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ANEMIAS E LEUCEMIAS
Campanha Junho Laranja destaca prevenção e tratamento de doenças sanguíneas
Nesta reportagem, você vai ver:
Brasília (DF) – O compromisso do Sistema Único de Saúde (SUS) com a prevenção, diagnóstico e tratamento da anemia e leucemia tem avançado. A atuação dos hospitais universitários da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é um recorte efetivo de como isso tem acontecido, seja por meio do profissionalismo ofertado nos serviços hospitalares ou de estudos que aprimoram ou apresentam novos caminhos para o combate a essas condições que afetam a saúde sanguínea dos pacientes.

A campanha Junho Laranja promove conscientização a respeito da anemia e da leucemia, que acometem milhares de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza a anemia como uma condição em que os níveis de hemoglobina no sangue são inadequados, geralmente devido à insuficiência de ferro ou outros nutrientes indispensáveis, como zinco, vitamina B12 e proteínas.
“Os principais sintomas são cansaço, fadiga, indisposição, sonolência, queda de cabelo, unhas fracas, e a gente pode apresentar alguns sintomas como alteração do paladar, vontade intensa de comer barro ou carne (picofagia)”, explica Yuri Lopes Nassar, médico hematologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA/Ebserh).
Segundo o especialista, a prevenção das anemias causadas por deficiências nutricionais, como a falta de ferro e vitaminas, depende de uma alimentação adequada, com o consumo de carnes vermelhas ou folhas verdes escuras. Além disso, ele destaca a importância da prevenção por meio de diagnóstico precoce, recomendando a realização de exames como o hemograma ao menos uma vez por ano. Informações reforçadas por Camila Cancela, pediatra do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG/Ebserh).
“No caso das anemias carenciais, que são por falhas de alguns nutrientes, a gente pode prevenir fazendo uma alimentação adequada, uma suplementação de ferro na infância, o próprio aleitamento materno é uma forma de prevenir a anemia por falta de ferro. Em relação às outras doenças, principalmente autoimunes, doenças crônicas, muitas vezes a gente não consegue fazer essa prevenção, a gente faz o tratamento no momento oportuno”, diz Camila.
Os tipos de anemias
De acordo com a OMS, cerca de 30% da população mundial sofre com algum tipo de anemia: megaloblástica, talassemia, aplásica, hemolítica autoimune ou por inflamação. A mais comum é a anemia ferropriva, ocasionada pela falta de ferro e corresponde a cerca de 90% dos casos. O ferro tem papel essencial na produção das hemácias e no transporte de oxigênio para todas as células do corpo.
Um outro tipo de anemia bastante conhecido é a falciforme, que é uma condição hereditária em que os glóbulos vermelhos do sangue sofrem um processo de deformação, assemelhando-se a foices ou meia lua, por isso o nome falciforme. Essa é uma condição mais comum entre a população negra. Segundo informações do Ministério da Saúde, essa doença atinge cerca de 8% dessas pessoas, entre pardas e pretas.
A luta contra a leucemia
A leucemia, por sua vez, é um câncer que começa na medula óssea – região responsável pela produção de sangue. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, anualmente, no período de 2023 a 2025, deverão ser registrados mais de 11.540 novos casos de leucemia no Brasil.
O Instituto Nacional de Câncer informa que a leucemia ocorre por meio de mutação genética em uma célula sanguínea imatura, fazendo com que ela se transforme em uma célula cancerosa. Diferente das células normais, essa célula alterada se prolifera rapidamente e possui uma resistência maior à morte celular. Com o tempo, essas células anormais substituem as células saudáveis na medula óssea, comprometendo suas funções.
Existem diversos tipos de leucemia e elas são classificadas de duas formas: aguda ou crônica, dependendo da velocidade em que as células doentes se manifestam no organismo. “A leucemia aguda é o tipo de câncer mais comum entre crianças e adolescentes”, destaca a pediatra Camila Cancela. A especialista informa que o HC-UFMG integra o Programa Aliança AMARTE, que reúne centros de saúde para aprimorar o diagnóstico e tratamento do câncer infantojuvenil.
A causa da leucemia ainda é desconhecida pela Ciência, mas se sabe que fatores genéticos e ambientais (como exposição à radiação ou substâncias cancerígenas) podem influenciar o surgimento desse tipo de câncer.
“Diante de um paciente com suspeita de leucemia, o exame que vai fazer a confirmação dessa doença é o aspirado de medula óssea (mielograma), e nesse exame a gente vai coletar material da medula óssea pra poder fazer várias análises”, detalha a pediatra Camila Cancela. Ela também explica que, após a coleta, analisam-se as características das células, além do exame de imunofenotipagem, que detecta marcadores e define a linhagem da leucemia, fator que pode influenciar o tratamento. Também é feita uma análise genética para avaliar fatores de risco relacionados ao prognóstico do paciente.
Caminhos de cura e reconhecimento
Em relação ao tratamento adequado, Fernando Barroso, chefe da Unidade de Hematologia e Hemoterapia do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC/Ebserh), diz que a escolha vai depender do tipo de leucemia diagnosticada e destaca um procedimento que tem salvado muitas vidas e colocado o CH-UFC em lugar de destaque na saúde nacional. “Nas leucemias agudas, e mesmo na anemia aplástica, é muito importante o acesso ao transplante de medula óssea (TMO)”, esclarece.
O transplante substitui células doentes por saudáveis, possibilitando a regeneração do sistema sanguíneo e imunológico, além de aumentar as chances de cura e reduzir o risco de recaídas. O CH-UFC é referência e já realizou 935 transplantes do tipo.
Os excelentes resultados do hospital trouxeram reconhecimento internacional pelo Centro Internacional de Pesquisa em Transplantes de Sangue e Medula Óssea (CIBMTR). “Este ano, fomos agraciados como o melhor serviço fora dos Estados Unidos em 2024”, comemora Fernando Barroso.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Elizabeth Souza, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh