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21 DE SETEMBRO
Dia Mundial do Alzheimer reforça a importância do tratamento à doença
Brasília (DF) – Paulo Roberto Carvalho, 86 anos, foi diagnosticado com Alzheimer há três anos, em Belo Horizonte, cidade onde vive, pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), unidade filiada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), cujo Serviço de Geriatria atende cerca de mil pessoas por mês. “Ele toma remédios regularmente e vai a cada três meses ao HC-UFMG, para consultas e exames. O atendimento é muito bom, a equipe muito qualificada”, conta Inês Carvalho, irmã do paciente. Em 21 de setembro é comemorado o Dia Mundial do Alzheimer.
A doença atinge, em geral, pessoas idosas. O primeiro sintoma, via de regra, é a perda progressiva e irreversível de memória, porém com relativa preservação da lembrança de episódios antigos. Em seguida, alcança a linguagem, quando o paciente passa a ter dificuldade para encontrar palavras, dar nome a objetos, podendo chegar à depressão e à agressividade. “Meu irmão ainda tem um pouco de independência, consegue fazer algumas coisas e lembra das pessoas à sua volta. Chegou a ficar um pouco agressivo, mas sua médica aumentou a dose de um dos remédios e ele melhorou”, enfatiza Inês.
Os remédios utilizados no tratamento, cuja maior parte é distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS), podem estabilizar temporariamente a progressão da doença, garantindo a manutenção das funções cerebrais por mais tempo e possibilitando maior qualidade de vida aos pacientes e cuidadores. “O tratamento se dá por meio de medicamentos específicos ou dirigidos para as alterações comportamentais e psicológicas”, explica João Coelho Filho, coordenador do Serviço de Geriatria do Centro de Atenção ao Idoso do Hospital Universitário Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará (HUWC-UFC), unidade da Rede Ebserh localizada em Fortaleza, que acompanha cerca de 1.600 pessoas com a doença.
Além dos medicamentos, é importante que o paciente se submeta a uma rotina de atividades físicas e cognitivas, como fisioterapia, musicoterapia, leitura, entre outras, de forma a evitar a atrofia muscular e manter a amplitude das articulações, bem como estimular a memória e a compreensão. O atendimento deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, composta por assistente social, farmacêutico, odontólogo, psicólogo, fisioterapia e enfermeira, como relata Marco Polo Freitas, chefe do Centro Multidisciplinar do Idoso do Hospital Universitário de Brasília da Universidade de Brasília (HUB-UnB), unidade hospitalar que também compõe a Rede Ebserh e que acompanha por volta de mil portadores da doença. “O paciente é acolhido pela equipe multiprofissional, que faz a Avaliação Multidisciplinar e elabora o Plano Terapêutico”, explica.
No Brasil, cerca de 900 mil pessoas são portadoras da doença, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). Em todo o mundo, 15 milhões de pessoas são acometidas pelo problema. O diagnóstico ocorre por meio de uma consulta médica, acompanhada de testes cognitivos, como recorda Iris Oliveira, filha de Vicência Oliveira, diagnosticada com Alzheimer há 11 meses, no HUWC-UFC. “Fizeram umas perguntas à minha mãe, pediram para ela fazer desenhos”, conta.
O aspecto clínico do diagnóstico é reforçado por Nezilour Rodrigues, geriatra do Ambulatório de Geriatria de Hospital Universitário João de Barros Barreto, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (HUJBB-UFPA), localizado em Belém. “O diagnóstico baseia-se principalmente na história do paciente e testes de rastreio da função cognitiva, seguindo o protocolo do Ministério da Saúde”, explica a médica da unidade filiada à Ebserh que atende, por mês, cerca de 150 portadores de Alzheimer.
O paciente também deve fazer outros exames, como enfatiza Marco Tulio Gualberto, geriatra do Serviço de Geriatria do HC-UFMG. “Nem todo esquecimento é Alzheimer. Existem muitas doenças que se assemelham, por isso são solicitados exames laboratoriais para se excluir outras doenças” explica.
Sobre a Ebserh
Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Ebserh administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh