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TRIAGEM
Palestra aborda classificação de risco
Os colaboradores do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) participaram, na última segunda-feira (4), da palestra “Gestão da urgência e emergência a partir da classificação de risco”, ministrada pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR). O objetivo foi sensibilizá-los sobre a importância e a metodologia do Protocolo de Manchester, modelo de classificação adotado na Unidade de Pacientes Críticos do hospital.
De acordo com a médica e palestrante, Maria do Carmo Paixão, o Protocolo de Manchester representa um método de classificação de risco que contribui para a gestão mais eficiente na área da saúde. “É uma triagem para separar os pacientes por nível de gravidade, sendo atendido primeiro o que tem maior risco. A priorização por ordem de chegada é a forma mais perversa de classificar o atendimento”, afirma.
Segundo a médica, vários estudos comprovam a eficácia do uso do protocolo, que é usado no Brasil e na maioria dos países da Europa. A metodologia ajuda a organizar o serviço de urgência nos hospitais, pois estabelece prioridades de atendimento, uniformiza a linguagem nas instituições de saúde que trabalham em rede e aplica devidamente os recursos disponíveis.
Maria do Carmo diz, no entanto, que o Brasil ainda enfrenta dificuldades na gestão de saúde. Um deles é a grande quantidade de pacientes considerados de baixo risco nos serviços de urgência. “No mundo, em torno de 60% desses pacientes procuram pronto-socorro, quando deveriam ser atendidos em uma UPA [Unidade de Pronto Atendimento] ou unidade básica. Pesquisas indicam uma tendência de migração das pessoas dos ambulatórios para os atendimentos de urgência, mesmo em sistemas maduros de saúde, como o do Reino Unido”, conta.
Para ela, as explicações para esse cenário incluem a falta de acesso à Atenção Primária e a cultura da opção pela facilidade de um serviço que funciona 24h. A classificação de risco pelo Protocolo de Manchester aparece como parte da solução para essas questões.
“A triagem não só identifica rapidamente os doentes com risco de vida e assegura a priorização de acordo com o risco do paciente, mas ordena os fluxos dentro e fora do hospital para que seja possível oferecer soluções assistenciais no tempo necessário”, declara Maria do Carmo.
A enfermeira assessora da Divisão de Enfermagem, Daisy Mendonça, destaca a importância da participação na palestra de colaboradores de outras áreas do HUB, além da assistencial. “Há profissionais de vigilância e recepção, pessoas importantes no compartilhamento dessas informações com colegas de trabalho, especialmente com as equipes da Unidade de Pacientes Críticos”, relata.
Capacitação
A palestra é a ação inicial do planejamento para a capacitação de colaboradores sobre o protocolo. Nesta terça-feira (5), 19 enfermeiros e um médico do hospital participam de curso ofertado pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco. “O HUB é o primeiro de 22 hospitais da rede Ebserh que serão contemplados com o curso, idealizado a partir de um diagnóstico obtido no final de 2014 com os hospitais filiados à época”, informa a chefe do Serviço de Gestão do Cuidado Assistencial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Tereza Lourenço Faillace.
A chefe da Divisão de Enfermagem, Solange Baraldi, representando na palestra o superintendente, Hervaldo Sampaio Carvalho, e a gerente de Atenção à Saúde, Elizabeth Queiroz, falou sobre a expectativa do curso. “Batalhamos há mais de um ano pela realização do treinamento e para certificarmos e qualificarmos esse conhecimento dentro do HUB”, diz.
A enfermeira da quimioterapia, Maria Celeste Gonçalves Reis, é uma das colaboradoras que participará da capacitação. “A palestra foi excelente. Como a Unidade de Oncologia recebe pacientes triados pela Unidade de Pacientes Críticos, agora terei um referencial teórico para entender esse fluxograma de classificação de risco”, conta.
No dia 10 de maio, o Grupo, promotor do curso, visitará o hospital e acompanhará o trabalho dos enfermeiros na triagem de pacientes para alinhamento da teoria com a prática. Dos 20 colaboradores capacitados, seis ainda participarão do curso de formação de auditores em classificação de risco, no dia 11 de maio.