Relatos e Historias
RELATOS DE QUEM CUIDA
“Tivemos casos de pessoas doentes física e mentalmente”
“Tivemos casos de pessoas doentes física e mentalmente”
Sou ginecologista obstetra, tenente de carreira e fiquei 40 dias na missão. Comigo tinha pediatra e clínico geral. A experiência no projeto foi um tanto quanto inusitada. Foi uma missão totalmente nova, apesar de já ter participado de outras missões, por ser uma missão de paz e de uma população que está totalmente desassistida e vulnerável.
Esse contato com os venezuelanos foi progredindo cada dia mais. Ao longo desse período fomos fazendo algumas amizades, nos apegando às crianças, às pessoas, agindo meio como que um pai ou mãe cuidando e orientando, ajudando, conversando, ouvindo os problemas deles.
Tivemos vários casos em que as pessoas estavam doentes fisicamente, mas também estavam mentalmente doentes, com o psicológico abalado por isso tudo que aconteceu, por saírem de seu país.
E a Ebserh Solidária veio para ajudar e para somar. Às vezes, nós – médicos da Operação Acolhida – ficamos sem tempo de ter essa atenção, então a gente fica mais para fazer as consultas, medicar e ajudar. Essa ação da Ebserh possibilitou ampliar esse atendimento, conseguir conversar melhor com os pacientes, explicar algumas doenças, a importância de alguns diagnósticos e das vacinas. Vieram profissionais supercapacitados e com uma vontade enorme de fazer a diferença, cheios de energia.
Tenente Carolina Nascimento
Exército Brasileiro
“A chegada da Ebserh me deu um novo gás para a última semana da missão”
Fui médica voluntaria na Operação Acolhida, escalada para ficar quatro semanas, mas o prazo se estendeu e fiquei 39 dias. Foi um choque de realidade e uma experiência que jamais viverei em outra situação da minha vida. Nos deparamos com uma população de imigrantes da Venezuela, com cultura diferente da nossa, tivemos de aprender a lidar com essa situação e com a dificuldade da língua diferente.
Percebemos que grande parte das doenças que eles possuem são provenientes de falta de saneamento básico, falta de higiene pessoal por conta da situação em que eles se encontram atualmente. Eles se expuseram a essa situação em busca de uma vida melhor e de um destino diferente, o que mexe muito conosco e nos faz pensar na fragilidade da vida humana. Cheguei com muita vontade de ajudar e percebi como somos pequenos perante aquela situação
A chegada da Ebserh me deu um novo gás para viver a última semana da missão, que foi em parceria com o os voluntários dos hospitais universitários, de uma forma talvez até mais intensa de quando eu cheguei, pois trouxeram uma esperança tão grande, com uma proposta diferente do que a gente estava oferecendo, e isso me deu muito ânimo e muita força para continuar.
Os imigrantes são pessoas que estão buscando uma vida em um país que as acolheu, buscando aprender uma língua diferente. Esse povo que está vindo para o Brasil agora é o nosso povo, vão nascer crianças aqui que serão brasileiras, vão viver aqui, vão aprender o português. A missão foi muito emocionante, uma sensação única de não entender plenamente o que sentia, por não estar na pele deles, uma vontade de acolher indescritível.
Carolina do Carmo
Exército Brasileiro
“Não estamos mentindo porque queremos estar aqui”
Tenho 31 anos, venho do estado Guárico, na Venezuela, sou mãe solteira de dois filhos. Vim para cá para buscar uma oportunidade de conseguir um emprego e assim ajudar a minha família. Na Venezuela, trabalhava como caixa de supermercado e como recepcionista de hotel. Fiz um curso de paramédico, mas aqui quero estudar enfermagem para ser enfermeira e, graças a Deus, estou sendo brindada com essa oportunidade.
Em parte, me sinto um pouco triste porque estou longe de meus filhos; tenho dois meninos, um de 11 anos e um de 8. Não é fácil, porém todo o propósito é que não falte nada a eles.
Estou morando no abrigo porque, de verdade, não tenho condições para alugar uma casa ou residência aqui. A maioria está por um propósito de conseguir alimentos para a família, porque na Venezuela não tem. Não estamos mentindo porque queremos estar aqui. A minha ideia é buscar alimentos para levar à Venezuela e quem sabe ser interiorizada para outro lugar do Brasil para conseguir um emprego.
Karla Ojeda
Imigrante venezuelana
Sobre a Ebserh
Instituição vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
A empresa, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.
Antes das interiorizações, os imigrantes passam por um último atendimento para checar as condições para a viagem