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8 de maio, Dia do Artista Plástico
Voluntários levam cor e alegria às paredes do HUB
Brasília (DF) – Comemorado anualmente em 8 de maio, o Dia do Artista Plástico celebra uma das manifestações artísticas mais antigas da humanidade: a pintura. Com o objetivo de usá-la como ferramenta de humanização, 14 artistas voluntários se dedicaram a tornar o prédio da Unidade da Criança e do Adolescente (UCA), do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh), gerenciado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), um local mais leve e colorido para as crianças, que costumam passar por longos períodos de internação.
Moisés Crivelaro, mestre em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), foi o responsável por reunir os artistas que fizeram parte do projeto, que levou sete meses e foi implementado no ano passado, com a inauguração da UCA:
“Acho que posso ser chamado de ajudador, mediador... Essas significações se dão porque, na ordem, auxiliei, intercedi, propiciei, coordenei, realizei e, acima de tudo, cuidei para que todas as etapas do trabalho pudessem ser cumpridas da melhor maneira possível e com um panorama que fosse minimamente bom – não razoável ou mediano – para todas as pessoas envolvidas”, avalia. “Esse trabalho é resultado de um esforço coletivo que caracteriza o núcleo e o propósito com a participação de diferentes setores do hospital e, é claro, as artistas e os artistas. Eu tenho sido apenas mais uma peça na engrenagem inteira da ação”, complementa o artista.
O grupo de voluntários coloriu painéis distribuídos entre o térreo, o primeiro e segundo andares, e mais três quartos de isolamento, totalizando 12 murais.
Segundo a psicóloga hospitalar da UCA, Fabiana Rosa Ribeiro, a humanização do ambiente hospitalar tem impactos positivos em pacientes, acompanhantes e funcionários, e está relacionada com a melhora de aspectos emocionais:
“As pinturas humanizaram o espaço da enfermaria pediátrica, transformando-o em um espaço mais acolhedor e menos intimidador, aproximando-o da realidade cotidiana e menos hospitalocêntrica de crianças e adolescentes internados”, ressalta. “A arte visual estimula o cérebro, trazendo sensações de prazer, distração saudável e até memória afetiva. Isso evoca em nossas crianças internadas emoções positivas, como esperança e tranquilidade, o que é essencial em momentos de fragilidade emocional”.
Para o chefe da UCA, Cid Fragoso, as mudanças entre antes e depois da presença dos painéis na unidade são perceptíveis:
“Notamos isso nos pequenos gestos, nos sorrisos mais fáceis, nas perguntas curiosas das crianças, no olhar aliviado dos pais. A arte transformou a espera em encanto e a ansiedade em conversa. As paredes agora contam histórias que distraem, confortam e criam memória afetiva. Isso faz diferença real na vivência de quem passa por aqui”, assinala. “Transformar paredes em telas é uma forma de dizer, silenciosamente, que cada criança aqui importa. A arte nas paredes da UCA não são apenas decoração, são acolhimento. Em um ambiente naturalmente carregado de incertezas, essas cores oferecem abrigo, esperança e uma linguagem universal de cuidado. Humanizar o hospital é lembrar que a saúde também passa pelos olhos e pela alma”.
Abaixo, seguem algumas das pinturas feitas na UCA, acompanhadas de uma curta apresentação dos artistas responsáveis:
Ramon Andrade | @ramonphanton

Phanton é de Luziânia - GO, estudante de artes visuais na UNB e tem como principal atuação a elaboração de murais e painéis artísticos em espaços e contextos variados, trabalho com pintura em tela, ilustração digital e customização de objetos.
Responsável pelo painel do térreo, na entrada oposta da recepção da UCA, a arte de Phanton faz alusão ao trabalho digital com cores blocadas e bem-marcadas. “Dentro do grafite, geralmente, definem como vetor. Os traços são uma mescla disso com um pouco da dureza do traço da xilogravura”, afirma o artista.
Vinicius Musgo | @musg1
Natural de Novo Gama/GO além de trabalhar com o grafite, Musgo faz ilustração digital e design. “Acompanho cursos e vídeos online com conteúdo, grande parte do meu aprendizado é através de amigos e intercâmbios no grafite”, diz.
Com um traço mais realista, formando um personagem, Vinicius Musgo, grafitou no primeiro corredor do térreo da UCA. “A ideia do trabalho foi representar o joão de barro, ave pertencente ao cerrado, com um estilo mais cartunesco e de forma que ele parecesse um menininho, por isso, ele está de boné e tênis”, detalha Musgo.
Bisa Rafaela | @bisarafaela

Autodidata, Bisa é de Luziânia – GO. Ilustra, grafita e faz crochê nas ruas - prática que leva crochê a elementos públicos provocando as mais variadas emoções. Ela ilustrou o segundo corredor do térreo da UCA.
“Pensei numa personagem feminina no estilo vetor, e fiz ela negra pela representatividade. A ideia do cerrado de cenário foi para compor com as outras obras no hospital”, conta a artista.
Ju Borgê e Renato Moll | @juborge @renatomoll

Amigos há 15 anos, os artistas, Ju e Renato hoje escrevem suas histórias de uma forma mais especial e a ligação inclui, também, o trabalho. A experiência de elaborar e executar o painel deixou o casal muito satisfeito. “Eu nasci na maternidade do HUB, estudei na UnB e existe uma conexão bem legal entre o meu trabalho e o do Renato, isso fez com que houvesse uma integração entre esses dois espaços, entre esses dois universos”, afirma Ju.
A intenção era significar essa paisagem do hospital infantil de uma forma positiva, para que as pessoas que passassem sentissem amor, carinho, aconchego. “A partir disso pensei em símbolos que transmitissem diferentes expressões, todas elas dentro desse universo positivo. O uso das cores em comum, entre mim e o Renato, foi fundamental para o painel ser bem-sucedido”, finaliza Ju Borgê.
Élli | @last.artt

