Galeria de Imagens
Medicina nuclear
Tecnologia utilizada no HC-UFPE/Ebserh auxilia nas decisões e na otimização de medicamentos em procedimentos contra o câncer
Recife (PE) – A Medicina Nuclear é uma especialidade que utiliza pequenas quantidades de radiação, por meio de substâncias conhecidas como radiofármacos, para realizar procedimentos como exames de diagnóstico por imagem, tratamentos contra o câncer (dentre outros) e até mesmo apoiar em algumas cirurgias. O radiofármaco é injetado no paciente e auxilia na geração de imagens em equipamentos altamente tecnológicos.
Para melhorar esse processo, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, vinculado à Rede Ebserh (HC-UFPE/Ebserh), utiliza, desde 2018, um sistema chamado Nuclearis, que realiza o monitoramento e gestão de todo os procedimentos em tempo real e calcula a rotina ótima. A plataforma foi desenvolvida em 2014 por três profissionais que, um ano mais tarde, em 2015, viriam a ser contratados pela Rede Ebserh por meio de concurso público. Vinicius Menezes atua no HC-UFPE/Ebserh, no Recife; Marcos Machado atua no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA/Ebserh), em Salvador; e Cleiton Queiroz atua no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (Hupaa-Ufal), em Maceió.
Este sistema consegue, por exemplo, determinar a quantidade de radiofármaco a ser aplicado no paciente de maneira individualizada (levando em conta fatores como a altura e peso), o estoque em tempo real, a agenda e a gestão de fila do equipamento. Além disso, o Nuclearis permite a informatização dos processos, armazenamento de dados da rotina de atendimento, de dados clínicos do prontuário, dos laudos e das imagens segmentadas.
Essa otimização da rotina gera ganhos (diretos e indiretos) para todos. Para os usuários, há um aumento do número de pessoas atendidas, redução de erros nos procedimentos, além diminuição do tempo de exame e aumento da segurança e conforto para o paciente. Para os trabalhadores, há o aumento da qualidade das imagens diagnósticas e redução da exposição à radiação ionizante.
Adicionalmente, por ser um sistema em constante aprimoramento, permite a implementação de diversas ferramentas que evoluem junto com o aperfeiçoamento tecnológico da área. Exemplos são as ferramentas de apoio a tomada de decisão, mineração de dados, inteligência artificial (IA), bem como a disponibilização de indicadores operacionais, clínicos e estratégicos. Além disso, facilita a elaboração dos laudos médicos (inclusive com uso de IA) e disponibiliza relatórios para os órgãos de fiscalização e controle (como a Anvisa, CNEN) de maneira automática.
Segundo Vinicius Menezes, por ser parametrizável, ou seja, ter possibilidade de ser configurado para tarefas diversas, o Nuclearis pode ser usado em outras rotinas hospitalares, como consultórios, laboratórios, gestão de leitos, de poltronas e outras, gerando ganhos. “A instituição conseguiu registrar uma economia de aproximadamente R$ 5 mil por dia somente com a aquisição de insumos radioativos, pelo ganho de eficiência, pois elimina a necessidade de fazer cálculos manuais ou empíricos para gerenciar e, também, pelo agendamento de procedimentos otimizados. O trabalhador e o paciente ficam menos expostos à radiação em cerca de 60%”, enfatizou Menezes.
Para Cleiton Queiroz, “quando implantada junto com métodos de otimização e gestão de processos, baseada na indústria 4.0 [que diz respeito à automação industrial e à integração de diferentes tecnologias], é possível criar uma relação de ganha-ganha para todos os envolvidos como pacientes, médicos, instituições, estudantes e toda equipe em geral”, explicou Queiroz.
Segundo Marcos Machado, pesquisas têm sido desenvolvidas com investimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para gerar produtos inovadores na área de saúde, utilizando inteligência artificial com o foco em otimização, biobanco digital (que armazena amostra e informações de material biológico para pesquisas) e radiômica [técnica que extrai dados de uma imagem radiológica). “Temos resultados de modelos de predição com ótima acurácia [proximidade de um resultado com o seu valor de referência] em pacientes com Parkinson, Alzheimer, linfoma, covid-19, com base no conjunto de dados fornecidos pelo sistema”, enumerou Machado.
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh