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CÂNCER DE PELE
Equipe atende mais de 150 pacientes e realiza cirurgias em mutirão no Hucam-Ufes
VITÓRIA (ES) - Profissionais de saúde, professores e acadêmicos vinculados ao Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), têm previsão de receber neste sábado, 26, 152 pacientes para avaliação por um profissional de saúde e, se necessário, submetidos no mesmo dia a cirurgias para remoção de lesões cancerígenas. A atividade envolve 70 pessoas que fazem parte do Programa de Assistência Dermatológica (PAD), da Ufes. O Hucam faz parte da rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
O PAD atua na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer de pele no Estado e conta com a parceria da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e do Instituto de Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação (ICEPi). É ainda por meio do PAD que usuários do Sistema de Saúde (SUS) de municípios de maior predominância da doença recebem, anualmente, em seus territórios, atendimento presencial.
Parcerias e o Ebserh em Ação
O atendimento neste sábado foi direcionado aos pacientes que passaram por uma triagem prévia do programa e que foram agendados seguindo o Sistema Estadual de Regulação. São atendidos pacientes da Grande Vitória ou de municípios que não receberam o PAD durante o ano. Além disso, a Sesa disponibiliza os medicamentos necessários que serão entregues aos usuários no pós-cirurgia. Os atendimentos são realizados em parceria por meio de equipes de profissionais de saúde do PAD-Ufes, da Sesa, do ICEPi e do Hucam. Nesta edição do mutirão, os esforços estão integrados ao programa Ebserh em Ação, uma iniciativa estratégica com o objetivo de ampliar o acesso da população brasileira a cirurgias eletivas, procedimentos diagnósticos e terapêuticos em todo o País. Alinhado ao programa Agora Tem Especialistas, o projeto contribui diretamente para a redução das filas e do tempo de espera.
Equipe do programa realiza atividades em municípios
“O PAD é um projeto de extensão da Ufes, que tem por objetivo rastreio, diagnóstico e tratamento do câncer de pele in loco, ou seja, nós levamos o tratamento especializado, com dermatologista e cirurgião plástico, até o paciente. Visitamos 11 municípios que têm um índice elevado de pacientes vulneráveis ao câncer de pele ao longo do ano”, explicou a professora de Cirurgia Plástica e coordenadora do projeto, Patricia Henriques Lyra Frasson.
Segundo ela, o PAD existe há 38 anos e já beneficiou um total de 90 mil pacientes do SUS. As equipes do programa treinam os profissionais dos municípios que fazem a triagem dos pacientes com lesões e que são cadastrados para tratamento no próprio município, sendo que são realizadas cerca de 10 cirurgias a cada visita da equipe na região, envolvendo profissionais de saúde e acadêmicos.
Patrícia Lyra acrescenta que o PAD-Ufes é um exemplo de como a universidade pública pode transformar realidades de forma concreta e eficiente. “Na minha opinião, o PAD-Ufes representa a essência da medicina universitária: ensino e assistência caminhando juntos, promovendo saúde, conhecimento e equidade. Ele fortalece o SUS, contribui para a formação de profissionais mais conscientes e preparados, e, principalmente, leva dignidade a quem mais precisa”, acrescentou a médica do Hucam.
Durante a abertura do mutirão, o superintendente do Hucam, professor Lauro Vasconcellos, destacou a longevidade do programa:
"Importante destacar que, desde o início, esta foi uma iniciativa acadêmica, de quem viu a necessidade e viu como ser útil à sociedade. Hoje estamos vendo o sucesso desta iniciativa", declarou o gestor, que falou também da contribuição da Secretaria Estadual de Saúde no apoio ao programa e do envolvimento de alunos e professores como diferencial.
Durante a abertura, além de apoiadores da iniciativa privada ao PAD, estiveram também presentes o subsecretário de Estado de Contratualização em Saúde, Heber Lauar, e a subsecretária de Estado de Atenção à Saúde, Carolina Sanches, representando a Secretaria Estadual da Saúde do Espírito Santo.
Estudante vira entusiasta do programa
O estudante de Medicina Caio Lino Veríssimo é um exemplo de estudante envolvidos na atividade. Ele está no 12º período do curso na Ufes e desde o sexto período compõe a equipe do PAD, ande atua hoje como monitor chefe de Dermatologia. Ele lembra que são mais de 2 mil atendimentos por ano, com cerca de 1.500 procedimentos cirúrgicos e mais de 7 mil crioterapias (tratamento com nitrogênio líquido que congela e destrói lesões), mas afirma que o PAD é muito mais que os números que comporta.
“O PAD não se limita apenas a quantas pessoas são atendidas ou submetidas a procedimentos. A população dos municípios atendidos conta com um grande enriquecimento cultural em relação aos cuidados com a pele e fotoproteção. Durante as viagens do PAD, atendemos pais, filhos, avós, vizinhos, famílias inteiras que saem de suas casas e incentivam seus conhecidos a zelar pela sua saúde. Em outras palavras, eu acredito que o PAD não somente trata os pacientes, mas também promove a saúde deles através da criação de um consciente coletivo de autocuidado”, afirma.
Segundo ele as ações acontecem em viagens mensais durante fins de semana, com uma equipe de médicos, estudantes de Medicina, enfermeiros e voluntários de várias instituições colaboradoras. “Além de ser um serviço de saúde essencial, o PAD também se consolidou como importante parte da história e da cultura do Espírito Santo”, entusiasma-se Caio.
O professor voluntário da Ufes e cirurgião plástico do PAD, via Sesa, Renan Roldi Rossoni, confirma este impacto na comunidade. Segundo ele, os agentes de saúde treinados fazem uma busca ativa na comunidade e atendem a demanda espontânea por parte dos pacientes com lesões suspeitas ou precursoras de câncer de pele, geralmente relacionadas à exposição à luz solar.
“As secretarias municipais de saúde ficam responsáveis pela captação e agendamento. Já no PAD Vitória, realizamos uma triagem com pacientes encaminhados de diversos municípios do Estado, geralmente com guias provenientes das unidades básicas de saúde. Os atendimentos acontecem às terças e quintas-feiras, a partir das 13 horas, no ambulatório de cirurgia plástica do Hucam”, explicou.
Renan Rossoni disse que após a suspeita de lesão cancerígena, o tratamento mais comum é a remoção cirúrgica. As cirurgias podem variar desde excisões simples com sutura direta até reconstruções mais complexas com retalhos ou enxertos. Em média, cada procedimento dura de 30 a 40 minutos, com recuperação rápida. Os pontos são retirados em cerca de dez dias e o resultado da biópsia costuma ficar pronto em até um mês. São inúmeros exemplos de pessoas beneficiadas com o programa.
“Um caso clássico foi o de uma senhora idosa que se queixava de uma ‘espinha’ no nariz que nunca cicatrizava. Ao exame físico, a lesão era compatível com um carcinoma basocelular. Realizamos a cirurgia, e em menos de duas semanas ela já estava totalmente recuperada. A biópsia confirmou o diagnóstico e mostrou que a lesão foi removida por completo”, afirma o médico.
Segundo ele, existem tipos de câncer de pele menos agressivos e outros mais graves, como o melanoma, que pode ser fatal. Em todos os mutirões encontramos lesões suspeitas dos principais tipos. “Com o trabalho contínuo do PAD ao longo dos últimos anos, temos observado diagnósticos cada vez mais precoces e, com isso, altos índices de cura”, afirma.
Os cânceres de pele representam cerca de 30% de todos os casos de câncer no Brasil. No Espírito Santo, essa proporção é ainda maior, chegando a aproximadamente 40%. Os principais grupos de risco incluem pessoas de pele clara e profissionais com exposição solar ocupacional, como lavradores, pescadores e trabalhadores da construção civil. A principal forma de prevenção é a fotoproteção: uso de protetor solar, roupas com proteção UV, chapéus e evitar exposição ao sol entre 10 e 16 horas.
Pacientes relatam mudança de vida após atendimento no PAD
A moradora de João Neiva Maria Conceição Montovani é uma das pacientes do programa. Ela ficou sabendo do PAD por meio de uma amiga e já vem sendo acompanhada há 18 anos pela equipe. “Já fiz várias cirurgias e agora vou passar por uma nova avaliação e participar deste mutirão. A expectativa é a melhor possível, porque se a gente deixar a doença toma conta da gente e é bom saber que tem esse pessoal toda para cuidar da gente”, afirma.
Quem também se prepara para um reencontro com a equipe do PAD é Paulino Bravim, que faz acompanhamento para tratamento e remoção de lesões e agradece pela existência do programa. “A gente quando é novo não sabe do que vai acontecer, toma muito sol, muita pescaria e agora paga pelo que aconteceu no passado. Aí o resultado vem depois, mas hoje tem atendimento”, afirma.
Andreia Stork, de Itaguaçu, é outra paciente que esteve no Hucam para uma consulta e vai marcar uma nova cirurgia. “Há 12 anos atrás eu descobri uma lesão e por coincidência o PAD estava no município. De lá para cá, eu sempre faço acompanhamento com o PAD uma vez por ano no meu município. E nesse ano de 2025 foram 3 biópsias que deram positivo e hoje estou aqui para tratar”, disse.
Segundo ela, o atendimento profissional é fundamental. “Quando tem alguma desconfiança, o primeiro passo é procurar um médico porque quanto antes você começar o tratamento, melhor. E aqui é um atendimento espetacular. São todos muito bons e muito profissionais. Espero que agora tudo dê certo e eu vou continuar fazendo acompanhamento com eles, com os profissionais do PAD”, afirma.
De acordo com a equipe do PAD, após a cirurgia, os pacientes seguem o acompanhamento em seus municípios de origem e apenas casos que exigem um cuidado mais próximo retornam ao ambulatório do Hucam. Os que necessitam de atenção adicional são reconvocados e os pacientes com lesão tratada têm seus laudos enviados ao município para seguimento local.
Saiba mais
O Programa de Assistência Dermatológica da Universidade Federal do Espírito Santo (PAD-Ufes), começou em 1987, quando professores e alunos perceberam que havia muitos casos de câncer de pele entre os descendentes de pomeranos em cidades do interior do Espírito Santo. Como essas pessoas, em geral, tinham baixa renda e dificuldade de acesso a tratamento, o grupo decidiu levar o atendimento dermatológico de Vitória para onde essas comunidades moravam.
O PAD atua em quatro áreas principais que se complementam. A frente de dermatologia realiza o atendimento clínico e a triagem de todos os pacientes, prescrevendo tratamentos tópicos, realizando crioterapias e encaminhando aqueles com necessidade cirúrgica. A cirurgia plástica fica responsável por procedimentos cirúrgicos de pequeno e médio porte a nível ambulatorial, focados na remoção de lesões suspeitas ou malignas. Já a patologia analisa as biópsias das lesões retiradas durante os mutirões, contribuindo para o diagnóstico final.
Por fim, a área de tecnologia da informação, conhecida como PADTECH, cuida da parte digital do projeto, como o sistema de gerenciamento dos dados dos pacientes e, mais recentemente, a elaboração de um sistema de diagnóstico de lesões de pele através de um aplicativo alimentado pelo nosso banco de dados. Há ainda, toda a equipe multiprofissional envolvida.
Rede Ebserh
O Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde abril de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Sinval Paulino e Duilo Victor
Coordenadoria de Comunicação Social