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Direitos humanos

Mais de 900 crianças venezuelanas foram reconhecidas como refugiadas neste ano

Desde 2019, mais de 3 mil crianças venezuelanas obtiveram o reconhecimento pelo Comitê Nacional para Refugiados, da Secretaria Nacional de Justiça
Publicado em 17/05/2021 14h32 Atualizado em 17/05/2021 14h45

A vinda de venezuelanos ao Brasil em busca de uma vida melhor trouxe famílias inteiras e, com elas, centenas de crianças. Apenas neste ano, cerca de 900 crianças venezuelanas tiveram reconhecida a condição de refugiadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde 2019, mais de 3 mil crianças venezuelanas obtiveram o reconhecimento.

O cenário de violação de direitos humanos no território venezuelano foi reconhecido pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare), da Secretaria Nacional de Justiça, em junho de 2019. A decisão é fundamental para a concessão de refúgio.

O secretário Nacional de Justiça, Cláudio Castro Panoeiro, destacou a importância de reconhecer como refugiadas as crianças venezuelanas que estão no Brasil. “Por um lado, reafirma os compromissos do nosso país no cenário internacional no que diz respeito à proteção de crianças e adolescentes. Por outro, assegura a esses indivíduos a possibilidade de um recomeço, de uma nova vida na nossa terra.”

O processo

O Conare reconhece a condição de refugiado em votação individualizada e em bloco no colegiado para tornar mais ágil o processo. Cada caso é instruído com um parecer elaborado por um servidor público do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Esse parecer é feito a partir de entrevista com o solicitante da condição de refugiado, pesquisa de país de origem e demais elementos apresentados para a comprovação de fundado temor de perseguição no país de origem.

Operação Acolhida

Em 2018, o Governo Federal criou a Operação Acolhida para receber os migrantes e refugiados venezuelanos. A operação é baseada em três pilares, que são acolhimento, abrigamento e interiorização.

Dados atualizados até o dia 27 de abril mostram que mais de 265 mil migrantes e refugiados venezuelanos solicitaram regularização migratória. Mais de 400 cidades brasileiras já os receberam por meio do processo de interiorização, que oferece oportunidades de inserção socioeconômica.

De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil tem se tornado referência mundial de acolhimento a refugiados, em parceria com entidades como a Agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Refugiado

Em junho de 2019, O Comitê Nacional para Refugiados reconheceu o cenário de grave e generalizada violação de direitos humanos na Venezuela. Com a decisão, é possível conceder o refúgio.

O refugiado é aquele que está fora do país de origem devido a fundados temores de perseguição relacionado a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um grupo social específico ou opinião política e não podem ou não querem valer-se da proteção do próprio país. Ainda segundo o Ministério da Justiça, também são considerados refugiados aqueles cidadãos obrigados a abandonar o país de nacionalidade devido a grave e generalizada violação de direitos humanos.