de formar os profissionais especialistas em ginecologia que vão trabalhar com endometriose, que vão fazer laparoscopias e cirurgias de alta complexidade”.
Sobre a Ebserh
O CH-UFC faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh