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SAÚDE GESTACIONAL
Meac encerra III Semana de Prevenção da Morte Materna com roda de conversa sobre novo protocolo de pré-eclâmpsia
Fortaleza (CE) – A Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), encerrou, nesta sexta-feira (30), a terceira edição da Semana de Prevenção da Morte Materna com uma roda de conversa sobre o novo Protocolo de Pré-eclâmpsia, elaborado pela Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG). A atividade ocorreu no Auditório do 3º andar do Bloco Didático Ronaldo Ribeiro. Este evento concluiu a série de oficinas e treinamentos programados para a Semana, que teve início no dia 21 de maio.
Roda de conversa
O encontro iniciou com as apresentações do gerente de Atenção à Saúde da Meac, Edson Lucena, que abordou a predição e prevenção da pré-eclâmpsia; do chefe da Unidade de Apoio ao Ensino e à Pesquisa da Meac, Raimundo Homero de Carvalho, que falou sobre o diagnóstico; e da supervisora do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, Cinara Eufrásio, que explicou as formas de tratamento. Em seguida, a roda de conversa foi mediada pela chefe da Unidade de Obstetrícia, Clarisse Uchoa.
Conforme evidenciou Edson Lucena, toda a programação da Semana reafirma o compromisso institucional com a promoção da vida e a qualificação do cuidado às gestantes, especialmente na atenção às condições clínicas de maior risco. O novo protocolo apresentado por eles representa um avanço relevante na padronização da conduta assistencial.
“O novo texto da RBEHG incorpora evidências recentes, propondo uma abordagem mais precoce e criteriosa para o rastreamento e o manejo da pré-eclâmpsia. Entre as principais recomendações, destacam-se: o uso de aspirina em baixa dose e cálcio para pacientes com risco elevado e o reforço da vigilância clínica e laboratorial em casos de doença estabelecida. Além disso, o protocolo enfatiza o uso racional de recursos e a necessidade de articulação entre os níveis de atenção”, pontuou o gerente.
Segundo dados da RBEHG, a pré-eclâmpsia é a segunda causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil (depois da hemorragia pós-parto), tanto em óbitos maternos quanto em casos de prematuridade. Durante a roda de conversa, os especialistas esclareceram que a condição é caracterizada por pressão arterial elevada e presença de proteínas na urina, podendo causar inchaço, dor de cabeça, alterações na visão e complicações graves para a mãe e o bebê.
Semana de Prevenção da Morte Materna 2025
De 21 a 26 maio, cada setor da Meac promoveu oficinas sobre temas diversos relacionados à redução da mortalidade materna. Já entre os dias 27 e 29, foram realizados treinamentos práticos com foco em emergências obstétrica como pré-eclâmpsia, ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em gestantes, hemorragias pós-parto, uso do aparelho de ultrassom portátil POCUS, sepse, suturas hemostáticas e confecção de balão de tamponamento.
Segundo a ginecologista obstetra e uma das responsáveis pela Semana, Emilcy Rebouças, a escolha dos temas foi orientada pelas principais causas de morte materna no Brasil: síndromes hipertensivas, hemorragia pós-parto e infecções (sepse). “Os treinamentos giraram em torno dessas causas. Além disso, o objetivo também é o de sensibilizar as equipes para entender que nós somos atores diretos na prevenção dessas mortes e, por sermos também uma Maternidade-Escola, esses conteúdos também repercutem na formação de novos profissionais que vão propagar esse conhecimento ou que vão atuar em outros locais atendendo essas pacientes e evitando que elas tenham um alto risco de morte”, ressaltou.
Morte Materna
A morte materna é um problema de saúde pública e se refere ao óbito durante a gestação ou até 42 dias após o parto, independentemente da causa, explicou Emilcy Rebouças. Quando a morte está relacionada a complicações da gravidez, ela deve ser rigorosamente investigada para que políticas públicas possam ser desenvolvidas com base nesses dados. “Por isso é uma definição fixa, não muda de instituição para instituição ou de país, justamente porque entende-se que a sociedade precisa evitar que a mulher tenha risco de morrer pelo simples fato de ter engravidado”, reforçou a médica.
Sobre a Ebserh
O CH-UFC faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Marília Rêgo
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh