Notícias
JUVENTUDE
Cuidados em saúde são essenciais para o desenvolvimento de adolescentes e jovens
Na abordagem a jovens e adolescentes é necessário o envolvimento de uma equipe interdisciplinar. Imagem ilustrativa: Freepik.
Nesta reportagem, você vai saber mais sobre:
Brasília (DF) – Para o Ministério da Saúde (MS), adolescentes e jovens, pessoas na faixa etária entre 10 e 24 anos, exigem novos modos de produzir saúde. O atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS) a essa população envolve não só uma abordagem direcionada ao problema de saúde, mas também uma assistência ampla, baseada nos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Neste dia 22 de setembro, em que é celebrado o “Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens”, especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) falam sobre os problemas que afetam a saúde desse grupo social em fase de transformações psicobiológicas.
A médica ginecologista Érika Krogh, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), que atua com foco no atendimento infantojuvenil, explica que, na abordagem a esse paciente, é necessário o envolvimento de uma equipe interdisciplinar como médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e profissionais de Educação Física. Além disso, esclarece que, nessa assistência, devem ser trabalhadas questões de prevenção, promoção da saúde, cuidados com doenças sexualmente transmissíveis, orientação sobre vacinas, alimentação adequada, sono e atividade física.
Atividades que prejudicam a saúde do jovem e do adolescente
Alguns problemas estão ligados ao uso excessivo de telas, exposição em redes sociais, obsessão por seguir trends - mesmo sendo perigosas -, ausência de suporte familiar e hipersexualização, é o que informa a médica residente em Pediatria do Hospital Universitário Alcides Carneiro da Universidade Federal de Campina Grande (HUAC-UFCG), Josyanneyde Dheyme Rodrigues. Para um desenvolvimento saudável dos jovens, a pediatra recomenda a prática de exercício físico, a redução do tempo de uso de telas e manter relações interpessoais consolidadas.
Eric Oliveira, paciente de 16 anos em tratamento no HUAC-UFCG, reconhece que deixar um pouco o celular de lado, encontrar e conversar mais com os amigos e familiares e praticar algum esporte é fundamental. “Também devemos dormir bem, ter uma alimentação balanceada e cuidar da nossa saúde mental. Converso muito com meus pais para esclarecimento de alguma dúvida ou curiosidade da adolescência. Isso também é importante”, completa Eric. O jovem ainda evidencia que alguns pais também ficam muito tempo utilizando o celular e com isso, são exemplos negativos para os filhos.
Josyanneyde também aponta que comparações constantes com outras pessoas e exposição desregulada a conteúdos impróprios nas redes sociais afetam os jovens. Porém, frisa que proibir o adolescente de realizar algo somente o encoraja a fazer o contrário, por isso, considera importante que, preferencialmente desde cedo, sejam ensinados como utilizar a internet de forma segura.
“É necessário que pais ou responsáveis identifiquem sinais de alerta e pessoas que apresentam comportamentos predatórios nas redes sociais. Devem lembrar os jovens de que nessas redes só é postado o que é considerado ‘fácil e perfeito’. É preciso ensiná-los a fazer uma leitura crítica do que é exibido”, destaca a médica.
Saúde sexual e reprodutiva
Como os profissionais de saúde podem abordar questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva de forma sensível e eficaz? A médica Érika Krogh afirma que o primeiro ponto é ter um profissional capacitado e que tenha empatia com o adolescente que o acolha sem julgamentos. “Não posso impor, na consulta, as minhas concepções pessoais, religiosas ou familiares”, enfatiza.
Orientar sobre o funcionamento dos corpos feminino e masculino e as variações que cada um tem no processo da puberdade também é estratégia de promoção da saúde sexual e reprodutiva. Érika Krogh completa que esse conhecimento é importante para que, desde cedo, o adolescente entenda os limites do toque, bem como suas consequências. Ela frisa que a educação sexual deve ser contínua e evolutiva, conforme o amadurecimento do jovem.
“Escolas e centros comunitários são importantes para esse trabalho educativo. Adolescentes com mais conhecimento também podem ser multiplicadores”, completa a médica. Outra estratégia é o acesso dos adolescentes aos meios de prevenção de doenças, como camisinhas, e a métodos contraceptivos. Para ela, campanhas educativas veiculadas em diversos meios são importantes, assim como estimular a participação da família nessa orientação.
Gravidez na adolescência
Segundo o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), gerido pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, atualmente, 12% dos partos são realizados por mães adolescentes.
Érika Krogh aponta que houve uma diminuição dos casos, mas os números continuam muito além do desejado. Por isso, ela comemora a liberação da aplicação via SUS do DIU hormonal e do Implanon, um implante subdérmico contraceptivo. “Esses métodos são extremamente eficazes na prevenção. Seu efeito dura de três a dez anos e será uma ótima estratégia de redução da gravidez na adolescência”, aponta a médica.
Serviços em alguns hospitais da Ebserh
No HU-UFMA, a orientação sobre prevenção de gravidez na adolescência é feita no ambulatório de atendimento às crianças e adolescentes. O HUAC-UFCG disponibiliza cuidados de média e alta complexidade, internação hospitalar, cirurgias pediátricas, exames de imagem e laboratoriais e ambulatório com dez especialidades voltadas para crianças e adolescentes até 18 anos.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) possui um serviço de consultas especializadas em Hebiatria, uma subespecialidade da Pediatria direcionada aos adolescentes. A assistência é prestada no Ambulatório de Atendimento Integrado à Vida-Infância (AII), para adolescentes de até 18 anos que tenham sido vítimas de violência sexual, e no Centro de Atenção Integrada em Saúde (Cais), por meio de parceria entre a UFTM e a Prefeitura de Uberaba, para atendimentos em medicina da adolescência.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Reportagem: Rosenato Barreto com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh