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SAÚDE E ALEGRIA
Rede Ebserh reúne dicas para ajudar você a ter mais fôlego e proteção e aproveitar a folia desde o pré-carnaval
A recomendação no pré-carnaval é somar movimento de forma gradual, com caminhadas moderadas e regulares, subir escadas e exercícios simples (Imagem ilustrativa: Freepik).
Brasília (DF) - Quando o calendário avisa que o carnaval vem aí, muita gente já começa a aquecer — não só a fantasia, mas o corpo e a rotina de cuidados. Para ajudar quem quer chegar na folia com mais fôlego e menos perrengue, especialistas de hospitais universitários da Rede Ebserh reuniram orientações práticas que vão do preparo físico às estratégias de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com destaque para a profilaxia pré-exposição (PrEP), ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma 100% gratuita, por meio do Ministério da Saúde e de serviços habilitados.
Preparar o corpo também é autocuidado
A profissional de Educação Física do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA-Ufal), Rosa Elisa Pasciucco, lembra que a folia cobra do corpo o que, no dia a dia, muita gente não treina. “O bom folião precisa pular, dançar, caminhar longas distâncias e ficar muitas horas em pé”, afirma. Por isso, ela reforça que “um bom preparo físico não se consegue do dia para a noite”, e que vale começar com o que é possível, especialmente para quem está sedentário.
Segundo Rosa Elisa, pessoas com baixo gasto energético no cotidiano devem redobrar a atenção, sobretudo quando há sobrepeso, obesidade e idade acima de 40 anos. A profissional aponta três pilares do condicionamento: resistência cardiorrespiratória, fortalecimento e capacidade de recuperação. “Indivíduos bem condicionados conseguem se recuperar mais rápido e ter mais tolerância ao esforço. Porém, essa tolerância só é adquirida após um período longo de treinamento”, destaca.
A recomendação, no pré-carnaval, é somar movimento de forma gradual — caminhadas moderadas e regulares, subir escadas e exercícios simples que ajudem circulação e estabilidade. No “saldo” da folia, ela chama atenção para o básico que muita gente esquece: hidratação contínua, sono reparador, calçado adequado (tênis) e respeito aos limites. “A recuperação com o descanso após sensação de cansaço e/ou fadiga é essencial”, diz. E alerta para o que costuma derrubar o folião antes da hora: “Evitar os excessos — poucas horas de sono, bebida alcoólica sem a devida hidratação e alimentação pesada ou não se alimentar podem causar danos”. Para Rosa, a regra de ouro é simples: “Diversão deve ser com responsabilidade”.
Mandala da prevenção: preservativo, vacina, testagem e PrEP
No pré-carnaval, o infectologista Tobias Garcez, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Tocantins (HDT-UFT), observa um cenário comum: mais exposição e menos cuidado. “O pré-carnaval costuma ser também um período de muitas exposições e de relaxamento dos cuidados habituais. O principal não foge do básico: preservativo interno e externo, testagem de rotina para ISTs, vacinação contra hepatite A, B e HPV e, sobretudo, planejamento e autocuidado nesses momentos”, afirma.
Entre os equívocos mais frequentes, ele destaca a falsa ideia de que ISTs só se transmitiriam por sexo com penetração. “Sífilis, gonorreia e clamídia podem ser transmitidas por sexo oral”, alerta. E reforça um ponto essencial: “ISTs não têm cara; não ‘parecer’ doente não significa não estar infectado”.
Já Julius Monteiro, infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB-UFPA), lembra que prevenção não é pauta de uma estação apenas. “A prevenção das infecções sexualmente transmissíveis tem que estar na nossa agenda de saúde”, afirma. Para ele, o caminho mais consistente é a prevenção combinada. “Não existe só um método de prevenção. Existe um conjunto de métodos, que, em maior ou menor grau, a gente pode utilizar e associar”, explica.
Nesse contexto, Julius aponta a PrEP como um dos pilares da mandala. “A PrEP é um medicamento. Hoje, no Brasil, a gente só tem um tipo de PrEP distribuído no SUS, que é a PrEP oral”, diz. Ele lembra que o protocolo nacional foi atualizado em 2025 para facilitar o acesso e resume quem pode utilizar: “Basicamente, pessoas acima de 15 anos, com pelo menos 35 ou 40 quilos, vida sexual ativa e vontade de fazer uso de um método preventivo para o HIV”.
Quanto ao acesso, Julius destaca a diretriz de capilaridade do SUS: “A recomendação do Ministério da Saúde é que a PrEP esteja onde estão as pessoas: na unidade básica de saúde mais próxima da casa da pessoa, nos centros de testagem e aconselhamento (CTAs) e nos serviços de assistência especializada (SAEs)”, afirma. Ele acrescenta que também existem estratégias como telePrEP para reduzir barreiras.
“O HDT disponibiliza PrEP para qualquer pessoa interessada nessa modalidade de prevenção”, detalha Tobias. “Basta chegar, realizar o autoteste para HIV e ser encaminhada para consulta para dispensação e orientação na mesma oportunidade”, explica. Ele lembra que a PrEP, “por si só, protege em 95% a 98% contra o HIV” e que o seguimento envolve também testagem para outras ISTs.
Julius ressalta ainda que a PrEP costuma ampliar o vínculo do usuário com o cuidado, para além da medicação. “A pessoa que está em uso de PrEP está dentro do sistema: recebendo orientação, conversando com profissionais de saúde, fazendo testagem regular para as ISTs, recebendo orientação sobre métodos de proteção, recebendo preservativos, lubrificantes e tendo acesso à vacina”, completa.
No fim, o recado é que o pré-carnaval pode ser o momento ideal para ajustar o que muita gente só percebe quando o corpo cobra ou quando o susto já bateu à porta. Seja colocando o corpo em movimento aos poucos, seja organizando a própria “mandala de proteção”, o cuidado — acessível, sem julgamento e com informação — aumenta as chances de a folia render boas histórias - e não dores de cabeça.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh