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CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
MMA leva à Semana do Clima de Nova York agenda sobre financiamento de florestas tropicais e crimes ambientais
Florestas tropicais regulam o clima, preservam a biodiversidade e sustentam o ciclo das águas - Foto: Bruno Bimbato/ICMBio
O Reino Unido formalizou na quarta-feira (23/9), em Nova York, o investimento de £400 milhões, cerca de US$540 milhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A ministra para a Transição Climática do Reino Unido, Katie White, apresentou o compromisso no Nature Hub da Semana do Clima de Nova York, ao lado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da ministra do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Sigrun Aasland, cujos países copresidem o fundo. Também participaram o ministro de Recursos Naturais da Guiana, Vickram Bharrat, e o secretário-executivo da Aliança Global de Comunidades Territoriais, Juan Carlos Jintiach.
Com o aporte britânico, os compromissos anunciados para o fundo chegam a cerca de US$7,3 bilhões. Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França e Luxemburgo também anunciaram investimentos, assim como a Minderoo Foundation e a The Nature Conservancy. O anúncio brasileiro, de US$1 bilhão, completou um ano no mesmo dia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva o fez nas Nações Unidas em 23 de setembro de 2025 e convidou outros países a participar.
"As florestas tropicais regulam o clima, preservam a biodiversidade, sustentam os ciclos da água e garantem o sustento de milhões de pessoas. Ainda assim, pouco valor econômico foi atribuído historicamente a mantê-las em pé. O TFFF foi criado para mudar isso", afirmou Capobianco.
O TFFF é um mecanismo permanente que fará pagamentos previsíveis, baseados em resultados, a países com florestas tropicais pela conservação e restauração de suas florestas. Com isso, a floresta em pé passa a ser economicamente vantajosa para quem a protege. O fundo também usa capital público para mobilizar investimento privado. Pelo menos 20% dos pagamentos irão diretamente para povos indígenas e comunidades locais. Desde o lançamento formal na COP30, em Belém, os países adotaram a Carta do fundo, o Conselho inicial começou a trabalhar e o fundo de investimento está sendo constituído em Luxemburgo. A iniciativa tem o endosso de 66 países e da União Europeia, que reúnem cerca de 90% das florestas tropicais e subtropicais do mundo.
A meta é chegar a pelo menos US$10 bilhões em compromissos iniciais até o fim de 2026. "Nenhum país, instituição ou setor consegue garantir sozinho o futuro das florestas tropicais", disse o ministro, que convidou governos, instituições filantrópicas, organizações ambientais e investidores a participar.
Financiamento da adaptação
Na terça-feira (22/9), Capobianco participou, na sede das Nações Unidas, do diálogo sobre financiamento da adaptação, um dos diálogos temáticos que o secretário-geral da ONU, António Guterres, promoveu em torno da Cúpula do Clima 2026. Ministros de Indonésia, Jamaica, Senegal, África do Sul, México e Azerbaijão também participaram da sessão, com representantes de fundos climáticos multilaterais.
O ministro defendeu que bancos multilaterais de desenvolvimento e fundos climáticos ampliem doações e recursos concessionais e ofereçam prazos mais longos, garantias e financiamento em moeda local. "O financiamento público não pode ser substituído pelo investimento privado. Ele é fundamental para tornar o investimento privado possível", afirmou.
Segundo Capobianco, o foco precisa sair do financiamento de projetos isolados e passar para programas nacionais coerentes, conduzidos pelos próprios países. "No Brasil, o Plano Clima define as prioridades, e o Fundo Clima, os títulos soberanos sustentáveis e o Eco Invest ajudam a transformá-las em investimento", disse.
Espécies migratórias
Também na terça-feira (22/9), o Brasil, que preside a Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), e a Alemanha, que assumirá a próxima presidência, promoveram na Missão do Brasil junto às Nações Unidas um evento de alto nível sobre a agenda da convenção. Participaram o ministro do Meio Ambiente, da Ação Climática, da Conservação da Natureza e da Segurança Nuclear da Alemanha, Carsten Schneider, o secretário-executivo da CMS, Andy Raine, e o diretor do escritório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em Nova York, Rafael Peralta.
Capobianco também se reuniu com Raine e com Schneider, representando as presidências da COP15 e da COP16 da convenção, para tratar da agenda da CMS nos próximos três anos.
Metas florestais de 2030
Na quinta-feira (24/9), Capobianco abriu, na sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Nova York, o diálogo de alto nível *Closing the Gap Towards the Paris Agreement Global Stocktake Goal of Halting and Reversing Deforestation and Forest Degradation by 2030* ("Fechando a lacuna para a meta do Balanço Global do Acordo de Paris de deter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030"), organizado pelo PNUD, pela Global Optimism e pelo Instituto Igarapé. Cerca de 40 participantes, entre ministros, organismos multilaterais e representantes do setor financeiro, discutiram como acelerar o cumprimento da meta, acordada no Balanço Global do Acordo de Paris, de deter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Participaram representantes de Colômbia, Costa Rica, Equador, Gabão, Indonésia, Noruega, Panamá, Reino Unido e Turquia, que presidirá a COP31. O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, também participou.
"Não partimos do zero", afirmou o ministro, ao apresentar a experiência brasileira. Segundo ele, o desmatamento caiu nos seis biomas brasileiros no último ano. A experiência brasileira está organizada nos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs), que servem de base para o Mapa do Caminho nacional, em elaboração.
Capobianco apontou duas prioridades. A primeira é fortalecer a implementação, com monitoramento orientando a prevenção, a fiscalização e a responsabilização, e com governo federal, estados e municípios atuando em conjunto com povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil. O ministro também defendeu acelerar a restauração, a produção sustentável e o manejo do fogo, já que a mudança do clima deixou as florestas tropicais mais sensíveis aos incêndios.
A segunda prioridade é mudar as condições econômicas que levam à perda de florestas. "A fiscalização é essencial, mas sozinha não torna a conservação e a restauração economicamente viáveis. Precisamos também de regulação clara, incentivos positivos e financiamento", disse. Ele citou os pagamentos por serviços ambientais, as concessões florestais, o mercado regulado de carbono e o Fundo Amazônia, que tem a Noruega como parceira importante, além dos títulos soberanos sustentáveis, do Fundo Clima e do Eco Invest Brasil.
"Precisamos conectar a fiscalização à oportunidade econômica, alinhar o financiamento e sustentar as ações em escala até 2030", afirmou Capobianco.
Crimes ambientais
Também na quinta-feira (24/9), o governo brasileiro reuniu no Zoológico do Central Park ministros e representantes de dez países e da União Europeia para discutir um protocolo adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC), conhecida como Convenção de Palermo, dedicado a crimes que afetam o meio ambiente. A Wildlife Conservation Society (WCS) e a Royal Foundation of the Prince and Princess of Wales organizaram o encontro com o Brasil.
"Precisamos de instrumentos globais que facilitem a extradição, o compartilhamento de inteligência e o confisco de bens das redes criminosas que lucram com a destruição da natureza", afirmou Capobianco.
Na 13ª Conferência das Partes da convenção, de 19 a 23 de outubro, em Viena, o Brasil e um grupo de países de diferentes regiões apresentarão projeto de resolução que decide negociar o protocolo e dá início ao processo negociador.
[Leia a matéria completa](https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias-defeso-eleitoral/brasil-reune-ministros-em-nova-york-para-discutir-protocolo-da-onu-contra-crimes-ambientais-1)
Rio Nature & Climate Week
Na sexta-feira (25/9), Capobianco participou do *RNCW Sessions New York: From Rio to Implementation* ("Sessões RNCW Nova York: do Rio à implementação"), encontro da Rio Nature & Climate Week no Consulado-Geral do Brasil em Nova York. A sessão reuniu 40 convidados de governos, organismos internacionais, povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil para discutir como integrar as agendas de clima, biodiversidade e terra e como fazer o financiamento chegar às soluções locais. Participaram também a secretária-executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica, Astrid Schomaker, o cientista Carlos Nobre e o representante permanente do Brasil nas Nações Unidas, embaixador Sérgio França Danese.
O ministro destacou que as florestas estão no centro das agendas de clima, biodiversidade e terra e que o país precisa alinhar incentivos econômicos e fluxos financeiros à meta florestal. "A política florestal não pode ficar isolada da política econômica. Ministérios da Fazenda, bancos centrais e instituições financeiras têm papel importante para que a conservação e a restauração das florestas gerem valor e reduzam riscos", afirmou.
"A mensagem é simples. Não precisamos de uma nova agenda. Precisamos de continuidade, integração, implementação e recursos para fazer o que já sabemos que precisa ser feito", disse Capobianco.
Reuniões bilaterais
Ao longo da semana, Capobianco teve reuniões bilaterais com ministros da Alemanha, da Noruega, da África do Sul e do Chile e com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, entre outros.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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