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Pronto Atendimento Médico apresenta melhorias após readequação
Desde sua criação, em 1987, até abril de 2019 o PAM (Pronto Atendimento Médico) do Hospital Universitário “Maria Aparecida Pedrossian” - Humap-UFMS vivia em seu dia a dia um triste cenário de superlotação. Era comum se deparar com pacientes acomodados nos corredores do hospital, em macas ou cadeiras de maneira improvisadas.
Embora todos esses pacientes estivessem sendo assistidos com toda atenção e cuidado, esta acomodação estava longe de ser a ideal para um atendimento mais eficaz e humanizado.
O PAM faz parte da Rede Municipal de Atendimento à Urgência, que foi reestruturado e hoje se chama Rede de Urgência e Emergência - RUE. Essa Rede engloba todo atendimento de urgência e emergência dos estados brasileiros, sendo coordenado pelo Ministério da Saúde.
Em 2018 a situação do PAM ficou extremamente crítica, com superlotação constante, muito além da capacidade de atendimento do hospital. O ápice do agrave foi em agosto de 2018, quando o Humap-UFMS teve que fechar as portas por quatro dias, recebendo pacientes de forma bem restrita. O PAM chegou a trabalhar com uma superlotação da área verde com 65 pacientes em um lugar projetado para receber três pessoas, ou seja, uma superlotação de 2160%. Além disso, a área vermelha nos últimos tempos estava ficando com uma taxa de ocupação de praticamente 200%. Havia ininterruptamente 13 pacientes numa área concebida para ter seis fixos e um leito de estabilização. Antes da readequação, o PAM era composto por sete leitos de área amarela e um leito de vermelha de pediatria, seis leitos adultos de área vermelha, um leito adulto de estabilização, oito leitos de amarela e três leitos de verde.
Diante desta realidade, há mais de nove meses o Humap-UFMS, juntamente com o Ministério Público Federal e a Secretaria Municipal de Saúde Pública de Campo Grande, estudaram de que maneira ajustes poderiam ser realizados para que houvesse aumento das cirurgias eletivas, mantendo a capacidade de atendimento à população de Mato Grosso do Sul.
Com a readequação, o número total de leitos não foi alterado. O PAM continua com 26 leitos fazendo parte da urgência e emergência, mas mudou a concepção desses leitos.
Hoje o pronto socorro tem os mesmos leitos de pediatria, porém na área vermelha agora existem seis leitos, sendo que um deles dedicado exclusivamente à trombólise de AVC e o outro dedicado exclusivamente à Unidade de Dor Torácica. Os outros quatro leitos de área vermelha são destinados a receber pacientes em estado mais grave.
Além desses leitos de área vermelha, existem quatro leitos de unidade de internação, chamado de Unidade de AVC. Esses quatro leitos, juntos ao leito da área vermelha, compõe a unidade de AVC com o objetivo de atender os casos agudos e hiperagudos, que são os que têm até 48 horas de acontecimento.
O PAM ainda possui quatro leitos clínicos na área amarela e quatro leitos clínicos na área verde. Desta maneira continua apto a receber múltiplas patologias no pronto atendimento, cirúrgicas, clínicas, de área vermelha e pediátrica, além do atendimento de ginecologia e obstetrícia.
Atualmente o Pronto Atendimento Médico está sem nenhum paciente no corredor, tem operado com recebimento de 75% dos pacientes (mesma porcentagem que ele recebia antes da readequação), ou seja, condição que permite maior qualidade de atendimento, sem perder na quantidade de pacientes.
“O PAM continua fazendo parte da Rede de Urgência e Emergência do MS, este é o motivo pelo qual existimos e pelo qual continuamos existindo, desejamos atender o paciente de urgência e emergência, porém antes da readequação o PAM tinha virado uma área de internação do hospital. Tínhamos até 70, 80% dos pacientes que já estavam aqui há mais de três dias, atualmente esta concepção mudou. A taxa de ocupação se mantem alta porem o tempo de permanência está caindo mostrando que a mudança de gestão nas clínicas de internação, nas enfermarias de internação foi imensa e o hospital está tendo um giro de leitos maior. Com isso conseguimos aumentar o número de cirurgias eletivas que é uma necessidade da rede muito grande e é de extremo benefício para a população de MS”, afirma a chefe do Pronto Atendimento Médico, Dra. Raquel Tauro.
A readequação só foi possível graças a participação ativa da alta gestão do Humap-UFMS, da Sede da EBSERH, do Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação, da Divisão de Logística e Infraestrutura Hospitalar e das enfermarias de retaguarda (internação) dos pacientes da urgência, que trabalharam sinergicamente para que obter esta conquista.
Vale ressaltar que, antes de tudo, o Humap-UFMS é um hospital-escola e com as modificações foi possível focar ainda mais no ensino durante os processos de atendimento.
