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HC-UFG recebe visita de representantes do Hospital Israelita Albert Einstein
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), recebeu na manhã desta quinta-feira, 02/08, a visita de representantes do Hospital Israelita Albert Einstein. O encontro teve o propósito de compartilhar entre as duas instituições as experiências e desafios vivenciados com o desenvolvimento do Projeto “Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil” para a adoção nos hospitais de métricas e práticas de segurança do paciente referenciadas e utilizadas por hospitais de excelência no cenário nacional, como o Hospital Albert Einstein.
A visita contou com a presença das enfermeiras do Hospital Albert Einstein, Thaís Galoppini Félix Borro e Maria Aparecida Alves Yamashita, que primeiramente se reuniram com o superintendente do HC-UFG, José Garcia Neto, e com as equipes médica e de enfermagem das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e do Serviço de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (SCIRAS) do HC-UFG. O encontro tratou do trabalho de coaching para orientação quanto às melhores práticas nos cuidados em segurança do paciente; maximização dos recursos financeiros, propondo a redução de eventuais desperdícios; e a geração de relatórios de acompanhamento dos resultados do projeto. Na ocasião, também foi reafirmado o Termo de Compromisso de Aprendizagem entre HC-UFG e Hospital Albert Einstein.
“Muitas pesquisas mostram que o ambiente hospitalar é mais perigoso que o trânsito. Uma pesquisa realizada recentemente na Austrália mostra que as bactérias estão se tornando resistentes ao álcool em gel e isso é muito preocupante. Os erros na assistência, assim como as infecções por bactérias, são danos evitáveis. Portanto, adotar medidas práticas e simples no dia-a-dia é fundamental para evitarmos esses danos, além de gerarmos uma economia de recursos para os hospitais universitários, que são públicos e passam por muitas dificuldades, pois deixarão de gastar com tratamentos caros para a cura de infecções relacionadas à assistência”, afirmou o superintendente do HC-UFG, José Garcia Neto.
A enfermeira Thaís Borro destacou a importância da mudança de conceitos e de práticas pela equipe assistencial para que haja evolução no cuidado à segurança do paciente. “É muito difícil tratarmos do assunto “eventos adversos” no ambiente em que vivemos. Portanto, falar sobre mudança é o ponto fundamental. É preciso mudarmos a forma como a gente faz, não só nos hospitais públicos, mas também nos hospitais privados, pois estamos tratando da segurança dos pacientes. Essas pessoas que estão aqui é que vão fazer a diferença na beira do leito, porque nós somos os exemplos. Nós escolhemos estar aqui e quem procura o sistema de saúde para se tratar não veio porque escolheu estar aqui, portanto precisamos dar o nosso melhor.
“Precisamos ser exemplos positivos, nos colocarmos no lugar do paciente e vermos que ele espera sair do hospital melhor do que entrou e não pior devido a um erro meu”, frisou a enfermeira Maria Aparecida Yamashita. “O envolvimento das lideranças é fundamental nesse sentido. Portanto, eu provoco vocês a visitarem as equipes que estão nas beiras dos leitos, a conhecerem, a ouvirem e a acompanharem essas equipes, pois somente a partir do nosso exemplo é que começam as mudanças”, ressaltou a enfermeira Thaís Borro.
Mudanças já realizadas e novos desafios
O encontro continuou na sala de aulas do Programa de Residência Médica em Infectologia, onde a chefe da Unidade de Reabilitação do HC-UFG, enfermeira Marlice Maria Gomes de Carvalho Ribeiro, apresentou as mudanças já realizadas nas UTIs do HC-UFG desde dezembro de 2017, quando o Hospital começou a participar do projeto. Entre as medidas já adotadas estão a higiene oral em pacientes sob ventilação mecânica, a elevação das cabeceiras das camas entre 30° a 45° de angulação, a redução da sedação e a verificação diária da possibilidade de extubação do paciente.
Segundo Marlice Ribeiro, o propósito do SCIRAS do HC-UFG com a implantação desse projeto, que tem duração de três anos, é reduzir em 50% o número de infecções relacionadas à assistência no HC-UFG até o ano de 2020. “Para isso, redesenhamos o POP de implementação da Higiene Oral em pacientes sob ventilação mecânica e criamos vídeos que mostram a técnica”, explicou.
Entre as sugestões dadas pelas enfermeiras do Hospital Albert Einstein Thaís Borro e Maria Aparecida Yamashita para o controle e a prevenção de infecções relacionadas à assistência em UTIs estão o controle dos processos para torná-los fáceis de serem executados, a redução da sedação profunda em pacientes internados nas UTIs que não necessitam de sedação e a manutenção da elevação das cabeceiras das camas entre 30° e 35°.
Como desafios apontados pelas enfermeiras do Albert Einstein estão a desvinculação entre a visita multidisciplinar e a visita acadêmica aos pacientes em cuidado intensivo e a implementação da visita estendida de familiares a esses pacientes. “A visita multidisciplinar, que envolve os profissionais que acompanham o paciente, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e enfermeiros, deve ser objetiva e realizada diariamente com o intuito de definir o plano terapêutico que deverá ser seguido para determinado paciente. Ela deve ser realizada separada da visita acadêmica, que tem outro objetivo”, explicou Thaís Borro.
“Já a visita estendida é importante para a educação dos familiares do paciente. É importante colocar os familiares dentro da UTI para educá-los sobre a realidade do paciente, que poderá sair com sequelas e precisará de cuidados especiais em casa”, frisou.
Em seguida, as enfermeiras do Hospital Albert Einstein visitaram as UTI Médica e Cirúrgica do HC-UFG acompanhadas pela equipe do SCIRAS.