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Hospital da Rede Ebserh conduz, no Brasil, estudo global sobre Leishmaniose Tegumentar

Doença infecciosa não é contagiosa e provoca úlceras na pele e mucosas, causando ainda estigma social
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Infecção se desenvolve quando uma pessoa é picada pelo mosquito Lutzomyia, que contém parasitas do tipo Leishmania

Salvador (BA) – O projeto Eclipse, que é um estudo global e pretende investigar o impacto social da leishmaniose em três países (Brasil Etiópia e Sri Lanka), terá a participação do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Hupes-UFBA/Ebserh), que conduzirá os estudos no País. A leishmaniose tegumentar é uma doença infecciosa e não contagiosa. Ela se desenvolve quando uma pessoa é picada pelo mosquito Lutzomyia, que contém parasitas do tipo Leishmania. Esses micro-organismos atingem os vasos sanguíneos e formam lesões na pele que podem crescer de tamanho.

Durante quatro anos, uma equipe de pesquisadores de diversas áreas, como antropologia, medicina, parasitologia, psicologia, ciências sociais e artes, pretende coletar dados, criar modelos de intervenção e capacitar as comunidades para lidar com os efeitos do estigma social causado pela leishmaniose.  No Brasil, será conduzido pelo médico Paulo Machado, coordenador do Serviço de Imunologia (SIM) do Hupes-UFBA/Ebserh e pela professora Leny Trad, coordenadora do Programa Comunidade, Família e Saúde (FA-SA) do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.

Nos últimos 30 anos, o Serviço de Imunologia do Hupes-UFBA/Ebserh vem desenvolvendo importantes projetos de pesquisa no posto de saúde de Corte de Pedra, área de elevada endemicidade para a leishmaniose tegumentar. “Nosso grupo atua na maior área endêmica de leishmaniose tegumentar americana do Brasil (Corte de Pedra, município de Presidente Tancredo Neves-BA) há mais de três décadas, com projetos de assistência, ensino e pesquisa. Como o projeto irá atingir e beneficiar muitos pacientes numa localidade onde a doença é um importante problema de saúde pública, é natural que tenhamos sido convidados e tenhamos aceitado”, disse Paulo Machado.

O Brasil foi o primeiro país visitado pelos pesquisadores da Universidade de Keele, instituição do Reino Unido, para formalizar a cooperação e a pesquisa multicêntrica do projeto. A expectativa é criar, durante o período do estudo, comitês e grupos de trabalhos que possam subsidiar políticas públicas para enfrentamento da doença.

Em 2019, a Bahia registrou 1.292 casos de leishmaniose tegumentar. Os números divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) podem ser ainda mais expressivos por conta das subnotificações, que ocorrem quando não é feito o diagnóstico da doença pelos órgãos de saúde oficiais.

Sobre a Ebserh     

Desde dezembro de 2013, o Hupes-UFBA é filiado à Rede Ebserh. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, contribuem para a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

Com informações do Hupes-UFBA/Ebserh