“Eu cheguei ao PAM logo após a readequação dos leitos. A maior preocupação dos colegas era em relação à redução no número de leitos e à forma como isso interferiria no nosso aprendizado. Contudo, consigo perceber nessas mudanças a melhora na qualidade do atendimento e da assistência ao paciente, e a melhora no ambiente de trabalho, mais organizado e menos estressante. Outro ponto positivo foi o aumento na rotatividade dos leitos e na resolutividade dos casos, o que também tornou-se possível após a mudança. Além disso, o fato de termos uma área dedicada a pacientes de AVC, faz do nosso serviço destaque na região, enriquecendo nosso conhecimento no manejo de casos hiperagudos e complexos”, relata Marinna da Cruz, residente de infectologia.
Do ponto de vista docente, a readequação também traz benefícios durante o processo de ensino-aprendizado, conforme afirma o Dr João Américo Domingos, professor da Famed, “acredito que o hospital universitário deve ter como pilares de funcionamento a assistência e o ensino/pesquisa. A melhoria do fluxo do PAM vem ao encontro destes pilares. Um hospital com superlotação além de ter prejuízo na assistência por falta de insumos e principalmente por falta de cuidados (assistências médica e de enfermagem) leva a comprometimento do ensino e torna impossível a pesquisa”.
A fala do Dr João Américo é endossado por outro docente Prof. Dr. Ramon Moraes Penha
Professor Adjunto, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que diz: “o Humap-UFMS é, por natureza, uma instituição de ensino. Como tal, é caracterizado por ser referência na realização de procedimentos de alta densidade tecnológica, bem como centro de formação, ensino e promoção de ações inovadoras e seguras multi e interdisciplinares. Deste modo, a readequação do PAM elevou a potencialidade da unidade para o ensino clínico seguro a partir da redistribuição da planta física e reorganização de processos de atenção às pessoas com agravos agudos na saúde. As novas perspectivas oriundas da reorganização do PAM apontam para melhor desempenho dos profissionais, residentes e alunos de graduação uma vez que prioriza atendimento mais humanizado aos usuários, especialmente pela criação de ambiente seguro, bem como otimiza o exercício de habilidades, tanto de raciocínio clinico como instrumentais, por aqueles que buscaram o Humap-UFMS como referência de formação/aprimoramento. A mudança é, sobretudo, importante para o usuário, a razão primeira do Sistema Único de Saúde. É uníssona a ideia de que cenários caóticos são indutores de ocorrência de eventos adversos. Na medida em que o cenário clínico é estável, no sentido de organização, os processos de trabalho são desencadeados com riscos mínimos, elevando a segurança do paciente, dos profissionais e dos alunos inseridos neste contexto. A capacidade de produzir conhecimento também está diretamente relacionada a configuração atual do PAM, abrindo espaços para inclusão de novas áreas e tecnologias que vêm atender às necessidades da formação profissional, como por exemplo neurologia, cuidados paliativos, entre outras. De um ponto de vista muito peculiar, a reorganização do PAM é reflexo da visão sistêmica e prioritária, por parte dos gestores, do Humap-UFMS como espaço assistencial de ensino”.
Segundo o superintendente do Humap-UFMS, Cláudio César da Silva, “ A readequação dos serviços do PAM do Humap-UFMS sempre foi sonhada, desde a década de 90. Porque a superlotação de pacientes em decorrência das deficiências e falta de leitos da Rede de Saúde gerava muito estresse e desconforto com pacientes sendo atendidos e internados em macas e cadeiras nos corredores. Essa situação, em especial para um hospital universitário, que tem por objetivo maior formar profissionais da saúde altamente especializados, era muito triste, fugia da nossa missão de ser modelo e instituição de formação. Hoje, ao vermos esse sonho transformado em realidade, graças ao planejamento e apoio das diversas equipes do Hospital, da Secretaria de Saúde do Município, Secretaria de Saúde do Estado, da Reitoria da UFMS e Ministério Público Federal, ficamos muito felizes por perceber que podemos fazer mais e melhor. Nesse mês de início da nova fase do PAM já registramos em dados uma melhoria significativa em vários indicadores, como melhoria do giro de leitos e gestão das clínicas; ampliação de cirurgias eletivas e melhores condições de ensino e aprendizagem para os professores e alunos no campo prático do hospital. Vale a pena destacar, que todas as mudanças foram feitas sem o fechamento de nenhum leito que pudesse prejudicar a população e ainda estamos implantando com muito orgulho a primeira linha de cuidado de trombólise AVC em hospital público de MS. O AVC é atualmente a segunda causa de mortes no mundo, sendo que suas sequelas causam muitos transtornos para as vítimas e suas famílias com 75% dos casos causando afastamento do trabalho e em 34% com perda grave de mobilidade. Hoje já dispomos de terapêutica desenvolvida para que essas sequelas sejam minimizadas.”