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CIÊNCIA
Pesquisadoras da Rede Ebserh transformam o cuidado e fortalecem o SUS
Brasília (DF) – Uma pesquisa que busca encurtar o caminho para o diagnóstico de doenças raras, uma nova droga para combater a hanseníase, medicamentos para formas raras de esclerose múltipla, a mudança de hábitos na prevenção do diabetes. Na semana em que se celebra o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência (11/02), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) destaca o trabalho de pesquisadoras que estão transformando a assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da ciência.
Pesquisa busca encurtar caminho para diagnóstico de doenças raras
No Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), a médica geneticista Isabella Monlleó lidera um estudo inédito no Brasil em parceria com duas universidades espanholas. A pesquisa, contemplada no Programa de Pesquisas para o SUS 2025, busca identificar traços faciais e de desenvolvimento capazes de auxiliar no diagnóstico levando em conta a diversidade genética brasileira.
Na prática, são obtidas fotografias faciais que geram modelos 3D usados para obter medidas precisas da face. Essas medidas variam de uma síndrome genética para outra e com a ancestralidade. A ideia é desenvolver e treinar algoritmos capazes de reconhecer essas variações e sugerir diagnósticos para que o médico tenha um ponto de partida, reduzindo o tempo e os custos para obter um diagnóstico genético preciso.
“Treze milhões de pessoas vivem com doenças raras no Brasil e esperam, em média, cinco anos e meio para ter um diagnóstico. Encurtar esse tempo permite direcionar o tratamento corretamente e prevenir complicações, reduzindo desigualdades e promovendo a equidade no SUS”, explica a pesquisadora.
Inovação no combate à hanseníase
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) integra um importante estudo clínico, em parceria com o Brasil e a Índia, que avalia um novo tratamento para a hanseníase multibacilar (forma contagiosa da doença). Coordenada no estado pela dermatologista Ana Lúcia França, a pesquisa testa a eficácia e a segurança de uma nova droga, que poderá diminuir o tempo de tratamento atual das formas multibacilares.
O objetivo é comparar o novo esquema terapêutico com o tratamento padrão atual. “Se os resultados forem positivos, poderemos reduzir o tempo de tratamento de 12 para 6 meses”, afirma a médica. “Isso significa menos efeitos adversos, maior chance de adesão ao tratamento e esperança de uma qualidade de vida muito melhor para os pacientes, evitando sequelas incapacitantes”, completa.
Mudança no estilo de vida pode ajudar a prevenir diabetes
No Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), a enfermeira Luana Soares conduz um estudo clínico que coloca a mudança de hábitos no centro do combate ao diabetes. A pesquisa, patrocinada pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, avalia a efetividade do programa Proven-Dia, que orienta pessoas com pré-diabetes.
O estudo acompanha, por três anos, grupos que recebem suporte presencial individualizado, por teleconsulta ou com consultas mais espaçadas. “A ideia é traçar metas em conjunto com o participante. Existem evidências de que atividade física e alimentação saudável reduzem a glicose no sangue. Não adianta só medicar se o estilo de vida não mudar”, explica Luana.
Medicamentos para formas raras de esclerose múltipla
O Centro de Referência e Investigação em Esclerose Múltipla (Criem) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) realiza três ensaios clínicos para as formas primariamente e secundariamente progressivas da doença, consideradas mais raras. As pesquisas, conduzidas pela neurologista Denise Sisterolli, testam medicamentos com um mecanismo de ação inédito, que atua na imunidade inata.
“As pesquisas clínicas fase 3 e 4 são muito importantes pela possibilidade de oferecer opções terapêuticas aos pacientes que têm doença grave e que não possuem acesso a estes tratamentos a não ser através da pesquisa clínica”, enfatiza a coordenadora. Ela ressalta que esses estudos são cruciais para pacientes que não responderam ou não toleram os tratamentos já disponíveis.
O futuro da ciência
A iniciação científica também é território fértil para o talento das mulheres. Aos 19 anos, Maria Clara Cavalcante Campos, estudante do 3º período de Medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIC), desenvolve uma pesquisa no Hospital Universitário (HU-UFRR).
Sob orientação de uma pesquisadora, Maria Clara investiga a correlação entre os fatores climáticos de Boa Vista e as ocorrências de doenças respiratórias atendidas no hospital. “Analiso prontuários e comparo com dados do clima para ver se em meses específicos há mais casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou outras doenças. É minha primeira experiência na pesquisa e estou rodeada de mulheres inspiradoras. Quero muito continuar nesse caminho”, conta a jovem pesquisadora.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Paulina Oliveira, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh