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SUPERAÇÃO
Próteses faciais são oferecidas gratuitamente no Hospital Universitário de Brasília
Brasília (DF) – No laboratório, alunos de graduação em Odontologia usam habilidades manuais para confeccionar materiais que simulam partes do rosto. Nas salas ao lado, pacientes aguardam ansiosos pela colocação gratuita da tão esperada prótese facial. Essa é a realidade vivenciada toda sexta-feira na Unidade de Saúde Bucal do Hospital Universitário Brasília (HUB), por meio do projeto “Reabilitação de pacientes mutilados”.
O objetivo é devolver autoestima e qualidade de vida às pessoas que perdem áreas do rosto por trauma ou doença, como o câncer, e não têm condições de pagar pelo tratamento particular. É o caso da paciente Rosilene da Silva, que ficou sem parte do nariz, olho e sobrancelha em razão de um câncer facial. A aparência a impede de sair de casa e até mesmo de se olhar no espelho. “Só de estar no HUB minha autoestima já melhora, porque sei que logo a prótese estará pronta e poderei sair mais de casa e até trabalhar”, diz.
O trabalho no hospital vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) teve início em 2005, por iniciativa da odontóloga e professora Aline Úrsula, mas em 2010 ganhou a formalização como projeto de extensão pela Universidade de Brasília (UnB). A atividade, feita de forma solitária no começo, hoje já conta com 35 colaboradores, entre estudantes e residentes em odontologia e dentistas.
Aline explica que o foco são as próteses de olho, nariz, orelha, pálpebras, lábios e estruturas faciais, mas não aquelas convencionais, como dentadura. Em média, a equipe realiza 20 atendimentos por semana, e cada paciente retorna de três a quatro vezes ao HUB. “A gente percebe que a reabilitação é grande parte de sucesso para que as pessoas tenham uma vida normal, com o resgate da qualidade de vida que talvez eles não tivessem se estivessem com a mutilação à vista”, afirma a especialista.
Exemplos práticos não faltam. “Minha vida mudou bastante, porque antes eu sentia vergonha do meu rosto”, desabafa a paciente Valquíria Barbosa, que usa prótese no olho esquerdo por conta de um glaucoma congênito. Sorridente, Luís Felipe Araújo, de seis anos, recebeu a primeira prótese ocular do olho esquerdo aos nove meses de vida. Na última sexta-feira, 11, ele voltou ao hospital para a substituição da prótese por outra que acompanhe seu crescimento. “Já faz parte dele. Ele leva uma vida normal e fala para todos que nasceu assim”, conta a mãe, Cláudia Araújo.
Como funciona a confecção
Antes de chegar à versão final da prótese, é preciso fazer um molde de cera personalizado, com base nas características faciais de cada pessoa, incluindo tamanho e cor da pele. Depois de realizar os testes e ajustes necessários, há a confecção da prótese em silicone. Como a impressão do material em 3D ocorre apenas quando há parceria com centros públicos de tecnologia, o trabalho é feito manualmente pela própria equipe no laboratório disponível na Unidade de Saúde Bucal.
Além da assistência, o projeto oferece a oportunidade de aprimorar a formação dos alunos de graduação em odontologia da UnB e até mesmo dos graduados, já que o conteúdo ministrado no HUB não faz parte da grade curricular do curso. “Profissionalmente, é uma ótima oportunidade poder conhecer esse tipo de prótese, que não existe em todos os lugares”, declara a estudante do 6º semestre de odontologia da UnB, Luma Fernandes.
Sobre a Ebserh
Desde janeiro de 2013, o HUB-UnB é filiado à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação que administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.
Com informações do HUB-UnB