Penedo (AL)
Penedo ergue-se imponente sobre um rochedo às margens do rio São Francisco e conserva um patrimônio artístico e cultural de grande valor, tendo sido palco de importantes acontecimentos do Brasil Colonial. As marcas dos colonizadores portugueses, holandeses e dos missionários franciscanos, podem ser constatadas na arquitetura barroca de conventos e igrejas.
Há, na cidade, edificações neoclássicas e até exemplares de art nouveau do final do século XIX, quando ocorreu seu apogeu econômico, com o renascimento da indústria do açúcar. O conjunto histórico e paisagístico de Penedo abrange a área da margem esquerda do rio São Francisco com o prolongamento do eixo das ruas 15 de Novembro, do Amparo, São Francisco, Nilo Peçanha e Ulisses Batinga, Joaquim Nabuco (antiga rua Santa Cruz), além das avenidas Getúlio Vargas e Duque de Caxias, entre outras.
História
Sua fundação data do início da colonização portuguesa, em 1565. Portugueses, holandeses e franceses deixaram suas marcas no estilo colonial e na arquitetura barroca de seus templos. O núcleo urbano inicial de Penedo desenvolveu-se às margens do rio São Francisco, então marco dos limites ao sul da capitania de Pernambuco, região que sediaria, dois séculos mais tarde, Alagoas.Existem duas versões para a origem do município de Penedo. A primeira, de que a criação do povoado está relacionada a Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, que se aventurou em viagens de exploração do rio São Francisco. A segunda credita essa responsabilidade a seu filho, Duarte Coelho de Albuquerque, que herdou a Capitania e organizou duas bandeiras: uma com destino ao norte de Olinda e outra para o sul, por volta de 1560.
A bandeira que se dirigiu ao sul atingiu o rio São Francisco, entre 1560 e 1565. A primeira sesmaria registrada na região data de 1596, mas acredita-se que o povoado só foi oficialmente fundado a partir de 1613, com o recebimento de uma sesmaria por Cristóvão da Rocha. Em 1636, foi elevada à Vila de São Francisco e, no final do século XVII, passou a ser chamada de Penedo do Rio São Francisco.
Mas mesmo antes de se tornar a Vila de São Francisco, a atividade açucareira crescente favoreceu a construção das capelas de Santo Antônio (1615) e de Nossa Sra. do Rosário dos Pretos (1634). Invadida por tropas holandesas lideradas por Maurício de Nassau, em 1637, para garantir a exclusividade do acesso ao continente pelo rio São Francisco, a vila só voltaria ao domínio português após oito anos, sob o nome de Vila do Penedo do Rio São Francisco. Em 1842, elevada à categoria de cidade, passou a ser chamada apenas Penedo.
Monumentos e Espaços Públicos Tombados
Igreja Nossa Senhora da Corrente, Mercado Público, Pavilhão da Farinha, Casa da Aposentadoria, Igreja de São Gonçalo Garcia, Praça Barão de Penedo, Praça Padre Veríssimo, Praça Rui Barbosa, Rua Dâmaso do Monte, Av. Floriano Peixoto, Adro da Igreja Corrente/prolongamento da Rua 7 de Setembro, Praça Costa e Silva, Rua Dom Jonas Batinga, Rua São Miguel e Orla de Penedo, entre outros.
Convento e Igreja Santa Maria dos Anjos (Convento dos Franciscanos, Residência Maria dos Anjos) - O primeiro convento, fundado em 1661, atendeu aos pedidos dos habitantes da vila. O novo convento começou a ser construído em 1682 e as obras se prolongaram até 1694. No século XVIII, o Convento teve sua arquitetura bastante enriquecida. Os adornos em pedra tem motivos fitomórficos, conchóides e de figuras humanas atarracadas e infantis que criam uma fantasia barroca muito criativa. O exterior do convento é sóbrio seguindo a linha das demais casas franciscanas do Brasil. O interior possui talha do século XVIII, em estilo rococó, onde se conserva a tradição da talha barroca do norte de Portugal.
Igreja de São Gonçalo Garcia (Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos) - A capela primitiva foi construída pelos ermitões e a atual começou a ser construída, em 1758, quando a irmandade se organizou. A fachada e o interior apresentam excelente trabalho de cantaria. As torres foram alteradas e comprometeram o equilíbrio original do monumento, os retábulos neoclássicos possuem talha semelhante aos de Salvador. O lavabo da sacristia, de pedra calcária, apresenta desenho rococó e carrancas usadas nos pedestais das ombreiras da porta principal como nos retábulos protobarrocos espanhóis. O frontispício é trabalhado em pedra com motivos barrocos, os cortes de pequena profundidade lembram a ourivesaria. O altar-mor é em estilo barroco, lateralmente ao arco-cruzeiro, os dois altares de canto são em estilo neoclássico e os quatro altares colaterais são semelhantes à talha neoclássica de Salvador.
Igreja de Nossa Senhora da Corrente (Igreja dos Lemos) - Com um exterior típico das igrejas da época, chama a atenção pela unidade de decoração do seu interior. Destacam-se os retábulos em estilo neoclássico, de influência baiana e decorados à imitação de mármore, a pintura do forro da capela-mor em tons vermelhos e azuis escuros, os púlpitos finamente entalhados, e a azulejaria de fabricação lisboeta de mesmo artista que fez os azulejos do antigo convento dos Loios, de Refogos do Lima, sendo dez painéis, oito no corpo da igreja e dois na capela-mor.
Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan e IBGE



