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IMUNIZAÇÃO RACIONAL
Especialistas da Rede Ebserh falam sobre o papel da vacinação na prevenção de doenças
Além da vacinação, práticas cotidianas de saúde também contribuem para fortalecer o sistema imunológico. Imagem ilustrativa: freepik
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Fortalecimento do sistema imunológico
A importância da vigilância epidemiológica.
Brasília (DF)- No Dia Mundial da Imunização, celebrado em 9 de junho, especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que gerencia 45 hospitais universitários federais no Brasil, destacam a relevância da vacinação na prevenção de doenças infecciosas e a importância de atividades regulares na busca pela imunidade. Com um aumento de 7% na cobertura vacinal em 2023, os esforços para reverter a tendência de queda registrada desde 2016 começam a mostrar resultados promissores. A vacina tríplice viral, por exemplo, alcançou 87,6% de cobertura, evidenciando o impacto positivo das campanhas de vacinação e das estratégias inovadoras de microplanejamento*.
A vacinação desempenha um papel essencial na prevenção de surtos de doenças infecciosas, especialmente em um cenário pós-pandemia de COVID-19. Segundo a infectologista Thallyta Antunes, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), "quando uma pessoa se imuniza, ela protege a si mesma e evita que outra pessoa adoeça também, interrompendo a cadeia de transmissão". A médica destaca que a vacinação foi a principal estratégia para encerrar a pandemia, demonstrando sua eficácia na prevenção de surtos.
Os perigos da desinformação
A falta de informação correta sobre vacinas ainda representa um desafio significativo para a saúde pública. "As famosas fake news relacionadas às vacinas prejudicam, pois fazem com que muitas pessoas não se vacinem, diminuindo a imunidade de rebanho e causando o crescimento de doenças", alerta Thallyta. Ela reforça que a desinformação faz com que pessoas não estimulem a vacinação de seus filhos e parentes, o que pode levar ao ressurgimento de doenças anteriormente controladas, como a poliomielite infantil.
Para combater esse cenário, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, referência internacional, é um aliado importante para atingimento de coberturas vacinais superiores a 95% da população-alvo. Baseado na tradição de campanhas de vacinação e higiene, o PNI foi fortalecido após a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988, que permitiu a capilaridade nacional necessária para a eficácia do programa.
Fortalecimento do sistema imunológico
Além da vacinação, práticas cotidianas de saúde também contribuem para fortalecer o sistema imunológico. A educadora física Josi Mara Saraiva, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), explica que a prática regular de exercícios físicos é um modulador significativo desse sistema. "Durante o exercício físico, citocinas pró e anti-inflamatórias são liberadas na corrente sanguínea, facilitando a detecção e eliminação de patógenos como vírus e bactérias". Ela acrescenta que a atividade física reduz o estresse e melhora a qualidade do sono, fatores cruciais para uma resposta imune adequada.
Josi recomenda a prática de exercícios aeróbicos moderados, como caminhadas e ciclismo, por pelo menos 150 minutos por semana, conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Alternativamente, 75 minutos de atividade física intensa, como corrida ou natação, também são eficazes. "Mesmo que não se atinja essa recomendação, todo movimento conta, ainda que realizado por apenas 10 minutos", incentiva Josi. Ela alerta, porém, para os riscos do excesso de atividade física, que pode comprometer o sistema imunológico. "O overtraining pode levar ao aumento dos níveis de cortisol, suprimindo a função imunológica e aumentando o risco de infecções", adverte. Ela enfatiza a importância de seguir um plano de exercícios equilibrado, prescrito e acompanhado por um profissional de Educação Física.
A importância da vigilância epidemiológica
A vigilância epidemiológica também é fundamental na resposta rápida a surtos de doenças preveníveis por vacinas. "A vigilância age como um gerador de informações e indicadores que permitem aos gestores identificarem e mitigarem surtos", afirma Thallyta. Ela ressalta que a notificação de novos casos gera dados que são usados para desenvolver estratégias de combate às doenças.
De acordo com o relatório "Retomada das Altas Coberturas Vacinais no Brasil", publicado em dezembro de 2023, o país implementou várias medidas para melhorar a vigilância epidemiológica e a cobertura vacinal. Entre essas medidas, destaca-se o lançamento do Movimento Nacional Pela Vacinação e a estratégia de microplanejamento, que resultaram no aumento das coberturas vacinais em quase todos os estados. Além disso, houve um repasse de R$151 milhões para estados e municípios, visando padronizar os sistemas de informação e direcionar os dados para a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
Em um contexto em que a desinformação e a hesitação vacinal ameaçam os avanços conquistados, a imunização racional e informada se torna essencial para a saúde pública. A combinação de vacinação, práticas saudáveis e tecnologias avançadas forma uma barreira robusta contra doenças infecciosas, garantindo um futuro mais seguro e saudável para todos.
*Dados retirados do relatório “Retomada das Altas Coberturas Vacinais no Brasil”
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro, com revisão de Danielle Morais
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh