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Combate ao preconceito
29 de outubro: Dia da Conscientização, do Tratamento e Combate ao Preconceito Relacionados à Psoríase
O que leva alguém a ter preconceito com portadores de doenças dermatológicas não contagiosas? Infelizmente, essa é a realidade vivida por muitas pessoas acometidas pela psoríase: uma enfermidade inflamatória crônica da pele, das unhas e das articulações, que acomete até 2% da população mundial.
“Quem não entende e não sabe o que é, acha que é uma doença contagiosa. É muito ruim você viver assim”, conta Cleidiane Rodrigues da Silva Martins, de 40 anos. Ela é paciente em tratamento no Hospital das Clínicas da UFG, vinculado à Rede Ebserh, e explica como foi ter de conviver com essa condição quando os sintomas estavam descontrolados:
“Eu tinha uma viagem marcada e eu estava sem usar short, sem usar vestido curto. Eu só usava calça e blusa de manga por causa do calor, mas o meu braço estava muito feio, a descamação do meu couro cabeludo estava indo pro rosto e pra minha orelha”.
Apesar de não ser contagiosa, a psoríase é caracterizada por lesões que podem ser confundidas com micoses e outras doenças infectocontagiosas. Além disso, alguns pacientes como Cleidiane têm descamação tão severa, que precisam utilizar roupas, toucas ou outras proteções para evitar que as escamas apareçam.
Felizmente, é possível combater o preconceito com muita informação e conscientização. A psoríase é caracterizada por lesões avermelhadas e descamativas na pele, não sendo transmissível e que não tem cura. Outros sintomas relacionados podem ser coceira na pele ou no couro cabeludo, alterações nas unhas e dores nas articulações. Essa condição está relacionada a distúrbios do metabolismo, como diabetes, obesidade e dislipidemia, com aumento da glicose, do colesterol ou dos triglicerídeos no sangue.
“A psoríase tem origem genética, sendo que alguns indivíduos já nascem propensos à doença. Mas existem fatores que são “gatilhos”, como bebidas alcoólicas, drogas ou infecções”, explica Leandro Ourives, médico dermatologista e coordenador do ambulatório especializado no Hospital das Clínicas da UFG (HC-UFG/Ebserh), em Goiânia.
Infelizmente, não há prevenção para a psoríase, mas sim, das complicações da doença nas articulações. Além disso, é preciso fazer o acompanhamento cardiológico ou o controle de eventuais distúrbios do metabolismo a ela associados.
Se não for diagnosticada e tratada a tempo, em alguns casos, pode levar a graves deformidades articulares ou incapacidades físicas, além de aumentar uma vez e meia o risco de morte cardiovascular. Daí advém a importância de se atentar para os sintomas, a fim de se obter um diagnóstico precoce. Por isso, o dia 29 de outubro é marcado como a data de conscientização, tratamento e combate ao preconceito relacionados à psoríase.
HC: Centro de Referência no tratamento da psoríase
O estado de Goiás conta com um centro de referência para tratamento integral dos pacientes com psoríase, inclusive com fototerapia, no Hospital das Clínicas da UFG (HC-UFG/Ebserh), em Goiânia.
O Dr. Leandro participou ainda, nos dias 21 e 22 de outubro, do maior simpósio mundial sobre a doença, na cidade de São Paulo. Ele explica que o acesso ao tratamento público e gratuito ocorre através de encaminhamentos para o ambulatório de dermatologia e psoríase do HC-UFG, feitos pelos médicos dos postos de saúde vinculados ao sistema de regulação de Goiânia. Há vários tratamentos bastante eficazes, sejam tópicos, orais ou injetáveis, além da fototerapia, todos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Cleidiane conta ainda que após apenas 1 semana seguindo o tratamento e orientações recomendadas pelo médico, já sentiu melhora e passou a levar uma vida relativamente normal. “Minha vida mudou totalmente. Eu tinha vergonha do meu corpo, medo do que as pessoas podiam achar de mim. Mas o tratamento me fez muito bem. Posso viajar e usar as roupas que eu quero, tranquilamente”, conclui.
Por Vitória Regina Dutra de Castro (estagiária de Jornalismo)