Laranja e vermelho para conectar e remeter ao Cerrado, a terra; o verde e o amarelo para trazer flores e vida. “O conjunto dessas cores é quente e alegre como uma manhã de clima agradável no Cerrado, uma imagem confortável”, contextualiza Élli, que tem formação em Artes Plásticas pela UnB.
Seguindo estética minimalista e geométrica, Élli estiliza desenhos optando sempre por temáticas ambientais, principalmente o Cerrado, bioma onde o Distrito Federal está inserido. “Subtraio e geometrizo as formas, porém sempre deixo elementos familiares”, explica a artista.
Bibi | _gabibia_

Com o traço derivado do anime, chamado de chibi, a estudante de artes visuais Gabriela Costa desenhou capivaras e uma paisagem ocupando toda a extensão da parede. “Optei por traços mais lúdicos, simples, que não pesassem tanto nos olhos, por isso não tem sombreamento, e preferi usar linhas pra dar textura e volume, pensando que o local seria um quarto de isolamento para crianças e precisava ter uma atmosfera leve e tranquila”, afirma a artista.
“Já fiz muitos desenhos tradicionais bem coloridos, usando aquarela e lápis de cor, mas atualmente, como eu gosto de jogos, eu comecei a desenhar no animal crossing, que é um jogo, que tem o estilo bem parecido com o que eu tenho feito. Fui desenvolvendo meu traço a partir dos personagens desse jogo e vi nesse nicho uma oportunidade de desenvolver minha arte de uma maneira diferente”, completa Gabriela.
Thaís de Oliveira | @cisne50

Formada em artes visuais pela UnB, Thaís é professora na educação básica e trabalha com ilustração, grafite e retrato. “Foi uma imensa felicidade poder participar do projeto, deixar o ambiente estéril de um hospital mais acolhedor para as crianças”, disse.
A inspiração está na flora característica do Cerrado: o tronco retorcido, as flores típicas trazem um colorido ao ambiente e conectam com a identidade da cidade. “Para trazer um pouco mais de ludicidade, recorri à minha memória afetiva da infância na Ceilândia, aos pequenos prazeres da exploração infantil do mundo ao meu redor - brincava bastante de pipa e com origamis e estava sempre atenta às flores de ipês que caiam no chão, gostava de pisar nelas para ouvir o grande estouro que elas faziam”, acrescentou a artista.
Lau e Xlôbs | | @gaitore e @xlobs

Um dos quartos de acolhimento da UCA foi desenhado coletivamente. Foram três dias e mais a tarde e noite de um final de semana para pintar o painel. “Além da minha parceira Lau, convidei o Fábio e a Thaís, que pintaram o pé de buriti e a cobra coral, respectivamente”, afirma Xlôbs.
Ela é graduanda em artes visuais, com especialização em pinturas e trabalha com quadrinhos, zines e desenhos por encomenda, tem o estilo mais cartoon, desenho animado. “A ideia era criar criaturas baseadas em frutas do Cerrado, transformar essas frutas em bichinhos. Então eu desenhei e desenvolvi pensando em bichinhos fofinhos fundidos nesses frutos”, comenta a artista.
Formada em ciência sociais e cursando antropologia, Lau é gravurista, com eixo principal no estilo gravuras e ponta-seca em acrílico. Grafite e ilustração digital também fazem parte do seu repertório artístico. “Foi no grafite que pude conhecer muitas pessoas, fazer contatos e, realmente, conhecer o meu estilo de arte. A Xlôbs trouxe a ideia de fazer os animais de frutinhas, o cajuzinho, o jatobá e nós pensamos em preservar as cores deles, mas fazer um fundo mais imaginário - eu queria fazer algo mais simbólico, mais colorido e interativo para as crianças”, comenta Lau. “Foi uma construção coletiva todo o projeto, algumas cores a gente refez, algumas cores a gente pensou em mesclar elas, fazer texturas”, finaliza.
Eime | @eimebell

Designer gráfica e estudante de Teoria, Crítica e História da Arte na UnB, Eime cresceu entre lápis de cores, papéis e tintas, passando a integrar, na adolescência, o Altas Habilidades em Artes Visuais na escola Elefante Branco, de Brasília.
“Me identifico bastante com a arte urbana, grafite e tenho o costume de, dentro da minha estética, puxar plantas ou flores, sempre desenho essas plantinhas”, diz Eime. No painel da UCA foram feitos dois rascunhos digitais para mapeamento de cores e de pincéis, até definir os materiais.
Para a artista, fazer essa pintura na UCA foi importante pessoal e profissionalmente pelo significado, importância e sensibilidade do lugar. “Eu quis deixar fluir o Cerrado com flores rosas, que são as mimosas, a vegetação mais baixa, as moitinhas... Eu quis que tivesse uma interação direta com o espaço, que o desenho fosse se moldando nas paredes, justamente para dar essa impressão de que lá é um espaço de natureza, não queria que fosse algo blocado e, sim, algo orgânico, que fosse se juntando, digamos assim, de parede a parede”, explicou a artista.
“Incluí, ainda, as estrelinhas, cada uma com um humor, cada uma numa carinha, justamente para instigar a imaginação das crianças, para trazer ludicidade ao desenho, tipo um elemento mais interativo”, acrescenta Eime.
Paulla | @paullavieirac

Estudante de artes visuais na UnB, Paula quis representar a fauna de Brasília imersa em insetos e plantas com libélulas, flores, arranjos.