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CIÊNCIA
Ciência e pesquisa no HC-UFG contam com os saberes femininos
Goiânia (GO) - Elas estão nos laboratórios, ambulatórios, grupos de pesquisa e salas de aula produzindo e difundindo conhecimento. No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, lembrado em 11 de fevereiro, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) celebra a trajetória de cientistas que transformam desafios em descobertas, fortalecem a pesquisa e qualificam a assistência em saúde prestada à sociedade. O HC-UFG é uma unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Com linhas de pesquisa nas mais diversas áreas de atuação, as pesquisadoras do HC destacam o papel da ciência como instrumento de cuidado, transformação social e geração de conhecimento, com estudos voltados a pacientes com doenças crônicas e condições neurológicas complexas em áreas como nutrição clínica e neuroimunologia, entre outras.
A pesquisadora e nutricionista Ana Paula Perillo coordena o Grupo de Aprimoramento em Pesquisa em Saúde e Nutrição (GAPSNUT), que desenvolve pesquisas clínicas e populacionais com foco na avaliação do estado nutricional, intervenção dietética e nutrição clínica aplicada às doenças crônicas, especialmente cardiovasculares e metabólicas no HC-UFG.
“Temos projetos relacionados à hipertensão arterial, dieta cardioprotetora, pré-diabetes, hipercolesterolemia familiar e com suplementação nutricional, entre outros”, explica a coordenadora, que atua também na Unidade de Hipertensão Arterial do HC.
A trajetória da pesquisadora começou na graduação, como bolsista de iniciação científica do CNPq, experiência marcada pela influência de mentoras mulheres, que serviram de exemplo e modelo. “Essas orientadoras foram fundamentais na minha formação e no incentivo à pesquisa em doenças cardiovasculares, área em que atuo até hoje”, relata Ana Paula.
Na área de neurologia, a pesquisadora e médica Denise Sisterolli desenvolve estudos clínicos e pesquisas epidemiológicas e diagnósticas em pacientes com doenças neuroimunológicas e neurodegenerativas, como esclerose múltipla, neuromielite óptica e esclerose lateral amiotrófica (ELA), entre outras. “Também realizamos estudos sobre técnicas diagnósticas, marcha, reabilitação cognitiva pós-AVC e avaliação da insuficiência respiratória em pacientes com ELA”, afirma.
Sobre os desafios na ciência, Denise destaca que eles estão relacionados às condições estruturais da pesquisa de forma geral. “As principais dificuldades envolvem acesso a equipamentos, exames, publicações científicas e apoio institucional”, avalia a neurologista.
Mais apoio
Para as pesquisadoras, incentivar meninas e mulheres na ciência passa por políticas de financiamento, reconhecimento e condições que favoreçam a permanência na carreira acadêmica. “A ciência é uma missão, um caminho de cuidado e de impacto direto na vida das pessoas”, comenta Ana Paula.
A bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIC) do HC, Ana Beatriz Pinheiro, já começou a trilhar o caminho do fazer científico. A estudante do 5º período de Medicina da UFG, que desenvolve projeto sobre o câncer de mama, defende a criação de mecanismos de apoio que removam barreiras socioeconômicas para a inserção de mais mulheres na ciência.
“Seriam importantes alguns incentivos como vale-alimentação ou um auxílio financeiro para os filhos terem acesso a creches e pré-escolas. Eu não tenho filhos, mas algumas amigas têm e percebo a preocupação delas nesse sentido, o que limita as suas oportunidades”, pontua Ana Beatriz.
Ana Paula Perillo defende políticas de incentivo e financiamento exclusivos para enfrentar a desigualdade de gênero e cita exemplos. “Seriam medidas interessantes a criação de chamada públicas voltadas especificamente para mulheres, premiações de reconhecimento, apoio a programas de a crédito e bolsas. Além disso, é preciso pensar em políticas relacionadas à maternidade para adaptar prazos, bolsas e critérios para reduzir a evasão, principalmente na pós-graduação”, enumera Perillo.
Denise Sisterolli salienta a importância da vocação e do propósito como ponto de partida. “É preciso existir um chamado, uma paixão interna por cuidar, por fazer a diferença e deixar um legado. Barreiras sempre existirão, sejam institucionais, de equipe ou de formação, mas, se essa paixão for maior, elas serão vencidas”, destaca.
Reconhecimento
Para o chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica do HC, Everton Wirbitzki Silveira, a participação das mulheres na pesquisa traz novas ideias, criatividade e diferentes pontos de vista.
“Elas fortalecem a qualidade e a relevância dos estudos, tornando a ciência mais inclusiva e representativa. A presença das mulheres nas pesquisas no HC permite encontrar soluções mais completas para os desafios da saúde, bem como contribui para melhorar o cuidado com os pacientes, o desenvolvimento de tratamentos e a humanização da saúde", apontou Everton.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Moisés de Holanda
Coordenadoria de Comunicação Social