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Operação Acolhida: Abrigo Pintolândia preserva a cultura indígena

Cerca de 560 refugiados indígenas venezuelanos habitam o abrigo
Publicado em 07/01/2020 17h16 Atualizado em 08/01/2020 12h15
Operação Acolhida: Abrigo Pintolândia preserva a cultura indígena

- Foto: Ministério da Defesa

Um galpão repleto de redes ao lado de uma oca, demonstra que aquele local é um abrigo diferente dos demais 10 localizados em Boa Vista, capital de Roraima. Cerca de 560 refugiados indígenas venezuelanos habitam o local. Cabelos lisos, pele queimada do sol, mulheres produzindo artesanato, crianças pelo chão brincando com tampas de garrafa pet e outras sucatas. O abrigo Pintolândia conta, ainda, com uma quadra onde os indígenas podem jogar vôlei e um espaço para as artesãs exporem e venderem seus trabalhos. Localizado no bairro de mesmo nome, foi estruturado de modo a manter a cultura desses imigrantes.

Em uma pequena sala é oferecido atendimento médico, providenciado por Organizações Não Governamentais. Durante o dia, os militares trabalham em parceria com essas agências. Diversos são os serviços oferecidos, como assistência psicológica e nutricionista.

“Atuamos em sinergia, unindo forças para um resultado maior”, diz o capitão Francisco Nunes, que trabalha no local.

Nesse abrigo moram refugiados das etnias Eñepa e Warao. Diferente de outros abrigos, que só recebem refeições prontas, os indígenas também podem preparar seus próprios alimentos, como as arepas – prato tradicional indígena da Venezuela, Colômbia e Panamá.

O Tenente-Coronel Marcelo Noronha é Coordenador Geral dos abrigos de Boa Vista. Ele é responsável pelos onze abrigos, nos quais escuta os mais diversos relatos dos refugiados.“Essa operação é muito impactante no sentido de que todo dia temos uma história diferente no convívio diário com os venezuelanos. São pessoas que deixaram sonhos para trás sem perspectiva nenhuma para reconstruir suas vidas”, relata.

Uma situação que comoveu muito o militar foi quando esteve em Pacaraima, município da fronteira entre Brasil e Venezuela, e um menino lhe pediu um abraço. Na conversa, o coronel soube que o jovem, de 14 anos, não tinha nem pai e nem mãe. Ele caminhou por trilhas, com outros venezuelanos, por cerca de dez dias, até chegar à fronteira com o Brasil.

“Cada abrigo que eu visito eu já tenho um parente: um sobrinho, um irmão. É muito gratificante. E posso afirmar que o pouco que nós temos é muito. Isso aqui é um ensinamento para a vida toda”, garante o Tenente-Coronel.

 Com informações do Ministério da Defesa