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Combate ao coronavírus

Medidas de apoio ao trabalhador podem alcançar até 80% da população

Estudo do Ipea mostra que medidas emergenciais do Governo Federal devem ajudar no enfrentamento ao coronavírus
Publicado em 08/05/2020 15h40 Atualizado em 08/05/2020 20h17
Medidas emergenciais do Governo Federal podem alcançar 80% da população

Ipea divulgou estudo sobre os benefícios emergenciais aos trabalhadores - Foto: Reprodução

Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que 80% dos brasileiros estão em famílias que podem ter acesso a pelo menos um dos benefícios sociais criados pelo Governo Federal durante a pandemia do novo coronavírus: o auxílio emergencial de R$ 600 ou o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm).

O estudo mostra que os outros 20% da população tem fonte de renda estável. Neste grupo estão os aposentados, pensionistas, servidores públicos e ainda quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC). 

O economista do Ipea e um dos autores da pesquisa, Marcos Hecksher, explicou que o estudo mostra quem pode ser alcançado pelas duas medidas do governo. “De cada dez brasileiros, oito moram em domicílios onde alguma pessoa da família é parte do público-alvo de pelo menos uma dessas duas medidas. A cobertura potencial é maior entre as pessoas mais pobres e as que trabalham nas ruas e praças do que entre as mais ricas e as que já trabalhavam em casa antes mesmo da pandemia”, afirmou 

Principais beneficiados 

De acordo com o Ipea, os beneficiários do auxílio emergencial são, principalmente, os trabalhadores autônomos (47,8%), os empregados do setor privado sem carteira assinada (29,7%) e os trabalhadores domésticos sem carteira (12,3%).

No caso do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, 95,1% são empregados formais do setor privado, e 4,9%, trabalhadores domésticos com carteira assinada. 

Resultado do estudo 

A conclusão do estudo é que as duas medidas analisadas não somente têm potencial de atenuar o impacto da crise para uma ampla parcela da população, como também estão desenhadas de forma a atender melhor os menos favorecidos da distribuição de renda no País. 

“A abrangência potencial das medidas sobre os ocupados e os desempregados também se mostrou elevada, o que indica que elas possam ajudar a preservar o capital humano, o capital organizacional das empresas e impedir maiores quedas da produtividade quando a economia começar a se recuperar da crise”, registra o texto. 

O economista do Ipea Marcos Hecksher avaliou que a perda de renda pelo desemprego é uma das consequências da pandemia que os benefícios poderão atenuar. “Estimei uma queda da população ocupada de 3,5 milhões de pessoas entre fevereiro e março de 2020. Isso é o dobro da maior queda anterior na série histórica iniciada em 2012”, afirmou. 

A Lei 13.982/20 instituiu o auxílio emergencial para os trabalhadores informais, enquanto a Medida Provisória 936/20 criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, voltado aos trabalhadores formais do setor privado.