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SEGURANÇA NACIONAL

Base Náutica Trarbach é inaugurada no Paraná para combater crime organizado

Local é a primeira atuação interestadual do Programa Vigia e conta com ações conjuntas entre as forças de segurança federal e estaduais do Paraná e Mato Grosso do Sul
Publicado em 11/09/2020 19h48
Base Náutica Trarbach é inaugurada no Paraná para combater crime organizado

A Base Trarbach é a primeira atuação integrada do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia) - Foto: MJSP

Nesta sexta-feira (11), foi inaugurada a Base Náutica Interestadual Trarbach, em Querência do Norte, no Paraná. O evento contou com a participação do ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), André Mendonça. A Base Trarbach é a primeira atuação integrada do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia), um dos projetos estratégicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A base servirá de apoio para ações conjuntas entre as forças de segurança federal e estaduais que atuam no Mato Grosso do Sul e Paraná. “Nós daremos tudo para atender a tudo e a todo o nosso povo”, destacou o ministro durante cerimônia. A Base Trarbach é um projeto conjunto entre os governos federal, estadual e municipal.

Cerca de R$ 48 mil serão investidos mensalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para custear as diárias dos agentes que atuarão nas operações. Segundo o ministro André Mendonça, esse é o primeiro passo.

A Base Trarbach está localizada em área de divisa entre Porto Felício de Querência do Norte (PR) e Porto Caiuá de Naviraí (MS), na faixa de fronteira com o Paraguai. O local é de intensa movimentação de organizações criminosas que atuam no contrabando de cigarro e no tráfico de drogas, segundo o coordenador-geral de Fronteiras da Secretaria de Operações Integradas do MJSP, Eduardo Bettini.

O prédio, onde está localizada a base, foi cedido pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, e a instalação e reforma da edificação foram custeadas pela prefeitura de Querência do Norte, que fará a administração financeira e orçamentária da base.

Soldado Trarbach

O nome da base é em homenagem ao soldado do Exército Brasileiro Daniel Henrique Trarbach Engelmann, que morreu, em maio, aos 19 anos, durante a Operação Hórus de combate aos crimes transfronteiriços no Rio Paraná.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, reconheceu os serviços prestados pelo militar do Exército em serviço à 15ª Companhia de Infantaria Motorizada. “O sangue derramado pelo soldado Trarbach foi a última gota que fez brotar a esperança para essa região. Essa árvore agora começa a nascer. Agradecemos o Exército Brasileiro por mais um de seus homens entregarem sua vida pela Pátria”, disse o ministro.

 Torre de radiocomunicação

Também na cerimônia de inauguração da base, foi entregue a torre de radiocomunicação do sistema digital, que ajudará no intercâmbio de informação entre os agentes que trabalham em operações de combate a ilícitos na região.

A torre digital possui tecnologia capaz de gerenciar chamadas e distribuir, eficientemente, mensagens de tráfego entre os canais disponíveis, e possibilita a conexão via rádio, de forma segura, entre as instituições de segurança pública que atuam na faixa de fronteira paranaense.

Os recursos são do Fundo Nacional Antidrogas (Funad). O investimento foi de R$ 13 milhões e R$ 4 milhões serão destinados à manutenção por até quatro anos. A entrega é uma atuação conjunta entre a Secretaria de Operações Integradas (Seopi) e a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), ambas do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, esse sistema digital não deixa mais as forças de segurança estaduais isoladas. “Se fala por rádio com o Sul e com o Norte, se fala com a Capital Federal e com o Ministério da Justiça”, reforçou. Mendonça ainda agradeceu a oportunidade de ajudar os policiais a servir à Pátria e afirma que é preciso valorizá-los “com condições de trabalho dignas”.

 Programa Vigia

O Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia) atua, desde abril de 2019, no combate a criminalidade organizada e crimes de divisas. É coordenado pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi) e conta com a atuação integrada entre as forças de segurança dos estados.

Com o objetivo de impedir a entrada de armas, drogas, cigarros e produtos contrabandeados no Brasil, pelos cerca de 16 mil quilômetros de fronteira, o programa está com operações em andamento nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, além das divisas do Tocantins e Goiás.

A proposta principal do Vigia é a prevenção e repressão, com o intuito de fortalecer o enfrentamento à criminalidade, com enfoque em organizações criminosas, tráfico, corrupção, contrabando, descaminho, crimes contra a propriedade intelectual, lavagem de dinheiro e atuação na faixa de fronteira e nas divisas de estados, com o uso de metodologias modernas de gestão e governança. Os pilares do programa são: operações integradas (Operação Hórus), aquisição de equipamentos, capacitações e bases operacionais com integração de sistemas.

Balanço

O Paraná foi o primeiro estado a receber atuação permanente do Vigia. Segundo Ministério da Justiça e Segurança Pública, de maio do ano passado a agosto de 2020, a Operação Hórus, um dos eixos do Programa, causou um prejuízo de mais de R$ 377 milhões às organizações criminosas. Foram apreendidas quase 78 toneladas de drogas, mais de 53 milhões de maços de cigarros, 568 veículos e 116 embarcações roubados foram recuperados. Isso gerou uma economia de mais de R$ 256 milhões aos cofres públicos.

Já no Mato Grosso do Sul, a Operação Hórus começou a atuar em setembro de 2019. Até agosto de 2020, a atuação contribuiu para o prejuízo de R$ 678 milhões ao crime organizado e evitou o prejuízo de R$ 113 milhões aos cofres públicos. Além disso, houve a apreensão de 426 toneladas de drogas, 153 armas, mais de 10 mil celulares, 54 embarcações e 1.495 veículos.