História das Ferrovias no Brasil

Publicado em 09/04/2026 16:32Modificado em 14/04/2026 16:39
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A história das ferrovias no Brasil inicia-se em 30 de abril de 1854, com a inauguração, por D. Pedro II, do primeiro trecho de linha, a Estrada de Ferro Petrópolis, ligando Porto Mauá à Fragoso, no Rio de Janeiro, com 14 km de extensão. Mas a chegada da via à 

Petrópolis

, transpondo a Serra do Mar, ocorreu somente em 1886. 

Em São João del Rei (MG), o Museu Ferroviário preserva a história da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, criada em 1872. Seu percurso ligava a cidade de Sítio (atual Antônio Carlos) à Estrada de Ferro D. Pedro II (posteriormente, Central do Brasil), partindo daí para São João del Rei. Com novas concessões, a ferrovia Oeste de Minas se estendeu a outras cidades e ramais, alcançando, em 1894, um percurso total de 684 km, e foi considerada a primeira ferrovia brasileira de pequeno porte. 

As dificuldades e desafios para implantar estradas de ferro no Brasil eram muitos. Procurando atrair investidores, o governo implantou um sistema de concessões, que se tornou característico da política de infra-estrutura do período imperial. Entre o final do século XIX e início do século XX os recursos, sobretudo dos britânicos, alavancaram a construção de linhas férreas.

expansão ferroviária, além de propiciar a entrada de capital estrangeiro no país, tinha, também, o objetivo de incentivar a economia exportadora. Desta forma, as primeiras linhas interligaram os centros de produção agrícola e de mineração aos portos diretamente, ou vencendo obstáculos à navegação fluvial. Vários planos de viação foram elaborados na tentativa de integrar a malha ferroviária e ordenar a implantação dos novos trechos. Entretanto, nenhum deles logrou êxito em função da política de concessões estabelecida pelo governo brasileiro. 

As Ferrovias na República

Um dos planos de viação mais importantes surgiu em 1890, logo após a Proclamação da República. Uma comissão foi encarregada de elaborar diretrizes para a continuidade ao programa de implantação da malha ferroviária brasileira, e ordenar a já existente. A comissão inverteu a situação vigente, onde cada empresa apresentava a proposta do local que lhe interessava se instalar. O governo passou a ser o protagonista do processo. Assim, várias linhas “estratégicas” foram implantadas, como as construídas para a defesa das fronteiras e as que completaram as ligações entre as regiões Sudeste, Nordeste e Sul. 

Durante os primeiros 25 anos do século XX, iniciou-se uma gradual transferência da malha ferroviária para o controle do governo federal. Mas, as mudanças nas relações de produção e consumo, resultantes da 2a. Guerra Mundial, que levaram as lavouras de café, algodão e fumo entrarem em decadência no Brasil, também acarretaram prejuízos para muitas linhas férreas que transportavam esses produtos. Soma-se a essa situação a malha viária com poucos eixos de integração nacional que se configuravam como arquipélagos desconexos. Mesmo assim, o governo federal atuou para equipar, estender e recuperar as linhas entre as várias regiões do país, resultado dos diversos planos viários elaborados. 

Mas, a situação econômica de diversas estradas de ferro controladas pelo governo agravava-se e, em 1952, o Ministro de Estado dos Negócios da Viação e Obras Públicas, Álvaro de Souza Lima propôs, em relatório ao então presidente da República, Getúlio Vargas, “medidas drásticas em relação à melindrosa situação financeira das estradas de ferro, com a constituição, o mais breve possível, da Rede Ferroviária Federal S. A”. Ainda em 1957, o presidente Juscelino Kubitschek assinou a Lei 3.115, criando a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) para administrar as estradas de ferro federais. A RFFSA  - constituída como sociedade de economia mista integrante da administração federal indireta - estava vinculada ao Ministério dos Transportes. 

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