Notícias
MARÇO LILÁS
Especialistas da Rede HU Brasil alertam para os sinais do câncer de colo do útero e a importância da prevenção
Doença ocupa a segunda posição em incidência nas mulheres das regiões Norte e Nordeste e é responsável por cerca de 7.200 mortes por ano no país (Imagem ilustrativa: Freepik).
Brasília (DF) – Sangramentos fora do período menstrual e corrimento vaginal persistente podem ser sinais de alerta para a saúde feminina. Esses são alguns dos sintomas que, em fases mais avançadas, podem indicar a presença do câncer do colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres brasileiras. Saúde da Mulher é um dos eixos prioritários da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil), que gerencia 45 unidades em todo o país. Seus especialistas orientam sobre como se proteger contra o câncer de colo uterino.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença ocupa a segunda posição em incidência entre as mulheres das regiões Norte e Nordeste e é responsável por cerca de 7.200 mortes por ano no país. Diante desse cenário, a campanha Março Lilás ganha ainda mais relevância como um movimento nacional de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce.
O que é o câncer de colo do útero?
A doença trata-se de um tumor maligno que afeta as células da parte inferior do órgão que faz a ligação com a vagina. Sua evolução é lenta e passa por fases iniciais chamadas de Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NIC), que são lesões precursoras. Quando identificadas nessa fase, é possível tratar e impedir a progressão para quadros mais graves.
A principal causa da doença é a infecção persistente pelos genótipos 16 e 18 do Papilomavírus Humano (HPV). “O HPV é uma infecção sexualmente transmissível altamente prevalente. A persistência do vírus ao longo do tempo é um fator determinante para o risco de progressão para o câncer”, explica a radioterapeuta Roseane Eloiza Máximo Silva, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).
Alerta para os sintomas
Nos estágios iniciais, o câncer de colo de útero é silencioso. Porém, quando a doença está mais avançada, alguns sintomas podem surgir. A ginecologista Michelle Chintia Rodrigues, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), destaca os sinais de alerta.
“Entre os principais sintomas estão o sangramento vaginal anormal (fora do ciclo menstrual, após relações sexuais ou na menopausa), corrimento vaginal persistente, constipação, trombose em membros inferiores e insuficiência renal”, enfatiza a ginecologista.
Prevenção: da vacina aos novos métodos de rastreio
A prevenção contra o câncer de colo de útero acontece em duas frentes principais. A principal delas é a vacinação contra o HPV, disponível no SUS para adolescentes de 9 a 14 anos. A vacina é a forma mais eficaz de evitar a infecção pelos tipos virais de maior risco.
Durante décadas, o exame Papanicolau (citopatológico) foi a principal ferramenta de rastreio para mulheres a partir dos 25 anos. No entanto, o Brasil deu um passo importante na modernização do combate à doença.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes nacionais, passando a recomendar o teste molecular de DNA-HPV de alto risco como método primário de rastreamento no SUS. Esse exame é capaz de identificar a presença do vírus oncogênico antes mesmo do surgimento de lesões celulares. A implantação já começou em alguns estados e cidades, mas, enquanto a nova tecnologia não chega a todo o país, a citologia (Papanicolau) será mantida como método de rastreio.
Diagnóstico precoce salva vidas
Detectar a doença cedo faz toda a diferença. “Quando o câncer de colo de útero é diagnosticado em estágios iniciais, as taxas de sobrevida aumentam significativamente. No entanto, ainda vemos um percentual muito alto de pacientes que chegam aos serviços especializados com baixas chances de cura”, alerta a cirurgiã oncológica Iolanda Matias, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE).
O tratamento no SUS é gratuito e integral, variando conforme o estágio da doença e as condições da paciente. As opções incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, usadas de forma isolada ou combinada. A cirurgia é o principal recurso, podendo variar de procedimentos de menor porte, como a traquelectomia, até cirurgias mais complexas. Já a radioterapia é muito utilizada como tratamento definitivo em casos localmente avançados, associada ou não à quimioterapia.
Cenário futuro
As estimativas do Inca para o triênio 2026-2028 apontam para cerca de 19.310 novos casos por ano da doença. Os números reforçam a necessidade urgente de ampliar a vacinação contra o HPV, implementar as novas diretrizes de rastreamento em todo o território nacional e fortalecer os serviços de saúde.
O Março Lilás é um lembrete de que o cuidado com a saúde deve ser constante. Exames em dia, vacinação e atenção aos sinais do corpo são as melhores armas para virar o jogo contra o câncer de colo do útero.
Sobre a HU Brasil
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Paulina Oliveira, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede HU Brasil