3º encontro - Centro Cultural de Milho Verde (16/05)
Terceiro encontro promove diálogo entre políticas públicas e saberes tradicionais

O terceiro encontro aconteceu em Milho Verde, reunindo participantes, pesquisadores, gestores públicos, mestres e detentores de conhecimentos tradicionais. A programação foi dedicada a refletir sobre patrimônio cultural, direitos culturais e inventários participativos.

As atividades tiveram início no Centro Cultural Milho Verde, onde a antropóloga e gestora cultural Joana Corrêa ministrou a segunda aula da disciplina Patrimônios Culturais e Territórios Tradicionais. De forma divertida e com a participação de todos, a turma abriu os trabalhos com uma brincadeira de mímica sobre bens culturais reconhecidos como patrimônio do município. A dinâmica ajudou o grupo a se conhecer melhor e a identificar os patrimônios no território.

Pela manhã, os participantes aprofundaram os conhecimentos sobre as políticas de patrimônio cultural, os processos de inventário e registro de bens culturais e os instrumentos de salvaguarda dos conhecimentos tradicionais. O encontro contou ainda com a chefe do Escritório Técnico do IPHAN no Serro, Roberta Magalhães, e a secretária municipal de Cultura, Turismo e Patrimônio do Serro, e Grasielle Reis, que explicaram o funcionamento do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural e discutiram o papel da participação social para elaborar as políticas públicas de preservação.
Os alunos também conheceram as fichas de inventário participativo utilizadas pelo IPHAN e pelo IEPHA/MG. Elas servirão de base para os levantamentos culturais desenvolvidos ao longo do projeto.

À tarde, a turma foi dividida para atividades de campo conduzidas por mestres e detentores de conhecimentos tradicionais. Um grupo acompanhou a mestra quilombola Clemência Brandão, da Comunidade Quilombola do Ausente, em uma caminhada pelo entorno da Igreja do Rosário, em Milho Verde. Dona Clemência compartilhou memórias sobre os antigos percursos dos enterros de rede até a capela e o cemitério local. Contou histórias, experiências e saberes que fazem parte da memória coletiva das comunidades quilombolas da região.

O outro grupo participou de uma vivência sobre trançados tradicionais de taquara, no Galpão Taquara Rachada. conduzida por Fábio Neves e Tiago Neves. Eles apresentaram técnicas construtivas e artesanais utilizadas nos casarios históricos e nas moradias de comunidades tradicionais e quilombolas. As aulas destacaram a importância desses conhecimentos para a história da ocupação do território, da circulação de mercadorias e dos modos de vida que permanecem até hoje.
O encontro contou ainda com a equipe do projeto Canteiro Modelo, desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o IPHAN. Ela apresentou suas ações à turma e contribuiu para ampliar o diálogo entre patrimônio, pesquisa e preservação.
Ao reunir discussões sobre políticas públicas, metodologias de inventário e experiências de aprendizagem diretamente nos territórios, o terceiro encontro fortaleceu os objetivos do Tramas do Serro de promover a educação patrimonial, valorizar os conhecimentos tradicionais e ampliar a participação das comunidades na identificação, documentação e salvaguarda de seus patrimônios culturais.
Tramas do Serro é um projeto do CNFPC/IPHAN, em parceria com o Coletivo Flor e Ser no Cerrado, destinado a formar líderes de grupos de cultura popular, comunidades detentoras de patrimônios imateriais e comunidades tradicionais na cidade do Serro, em Minas Gerais.
Visa capacitá-los como Agentes Patrimoniais de Cultura para fortalecer saberes, memórias, práticas e pertencimento comunitário em seus territórios.
Crédito das fotos: Michel Becheleni / Rupestre Imagens