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“VOU PARIR, VOU TRANQUILA”
Emergência implanta projeto de apoio às gestantes e acompanhantes para a vivência do parto
É natural que grávidas sintam uma enorme ansiedade em relação à hora do parto, principalmente quando são mães de primeira viagem. Espontaneamente, se enchem de insegurança e dúvidas. Mas será que toda essa preocupação é realmente necessária? Conhecimento incipiente sobre questões relacionadas à gestação e ao parto e escassez de ambientes favoráveis ao diálogo e à discussão de temas relacionados a isso são comuns a muitas futuras mães. Perguntas como: Quando procurar a maternidade? Como saber se estou em trabalho de parto? Como lidar com este desconforto em casa? São algumas das que mais afligem as grávidas. Por isso, profissionais da MEAC se juntaram e criaram um projeto de capacitação voltado para as gestantes.
O projeto “ Apoio às gestantes e acompanhantes para a vivência do parto”, que tem como slogan “Vou parir, vou tranquila”, busca empoderar a mulher na gestação e no momento do nascimento. A enfermeira Ineida Sales, chefe imediata da Emergência da Maternidade-Escola, é uma das facilitadoras e coordenadora do projeto. Segundo ela, a iniciativa partiu da necessidade observada na emergência no dia-dia como profissional.
“O público-alvo são as mulheres que vão à maternidade e, sem indicação de internamento, saem um pouco inseguras, têm medo de retornar para casa, talvez porque estão sentindo alguma dor ou não aceitam muito bem as orientações que são dadas naquele momento. Às vezes, a própria família não aceita a recomendação dela voltar pra casa”, explica. O projeto está, portanto, voltado a gestantes provenientes da sala de espera , da observação da emergência, do ambulatório MF (MEAC) e das gestantes que realizam o pré natal SER III, IV, V e seus acompanhantes( aberto a todas as gestantes).
“A ideia é ampliar o conhecimento dessas mulheres e de seus acompanhantes na gestação e no parto, fomentando a discussão em grupo de como lidar com os desconfortos do trabalho de parto e o parto”, afirma a enfermeira Ineida Sales. Para a sua realização, a iniciativa conta com a participação de estudantes e residentes de Medicina e apoio de grupos de pesquisa, Liga da Ginecologia e Obstetrícia e Liga de Anestesiologia e da Dor da UFC, além de outros profissionais da área de Enfermagem, Medicina, Psicologia e Serviço Social. A ação é orientada também pela Dra. Raquel Autran Coelho, chefe do Ambulatório de Ginecologia, pela médica anestesiologista Josenília Gomes, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), e da enfermeira Priscila de Vasconcelos Monteiro da emergência da MEAC.
Wanessa Pereira da Silva, 18, mãe pela primeira vez, participou do primeiro encontro do projeto, no último dia 9 de novembro. Para ela, a experiência foi de extrema importância. “Estava numa escala de avalanche emocional, cheia de medo e dor, mas aí quando começaram a falar e mostrar como tudo acontece, até que veio um pouco de alívio e o estresse acabou diminuindo”, conta. Wanessa, que vem sendo acompanhada pela MEAC, estava grávida de 9 meses. Ela chegou no exato momento da roda de conversa. Pensava que o bebê estava chegando, pois sentia dores na barriga e nas costas. Mas não era o momento ainda. Mesmo assim, foi encaminhada para Casa da Gestante, do Bebê e da Puérpera, a fim de receber alguns cuidados até a hora certa. Maria Leticya, nasceu no dia seguinte, 10 de novembro, saudável e sem nenhuma complicação.
O projeto é realizado todas as quintas-feiras, às 10 horas da manhã, trabalhando de duas formas: uma é roda de conversa, onde se reúnem no grupo de terapias integrativas, que é um espaço para desenvolver o trabalho; e o outro momento é a assistência individual, trabalhando a ansiedade, os medos e receios. Ineida Sales reforça ainda que a ideia é fazer essa gestante retornar a sua residência mais tranquila, mais segura, e quando ela voltar para casa, saber como lidar com essa dor, mas também como lidar com a dor na própria maternidade na hora do parto. “O nascimento é um momento especial, que deve ser celebrado com alegria e tranquilidade da mãe (gestante)é fundamental”, completou.