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HUMANIZAÇÃO
“Me senti acolhida em meu sonho de ter uma sessão de foto especial. Foi além das minhas expectativas ”
Acompanhada do marido, a jovem Alannys Kelly Silva Lessa, 24, natural de Belém (PA) e moradora de Senador Canedo (GO), tem passado por uma montanha russa de emoções desde 2021, quando passou por uma gravidez complicada e ainda perdeu o primeiro filho, com apenas 5 dias de vida.
E agora, com uma nova gravidez, Alannys Lessa encontra-se internada no HC-UFG/Ebserh, referência no Estado de Goiás no atendimento de mulheres com gravidez de alto risco. Alannys conta que, ao chegar no HC-UFG, foi atendida por vários especialistas, desde pneumologista, infectologista, reumatologista, cardiologista, até o recebimento de todo o suporte com psicólogos e acompanhamento de assistente social. Durante as consultas, Alannys demonstrou um forte desejo de ter um chá de bebê e uma sessão de fotos para a sua nova bebê. “Eu falei para elas que eu estava triste porque eu vou completar 29 semanas e eu não tinha previsão de alta... minha meta é chegar a 36 semanas. Eu disse para a Jéssica que eu queria muito fazer um chá de bebê. Eu não tenho mais o meu bebê do meu último chá (chorosa). A minha irmã está grávida e fez fotos! Daí, a Jéssica teve a ideia de fazer uma arte gestacional na minha barriga, me maquiou, arrumou meu cabelo... Colocaram música... foi uma ação que eu não esperava! Foi muito melhor do que eu podia imaginar!”, destaca.
Segundo Jéssica Camila Alves de Araújo, residente de Psicologia da UFG, Alannys chegou ao hospital com suspeitas de diagnósticos que foram sendo descartados e tudo isso trouxe uma consequência emocional muito grande. “Por ter passado por vários hospitais antes de vir para o HC, ela apresentou uma fragilidade emocional muito significativa, além de ter perda neonatal. Toda essa história deixou marcas nela”, ressalta.
Alannys recorda o dia da sessão: “Fizeram um cenário do jeito que eu queria. Montaram uma play list especial para mim, eu também recebi várias cartinhas com mensagens carinhosas da equipe... eu chorei muito, mas foi de felicidade. Chorei que meu rosto ficou inchado. Aqui, todo mundo gosta de mim. Até aqui eu me considero uma vencedora, por tudo o que passei e vivi... Eu sou muito grata por todos aqui, pois no momento mais difícil, todo mundo me abraçou e me acolheu. São maravilhosos!”, conta emocionada.
As preferências dela também foram atendidas. “Compramos os materiais e montamos tudo. Depois pedimos para que cada um da equipe para escrevesse mensagens de apoio para ela, especialmente porque ela teria alta. Fizemos primeiro as fotos e, ao final, entregamos as mensagens. Ela ficou muito emocionada. Fizemos muitas fotos. Até o marido, Thiago, se envolveu e ficou muito feliz! Fizemos fotos de casal. Ele disse que foi o dia mais feliz do ano! O SUS tem que ser um ambiente acolhedor!”, finaliza Araújo.
A Acolhida no HC-UFG
Alannys estava muito feliz, assim como a equipe de saúde do HC, pois ela teve previsão de alta. No entanto, um agravamento repentino no quadro de saúde deu uma reviravolta no tratamento e ela teve que passar novamente pela avaliação de vários especialistas para investigar o que estava acontecendo. Nesse momento, o suporte psicológico foi fundamental.
A enfermeira Rubenes Borges Hilário Lima, 56, da maternidade do HC-UFG, tem acompanhado Alannys e diz que toda a equipe está engajada pela recuperação dela. “Temos um olhar acolhedor e queremos ajudar, prestando todo o tipo de apoio. Todos os dias vou ao quarto dela e falo palavras de motivação. Que ela tem que ser positiva e segurar nas mãos de Deus. Todas as equipes do hospital estão atentas e buscando o melhor atendimento possível para ela”.
Já a assistente social residente Rayssa Rodrigues de Souza, 24, fala que, no início, todas as questões sociais foram identificadas e com o vínculo criado com a equipe, devido à internação de longa permanência, todas as orientações necessárias foram fornecidas.
“Articulamos com a equipe médica o desejo de fazer laqueadura! Ela traz questões da vida como família, amigos e demais redes de apoio. Ela chegou aqui muito debilitada, em vários aspectos e tem se fortalecido dentro do processo. Nós sempre oferecemos todas as possibilidades e orientações para ela”, conta Souza.
Ela curte cozinhar, fazer coisas diferentes para comer. Gosta de jogar truco, tomar banho de piscina, sair para conversar com os amigos, assistir a filmes e séries com o marido em casa. Ama dançar um tecno melody, do Pará. Gosta de jogar vôlei, de usar azul e tem planos para o futuro: “Ah, eu pretendo cuidar da minha filhinha Lindy Vitória, a ‘Bebê Arco-Íris’, e se não der para trabalhar fora, pretendo ajudar minha mãe com costuras”, planeja.
Peregrinação
Em dezembro de 2021, durante a primeira gravidez, Alannys teve pressão alta e muita dor de cabeça. Ficou muito inchada e quase cega, tendo que passar por uma cesárea de emergência. Com hipertensão craniana, tomou medicamentos e foi a vários hospitais, chegando a se internar em um hospital particular, mas logo saiu, por não ter condições financeiras.
Com uma dor de cabeça insuportável e persistente que afetava a sua visão, foi a uma UPA da sua cidade e chegou a ser destratada por um médico. Passou por outros hospitais, foi medicada e teve uma sensível melhora quando, já de volta para sua casa, engravidou novamente. Com a gravidez, a dor na cabeça voltou com força total. Os medicamentos que ajudavam a melhorar a dor também poderiam prejudicar o desenvolvimento do bebê. Logo, teve que suspendê-los.
Depois vieram as tosses, com falta de ar, dor de cabeça e febre. Fez vários exames para ver se era Covid, com resultado negativo. E a falta de ar continuava. Também não era gripe. O quadro se agravou.
No HC-UFG, Alannys já foi diagnosticada e está em observação pela equipe médica. Não há indício de que seu problema de saúde esteja dificultando a gestação. O bebê se desenvolve bem, mantendo o peso e os padrões de vitalidade preservados, sem indicação de tirar o bebê agora. O quadro clínico dela está bom. Ela deve ir para a UTI para qualquer intervenção mais rápida, pois se ela chegar a ter um quadro de sangramento expressivo, será respaldada de pronto na UTI.