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ENSINO E PESQUISA
Estudo desenvolvido no Hospital da Ebserh em Juiz de Fora (MG) propõe técnica inovadora e menos invasiva para cirurgias ortopédicas
Técnica inovadora assegura maior segurança e melhor recuperação de pacientes operados com fratura de clavícula. Imagem ilustrativa: freepik
Juiz de Fora (MG) – Um estudo desenvolvido no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), propõe uma técnica inovadora que assegura operar pacientes com fratura da clavícula de uma forma menos invasiva, proporcionando uma recuperação mais rápida e tranquila, trazendo benefícios para pacientes e para o Sistema Único de Saúde (SUS).
O pesquisador responsável é o médico ortopedista do HU-UFJF e professor da Faculdade de Medicina da UFJF, Adriano Mendes Júnior. Trata-se de uma nova técnica para tratamento de fratura desviada da clavícula, um problema muito comum no atendimento em prontos-socorros no Brasil, a partir
de duas pequenas incisões e utilização de aparato do SUS como implante e radioscopia.
A ideia da pesquisa aconteceu após defesa de dissertação de mestrado, em 2019, que abordou o novo método, criado conjuntamente com o Serviço de Ortopedia do HU-UFJF. “Foi sugerido que o estudo deveria avaliar se a técnica criada era melhor do que a tradicionalmente realizada, uma fixação com placa e parafusos, utilizando grande incisão e resultados estéticos questionáveis”, explica o professor. Com isso, há menos complicações e reoperações, proporcionando o bom resultado da cirurgia e diminuindo os custos de tratamento.
Os resultados obtidos são um trabalho em parceria com outros 11 hospitais da região Sudeste, entre eles o Hospital Maternidade Terezinha de Jesus, também de Juiz de Fora, o Hospital de Ciências Médicas, de Belo Horizonte, e os hospitais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Santa Marcelina, de São Paulo, Hospital da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Hospital de Ciências Médicas de Belo Horizonte.
A maior dificuldade para a realização da pesquisa seria realizá-la em somente um hospital, mas, a convite da Unifesp para uma tese de doutorado sobre o tema, uma rede de hospitais parceiros foi disponibilizada para o desenvolvimento do estudo na modalidade colaborativa (multicêntrico) e que nestes hospitais fossem realizadas as cirurgias.
De dezembro de 2019 a junho de 2024, foram inúmeras reuniões para construção de um protocolo de estudo, bem como acompanhamento das rotinas das equipes de ortopedia responsáveis pelas cirurgias. Ao todo, 190 participantes foram operados nestes hospitais, sendo acompanhados pela equipe. A técnica inovadora mostrou-se superior, conforme se acreditava, comparada à tradicional, com menos complicações e menos reoperações dos pacientes.
Para o ensino e a pesquisa, o estudo é inédito em nível internacional na temática de tratamento de fraturas da clavícula no modelo realizado, o chamado ensaio clínico pragmático, ressalta o pesquisador. Nele, comparamos tratamentos consagrados e avaliamos qual é o melhor, em consultas que são do dia a dia do médico, sem necessidade de financiamento extra para isso. “Há benefício para a população e para o gestor. Além disso, foi um estudo inédito na área cirúrgica geral e da ortopedia no Brasil e no SUS, na metodologia de se fazer cirurgias em vários hospitais (chamado estudo multicêntrico)”, reforça.
Como a fratura de clavícula é uma fratura cada vez mais frequente, devido ao número cada vez mais elevado de acidentes de trânsitos. Estes ganhos para a população e para o gestor de saúde são fundamentais”, finaliza Adriano.
A pesquisa também foi reconhecida como o melhor estudo clínico no Congresso Brasileiro de Ortopedia, realizado em novembro do Rio de Janeiro. Intitulada “BRICS Trial - ensaio clínico multicêntrico para o tratamento da fratura da diáfise da clavícula”, a inovação também já havia recebido o prêmio de melhor tema livre no Congresso Mineiro de Ortopedia e no Congresso Brasileiro de Cirurgia do Ombro e Cotovelo.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.Seu nome,
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh